{"id":21181,"date":"2019-10-16T08:56:37","date_gmt":"2019-10-16T11:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=21181"},"modified":"2019-10-16T08:56:38","modified_gmt":"2019-10-16T11:56:38","slug":"mulheres-agricultoras-cultivam-oasis-organico-na-periferia-de-sao-paulo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/10\/16\/mulheres-agricultoras-cultivam-oasis-organico-na-periferia-de-sao-paulo-2\/","title":{"rendered":"Mulheres agricultoras cultivam o\u00e1sis org\u00e2nico na periferia de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Na zona leste de S\u00e3o Paulo, elas plantam, colhem e cozinham para eventos, tudo em harmonia com a natureza e com sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<br><\/h4>\n\n\n\n<p>Da imensid\u00e3o de concreto dos processos de urbaniza\u00e7\u00e3o da cidade, brota em plena S\u00e3o Miguel Paulista, bairro Uni\u00e3o Vila Nova, zona leste de S\u00e3o Paulo, um verde que alimenta, gera renda, conecta trabalho com hist\u00f3ria de vida e mostra o potencial de realiza\u00e7\u00e3o quando um grupo de mulheres une for\u00e7as em prol de uma a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o \u00e9 o Viveiro Escola, e as protagonistas dessa hist\u00f3ria s\u00e3o as Mulheres do GAU \u2013 Grupo de Agricultoras Urbanas, que al\u00e9m de fazerem a manuten\u00e7\u00e3o do Viveiro a partir de refer\u00eancias da permacultura atrav\u00e9s do plantio, cultivo, colheita e manejo agroflorestal, desenvolvem produtos aliment\u00edcios com base na culin\u00e1ria org\u00e2nica (abrangendo tamb\u00e9m a culin\u00e1ria vegana), servindo caf\u00e9s e almo\u00e7os em eventos em diversos locais da cidade e em atividades comunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o onde elas est\u00e3o faz parte de um projeto desenvolvido na regi\u00e3o pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), desde 2002. A \u00e1rea de 2500m2 foi cedida como resposta a uma demanda da comunidade durante o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o. Hoje, s\u00e3o cultivadas ali diversas frutas, verduras, hortali\u00e7as e flores sem nenhum veneno ou composto qu\u00edmico. Parte da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 dedicada ao cultivo org\u00e2nico de PANCs (Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais), que al\u00e9m de serem muito saud\u00e1veis, resgatam a cultura dessas mulheres e de seus antepassados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/viveiro-escola-mulheres-do-gau.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68351\"\/><figcaption>Local onde fica o Viveiro Escola, um verdadeiro o\u00e1sis | Foto: CDHU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, o terreno era apenas um dep\u00f3sito de entulho. A CDHU retirou os entulhos, mas a recupera\u00e7\u00e3o do solo ficou por conta das m\u00e3os das primeiras mulheres que chegaram ali e que continuam at\u00e9 hoje trabalhando nas infinitas possibilidades de uso coletivo do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente trabalhou muito nesse ch\u00e3o pra ficar bonito como t\u00e1 hoje, foi muito suor derramado, muita luta dessas mulheres guerreiras, sendo que muitas delas tinham e ainda t\u00eam a responsabilidade de sustentar sozinha a casa e os filhos. Mas tudo sempre foi feito na base do amor\u201d, conta Helena Caroba, uma das primeiras a chegar ali e a colocar a m\u00e3o na terra para transformar a paisagem onde mora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/07_MULHERES-REUNIDAS-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68314\"\/><figcaption>As Mulhres do GAU (da esquerda para a direita) Maria Casselli, Velma Martins, Concei\u00e7\u00e3o Lisboa, Vilma Martins, L\u00e9ia Pereira, Angela do Nascimento, Mar\u00eda Joana Paix\u00e3o, Joelma Marcelinho, Maria Helena Caroba. | Foto: CicloVivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando algu\u00e9m chega no Viveiro, depara-se com um mundo de realiza\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do plantio em sistema agroflorestal, tem a cozinha onde as mulheres do GAU elaboram seus pratos para servir em eventos, tem atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e1gua