{"id":2260,"date":"2019-03-25T07:08:31","date_gmt":"2019-03-25T10:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=2260"},"modified":"2019-03-25T07:09:16","modified_gmt":"2019-03-25T10:09:16","slug":"prf-apreende-mais-de-300-celulares-escondidos-em-onibus-em-santa-terezinha-de-itaipu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/25\/prf-apreende-mais-de-300-celulares-escondidos-em-onibus-em-santa-terezinha-de-itaipu-2\/","title":{"rendered":"Primeira travesti mestra pela UEM usa figura da drag queen para discutir educa\u00e7\u00e3o mais receptiva \u00e0s diferen\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Lua Lamberti de Abreu, de 24 anos, fez defesa perform\u00e1tica da disserta\u00e7\u00e3o na sexta-feira (22), em Maring\u00e1, no norte do Paran\u00e1.<\/h4>\n\n\n\n<p>Primeira travesti a conquistar o t\u00edtulo de mestra pela Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM), no norte do Paran\u00e1, Lua Lamberti de Abreu, de 24 anos, usou na pesquisa a figura da drag queen para discutir uma educa\u00e7\u00e3o mais receptiva \u00e0s diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma defesa de disserta\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica, na \u00faltima sexta-feira (22), Lua foi montada de Galathea X, a drag queen dela. A jovem concluiu o mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da UEM.<\/p>\n\n\n\n<p>Formada em artes c\u00eanicas, Lua disse que considerou em sua pesquisa o fato de as pessoas trans n\u00e3o serem bem-vindas aos espa\u00e7os da educa\u00e7\u00e3o e abordou a inclus\u00e3o ao inv\u00e9s da exclus\u00e3o desses estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um fato que as pessoas trans n\u00e3o s\u00e3o bem-vindas nesses espa\u00e7os educacionais. Nem na escola, nem na universidade, nem na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. O fato de eu ser a primeira j\u00e1 ilustra isso. Porque n\u00e3o fui eu que inventei o mestrado, n\u00e3o fui eu que inventei ser travesti, portanto, onde estavam as outras?\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a jovem, ela pensou na figura da drag queen, como algu\u00e9m que usa a arte para agregar elementos externos e se \u201ctransformar\u201d em uma pessoa diferente. Esta foi a forma encontrada pela pesquisadora para abordar uma poss\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na pedagogia, que chamou de \u201cPe-Drag-Ogia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00c9 pensar em formas inventivas de fazer uma pedagogia que seja convidativa e n\u00e3o violenta, que seja plural e n\u00e3o diferenciada \u2013 no sentido de diferenciar pessoas, no sentido de respeitar e positivar essas diferen\u00e7as\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/pos0DOiwDIKnly7-elPhYW5HFWQ=\/0x0:1280x959\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/U\/Q\/BxlsAcQsaubAXfCvsfSw\/whatsapp-image-2019-03-23-at-11.47.02-1-.jpeg\" alt=\"Lua ap\u00f3s a defesa da disserta\u00e7\u00e3o, na sexta-feira (22). Da esquerda pra direita: doutora Megg Rayara de Oliveira; mestra Lua Lamberti de Abreu; doutora C\u00e1ssia Furlan; doutora Eliane Maio (orientadora); doutora Roberta Stubs (coorientadora) \u2014 Foto: Isabella Souza\/Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Lua ap\u00f3s a defesa da disserta\u00e7\u00e3o, na sexta-feira (22). Da esquerda pra direita: doutora Megg Rayara de Oliveira; mestra Lua Lamberti de Abreu; doutora C\u00e1ssia Furlan; doutora Eliane Maio (orientadora); doutora Roberta Stubs (coorientadora) \u2014 Foto: Isabella Souza\/Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Eliane Maio, orientadora de Lua, explica que essa exclus\u00e3o social, que pode come\u00e7ar na escola e levar as pessoas trans para as ruas, contribui para uma triste estat\u00edstica: a estimativa m\u00e9dia de vida de travestis \u00e9 de 35 anos no Brasil, enquanto, segundo ela, a estimativa m\u00e9dia de vida da popula\u00e7\u00e3o em geral chega a 80 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo a escola v\u00ea essa pessoa drag? Como que se aprende a ser drag? Quem ensina e quem expulsa? Ent\u00e3o o olhar do trabalho da Lua \u00e9 isso: \u00e9 dizer-se uma pessoa drag. E o que a escola tem feito nesse contexto? Atrapalhado, acolhido, expulsado?