{"id":21125,"date":"2019-10-15T15:46:45","date_gmt":"2019-10-15T18:46:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=21125"},"modified":"2019-10-15T15:47:17","modified_gmt":"2019-10-15T18:47:17","slug":"professor-de-95-anos-pega-dois-onibus-pra-dar-aulas-de-japones-de-graca-em-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/10\/15\/professor-de-95-anos-pega-dois-onibus-pra-dar-aulas-de-japones-de-graca-em-curitiba\/","title":{"rendered":"Professor de 95 anos pega dois \u00f4nibus pra dar aulas de japon\u00eas de gra\u00e7a em Curitiba"},"content":{"rendered":"\n<p>Ele nasceu no Jap\u00e3o e veio para o Paran\u00e1 aos nove anos, em maio de 1940. Em Curitiba, chegou em dezembro de 1951 e aqui foi a cidade que escolheu n\u00e3o s\u00f3 para constituir fam\u00edlia como tamb\u00e9m para escrever sua hist\u00f3ria. Hoje, aos 95 anos, Seizo Watanabe procura fazer a diferen\u00e7a na vida das pessoas dando aulas de japon\u00eas a partir do conhecimento que adquiriu sozinho ao longo de todos estes anos distante de sua terra natal. \u201cN\u00e3o queria morrer sem deixar isso para algu\u00e9m\u201d, destaca ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao vir para o Brasil, Seizo acabou estudando sozinho da forma que era poss\u00edvel na \u00e9poca. \u201cQuando cheguei, s\u00f3 tinha terceiro ano de estudo no Jap\u00e3o, mas aqui no Brasil n\u00e3o me adaptei ao clima e fiquei dois anos sem poder sair de casa, por conta de uma alergia que tive. Por causa disso e pela guerra (Segunda Guerra Mundial), estudei sozinho, em casa, porque n\u00e3o podia reunir tr\u00eas japoneses, se n\u00e3o levavam para a cadeia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Curitiba, ele chegou quando j\u00e1 tinha 20 anos e aqui come\u00e7ou a escrever, em definitivo, sua hist\u00f3ria. Seizo casou, teve dois filhos e se aposentou como dono de uma lavanderia. \u201cJunto disso, sempre gostei de ler. Nunca abandonei esse h\u00e1bito e acredito que j\u00e1 tenha lido mais de mil volumes desde que cheguei em Curitiba\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/blogs\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/10\/14221235\/AULA-JAPONES_FR-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29751\"\/><figcaption>Ao vir para o Brasil, Seizo acabou estudando sozinho da forma que era poss\u00edvel na \u00e9poca. Foto: Felipe Rosa \/ <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Casado h\u00e1 68 anos, Seizo tem uma rotina bastante ativa com sua esposa, com quem n\u00e3o deixa de fazer uma s\u00e9rie de atividades que gosta, como dan\u00e7ar e caminhar. \u201cEla mesmo \u00e9 uma pessoa muito ativa. Se tem mulher com mais sa\u00fade que a minha esposa, desconhe\u00e7o: corre o dia todo, faz dan\u00e7a. Talvez esse seja o segredo, mas sentia a necessidade de passar meus conhecimentos, deixar um legado a algu\u00e9m de alguma forma\u201d, comentou o japon\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aulas de gra\u00e7a<\/h3>\n\n\n\n<p>Por conta dessa sede de ensinar e de, ao mesmo tempo, se obrigar a n\u00e3o ficar parado, h\u00e1 17 anos Seizo desenvolve uma atividade di\u00e1ria que exige muito dele, mas de longe \u00e9 percept\u00edvel que n\u00e3o lhe custa nada: morador do bairro Jardim das Am\u00e9ricas, o idoso pega dois \u00f4nibus para chegar at\u00e9 a Pra\u00e7a Ouvidor Pardinho, no Rebou\u00e7as, duas vezes por semana. O objetivo? Dar aulas de japon\u00eas para frequentadores do Centro de Atendimento ao Idoso (Cati).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a determina\u00e7\u00e3o que \u00e9 caracter\u00edstica de todo japon\u00eas, Seizo n\u00e3o v\u00ea o esfor\u00e7o de levantar cedo e ir at\u00e9 o Cati como algo que lhe tira energia. \u201cMuito pelo contr\u00e1rio. Eu fico muito satisfeito porque o esfor\u00e7o de cada um, eu acho que vale muito, ent\u00e3o cada um fazendo a sua parte me deixa muito feliz. Tenho muita gratid\u00e3o\u201d, disse ele, que leciona de forma volunt\u00e1ria para dois tipos de turmas: os que est\u00e3o aprendendo agora e os que j\u00e1 t\u00eam certo conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/blogs\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/10\/14221245\/AULA-JAPONES_FR-6-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29753\"\/><figcaption>Muito mais do que as aulas de japon\u00eas, Seizo \u00e9 um exemplo aos idosos do Cati que enxergam o professor como uma refer\u00eancia. Foto: Felipe Rosa \/ Tribuna do Paran\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Seizo avalia que, para os idosos, as aulas no Cati s\u00e3o extremamente importantes. \u201cQuando o cidad\u00e3o passa a fronteira, o idioma faz com que a pessoa n\u00e3o passe apuro na alf\u00e2ndega, por exemplo, mas tirando isso a pessoa adquire muito mais conhecimento. Por isso quanto mais idioma se aprende, melhor. Isso sem contar o fato de que conhecer nunca \u00e9 demais. A pessoa que busca aprender mais, vive mais. Depois que aposentar, n\u00e3o fique sem fazer nada, procure estudar, porque isso impede que a gente se sinta desmotivado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Al\u00e9m do idioma<\/h3>\n\n\n\n<p>Para os alunos, que t\u00eam todos entre os 60 e mais de 80 anos, os encontros com Seizo s\u00e3o muito mais do que uma simples aula de um novo idioma. \u201c\u00c0s vezes a gente n\u00e3o quer vir, levanta meio desanimado, com pregui\u00e7a, mas quando lembramos o esfor\u00e7o que ele faz para estar na aula, a gente vem. Pra gente esse \u00e9 um momento de encontrarmos pessoas, conversarmos e, al\u00e9m disso tudo, ainda aprendemos. Muita coisa que, por exemplo, eu ouvia com nossos pais, mas n\u00e3o entendia o que significava, aprendo com ele hoje\u201d, disse Elis Miyazaki, 71 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/blogs\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/10\/14221240\/AULA-JAPONES_FR-3-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29752\"\/><figcaption>Os alunos t\u00eam entre 60 e mais de 80 anos. Foto: Felipe Rosa \/ Tribuna do Paran\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O pintor e desenhista aposentado Luiz Hiroshi, de 82, conheceu Seizo h\u00e1 17 anos, quando dava aulas de pintura. \u201c\u00c9 um senhor admir\u00e1vel pela idade e por continuar como volunt\u00e1rio. S\u00f3 tenho a agradecer porque, em termos de Jap\u00e3o, cultura, costume, idioma, ele entende demais. Eu, que procurei as aulas como uma forma de aprender um pouco mais, percebo que s\u00f3 melhoro meu conhecimento. A gente tem que sempre ter alguma atividade, se n\u00e3o enferruja, trava tudo, n\u00e9? Seizo faz com que a gente se sinta bem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>TribunaPr<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele nasceu no Jap\u00e3o e veio para o Paran\u00e1 aos nove anos, em maio de 1940. Em Curitiba, chegou em dezembro de 1951 e aqui foi a cidade que escolheu n\u00e3o s\u00f3 para constituir fam\u00edlia como tamb\u00e9m para escrever sua hist\u00f3ria. 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