da bica utilizada na irriga\u00e7\u00e3o, compostagem, sistema de coleta de \u00e1gua da chuva, tem empatia, esperan\u00e7a, f\u00f4lego para continuar enfrentando as dificuldades da vida em parceria e, al\u00e9m de tudo isso, o mais recente sonho, a vontade de montar um ber\u00e7\u00e1rio pr\u00f3prio de sementes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu cheguei aqui nessa regi\u00e3o, n\u00e3o tinha uma \u00e1rvore sequer. E hoje, eu ando pelas ruas e elas j\u00e1 at\u00e9 me passaram\u201d, diz Vilma Martins, referindo-se ao quanto as \u00e1rvores cresceram desde que come\u00e7ou o trabalho de arboriza\u00e7\u00e3o do bairro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/2-41_Vilma-mostra-taioba-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68342\"\/><figcaption>Vilma mostrando o plantio de Taioba org\u00e2nica | Foto: CicloVivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pl<\/strong>antar e colher, resgate de identidade<\/h4>\n\n\n\n<p>Uma vez dada a largada nas atividades de cultivo, em 2009, mais e mais mulheres do bairro foram se aproximando e o olhar delas para aquele lugar foi al\u00e9m do objetivo inicial de arboriza\u00e7\u00e3o, da realiza\u00e7\u00e3o de atividades de plantio e da colheita de tempos em tempos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cN\u00f3s come\u00e7amos com a horta comunit\u00e1ria e depois a prefeitura destinou 10 bolsas para cuidar das pra\u00e7as da comunidade, da horta e do viveiro. S\u00f3 que outras mulheres come\u00e7aram a vir. O nosso bairro \u00e9 formado principalmente por nordestinos, gente que como eu, quando chegou aqui batalhou muito pra se conectar com algo que fizesse sentido para o que carreg\u00e1vamos em nossa mem\u00f3ria e nossa hist\u00f3ria\u201d, conta Vilma.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como o conv\u00edvio di\u00e1rio com a horta e com o viveiro fez todo o sentido para as mulheres que trabalhavam naquela terra, elas entenderam que o lugar tinha potencial para contribuir com a hist\u00f3ria de outras moradoras do bairro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/viveiro-escola-mulheres-do-gau-compostagem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68353\"\/><figcaption>Todas as sobras de alimentos e podas s\u00e3o destinadas a compostagem, gerando adubo para a horta, e renda atrav\u00e9s da venda do composto l\u00edquido. O local aplica diversas pr\u00e1ticas de permacultura, entre elas, o sistema de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva. | Fotos: CicloVivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi a\u00ed que nasceram as Mulheres do GAU. Muitas moradoras tinham a necessidade da renda porque precisavam sustentar sozinhas suas casas ou ent\u00e3o porque contribu\u00edam financeiramente com parte significativa para o sustento da fam\u00edlia. \u201cEnt\u00e3o a gente pensou, por que n\u00e3o usar o que a gente j\u00e1 planta para criar um servi\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o e possibilitar que mais mulheres possam ter sua renda trabalhando perto de casa? Foi assim que nasceu a ideia \u201cda horta pra mesa\u201d. As mulheres do GAU passaram a, al\u00e9m de plantar e colher, cozinhar e oferecer um servi\u00e7o com muito cuidado e amor\u201d, conta Vilma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/50_Helena-mostra-peixinho-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68315\"\/><figcaption>Helena mostrando a horta com a PANC conhecida como \u201cpeixinho\u201d. | Foto: CicloVivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim que surgiu a proposta do servi\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o, elas fizeram um curso cedido por uma t\u00e9cnica da CDHU para preparar alimentos com o que j\u00e1 plantavam. Muitos dos itens cultivados j\u00e1 eram conhecidos por essas mulheres, que carregavam em sua mem\u00f3ria a lembran\u00e7a de seus av\u00f3s e seus pais usando aqueles ingredientes na cozinha. \u201cS\u00e3o itens como taioba, serralha, dente de le\u00e3o, que pras pessoas de S\u00e3o Paulo pode ser muito diferente, mas que pra quem \u00e9 de l\u00e1 de onde a gente veio, tinha no quintal de todo mundo\u201d, conta Helena.