\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Eliane, h\u00e1 seis anos, ela colaborou com a cria\u00e7\u00e3o de uma portaria na UEM, que possibilita o uso do nome social por estudantes trans. A professora destaca ainda que, at\u00e9 hoje, quatro travestis e um homem trans conclu\u00edram a gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lua, que iniciou o processo de transi\u00e7\u00e3o para travesti justamente durante a gradua\u00e7\u00e3o, afirma foi privilegiada porque recebeu muito apoio.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTive uma fam\u00edlia que n\u00e3o me violentou, que me entende e que me aceita. S\u00e3o acessos que, infelizmente, nem todas as pessoas trans t\u00eam\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Eliane destaca ainda a import\u00e2ncia de dar visibilidade para as pessoas trans, e a luta dela para que as pessoas ocupem o lugar que querem ocupar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais visibilidade, a gente vai rompendo estere\u00f3tipos, preconceitos, paradigmas. A gente abre os olhos contra os preconceitos, isso \u00e9 o mais importante\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi rompendo paradigmas que Lua usou na pesquisa dela uma metodologia feminista, na qual optou por autoras mulheres que discutem os temas abordados. Ela ainda convidou para a banca avaliadora da disserta\u00e7\u00e3o a doutora Megg Rayara Gomes de Oliveira, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pr\/parana\/noticia\/apos-vida-marcada-por-preconceito-travesti-negra-conquista-titulo-de-doutora-na-ufpr.ghtml\">primeira travesti negra conquistar o t\u00edtulo de doutora na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR)<\/a>, em 2017.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSer diferente n\u00e3o \u00e9 um problema \u2013 ent\u00e3o a gente precisa entender as diferen\u00e7as e n\u00e3o anul\u00e1-las e n\u00e3o normaliz\u00e1-las. As pessoas n\u00e3o precisam ser corrigidas, elas precisam ser ensinadas, e para isso funciona a educa\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Lua.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dia Nacional do Orgulho Gay<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta segunda-feira (25), \u00e9 comemorado o Dia Nacional do Orgulho Gay. Para Lua, mais que comemorar as conquistas, o dia \u00e9 uma forma de honrar as pessoas que morreram justamente por fazerem parte de grupos minorit\u00e1rios, seja da comunidade LGBT, de movimentos feministas e antirracistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 sempre uma luta de muita dor. A gente n\u00e3o faz movimento de orgulho porque a gente acha muito bonito ser quem a gente \u00e9. A gente faz porque a gente ainda acha importante ser quem a gente \u00e9, mesmo que as pessoas queiram a gente mortas por isso. Ent\u00e3o, isso \u00e9 pol\u00edtico, isso \u00e9 importante\u201d, declarou a mestra.<\/p>\n\n\n\n<p>Lua ainda pontua que \u00e9 feita uma comemora\u00e7\u00e3o em um sentido mais carnavalesco para positivar as outras vidas e demonstrar que, mesmo com todas as dificuldades, ningu\u00e9m vai desistir de lutar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a jovem, o fato de a defesa da disserta\u00e7\u00e3o de Lua ter acontecido perto do Dia Nacional do Orgulho Gay e no momento pol\u00edtico atual, tamb\u00e9m teve um peso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuer dizer que com todas essas investidas contra os direitos humanos, contra a quest\u00e3o LGBT, contra o estudo de g\u00eanero de maneira geral, a gente ainda assim faz um esfor\u00e7o de estar l\u00e1, de existir e de afirmar nossa presen\u00e7a, nosso lugar, nossa compet\u00eancia, nossa produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia\u201d, destaca.<\/p><p>G1PR<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lua Lamberti de Abreu, de 24 anos, fez defesa perform\u00e1tica da disserta\u00e7\u00e3o na sexta-feira (22), em Maring\u00e1, no norte do Paran\u00e1. 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