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da venda dos alimentos in natura e de deliciosos pat\u00eas, geleias, p\u00e3es e biscoitos, elas tamb\u00e9m organizam o que chamam de \u201cCatarinas\u201d. \u201cAs Catarinas s\u00e3o o que o pessoal chama de \u201ccaterings\u201d, que \u00e9 quando a gente j\u00e1 leva a comida preparada, n\u00e3o precisa cozinhar no lugar. Mas tamb\u00e9m fazemos \u201ccoffee breaks\u201d e \u201chappy hours\u201d e todas essas palavras \u201cdo estrangeiro\u201d que usamos para falar de um \u201crango bom\u201d, explica Vilma, de maneira divertida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/44113594_2252425888118534_200901952878411776_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68316\"\/><figcaption>Catering (ou Catarinas) preparados pelas Mulheres do GAU | Foto: Mulheres do GAU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de entregar um servi\u00e7o, as mulheres do GAU oferecem todo um conceito. \u201cA gente usa na comida o que a gente planta com as nossas m\u00e3os. Mais do que uma refei\u00e7\u00e3o, a gente leva sa\u00fade, cuidado e um pouco da nossa hist\u00f3ria\u201d, diz Vilma.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as refei\u00e7\u00f5es bonitas, saud\u00e1veis e saborosas elaboradas pelas mulheres do GAU est\u00e3o a esfiha de taioba, torta de escarola, omelete de ervas org\u00e2nicas, p\u00e3es e saladas com PANCs e flores, biscoito salgado de folha de batata doce, pat\u00ea de mastruz, ch\u00e1s de mix de ervas, geleia de flor de malvavisco, entre outras iguarias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/viveiro-escola-mulheres-do-gau-comercializacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68354\"\/><figcaption>Al\u00e9m de plantar, as mulheres criaram uma rede empreendedora, vendendo alimentos, servi\u00e7os e at\u00e9 mesmo produtos beneficiados no local | Fotos: CicloVivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A L\u00e9ia, como prefere ser chamada, chegou h\u00e1 12 anos da Bahia e \u00e9 uma dessas mulheres que por muito tempo passou pelo Viveiro pelo simples prazer de estar l\u00e1. Hoje, ela faz parte deste grupo. \u201cEu costumo dizer que aqui pra mim \u00e9 um o\u00e1sis na selva de pedra. Faz 5 anos que moro no bairro e s\u00f3 depois de vir pra c\u00e1 eu peguei gosto por S\u00e3o Paulo. Aqui eu lembro das minhas origens. A gente tem natureza, tem possibilidade de usufruir de coisas, fonte de renda pra minha fam\u00edlia, aprendo sobre como me alimentar melhor\u2026 Pra mim aqui \u00e9 tudo\u201d, diz.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo grande passo que elas querem dar \u00e9 ter seu pr\u00f3prio ber\u00e7\u00e1rio de sementes. \u201cPra garantir que a nossa planta\u00e7\u00e3o seja org\u00e2nica, n\u00f3s precisamos buscar as sementes em Suzano\u201d, bairro que fica a cerca de 30 quil\u00f4metros dali, conta Joelma Marcelino. \u201cMas futuramente, a gente quer ter nossas pr\u00f3prias sementes org\u00e2nicas pra poder plantar, colher e replantar \u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/2-49_Maria-como-fazia-na-roc%CC%A7a-onde-nasceu-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-68343\"\/><figcaption>Maria cultivando a horta da forma como aprendeu quando pequena | Foto: CicloVivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para encomendar as del\u00edcias preparadas pelas mulheres do GAU ou agendar uma visita ao Viveiro Escola para atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental, que podem incluir uma refei\u00e7\u00e3o preparada por essas mulheres t\u00e3o especiais, entre em contato:<\/p>\n\n\n\n<p>Joelma (11) 95734-9277<\/p>\n\n\n\n<p>Vilma (11) 95732-4811<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"mailto:mulheresdogau.sp@gmail.com\">mulheresdogau.sp@gmail.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ciclo Vivo<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na zona leste de S\u00e3o Paulo, elas plantam, colhem e cozinham para eventos, tudo em harmonia com a natureza e com sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. 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