{"id":20764,"date":"2019-10-09T08:24:03","date_gmt":"2019-10-09T11:24:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=20764"},"modified":"2019-10-09T08:24:04","modified_gmt":"2019-10-09T11:24:04","slug":"em-curitiba-consumo-de-alcool-cresce-principalmente-entre-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/10\/09\/em-curitiba-consumo-de-alcool-cresce-principalmente-entre-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Em Curitiba, consumo de \u00e1lcool cresce principalmente entre as mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>O consumo abusivo de \u00e1lcool cresceu consideravelmente entre as mulheres ao longo da \u00faltima d\u00e9cada e meia. Dados da Pesquisa de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (Vigitel) revelam que, entre 2006 e 2018, o porcentual de mulher que exageram na hora de consumir bebida alco\u00f3lica saltou de 4,6% para 7,9% em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os homens o consumo tamb\u00e9m cresceu nesse mesmo per\u00edodo, embora de forma n\u00e3o t\u00e3o expressiva. O avan\u00e7o foi de 1,4 pontos porcentuais, com o porcentual de homens que exageram na hora de beber passando de 20,6% para 22% na Capital.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, encomendado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, considera como consumo abusivo quem consome cinco ou mais doses (homem) ou quatro ou mais doses (mulher) em uma \u00fanica ocasi\u00e3o, pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores \u00e0 pesquisa. Uma dose de bebida alco\u00f3lica corresponde a uma lata de cerveja, uma ta\u00e7a de vinho ou uma dose de cacha\u00e7a, whisky ou qualquer outra bebida alco\u00f3lica destilada.<\/p>\n\n\n\n<p>Vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Sobre \u00c1lcool e Outras Drogas (Abead), a psiquiatra Alessandra Diehl aponta que o aumento do consumo abusivo de \u00e1lcool entre as mulheres \u00e9 resultado de uma s\u00e9rie de fatores, entre eles mudan\u00e7as comportamentais, com elas tendo uma vida social muito mais ativa do que anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 uma quest\u00e3o mais social. As mulheres est\u00e3o ocupando outros espa\u00e7os, tendo pap\u00e9is sociais diferentes na sociedade. S\u00e3o espa\u00e7os em que elas socializam assim como os homens e nesses espa\u00e7os h\u00e1 oferta maior de bebida\u201d, aponta a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m desse avan\u00e7o no sentido de igualdade entre os g\u00eaneros, por\u00e9m, h\u00e1 tamb\u00e9m outras quest\u00f5es que causam preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cDentro desse padr\u00e3o, com duplo papel, dupla jornada, casa, trabalho filhos e carreira, performance, desempenho, h\u00e1 uma sobrecarga bastante grande e a\u00ed as bebidas alco\u00f3licas e outras subst\u00e2ncias podem entrar num contexto de al\u00edvio, trazer relaxamento, melhorrar o sono. E algumas pessoas v\u00e3o ficar com problemas\u201d, complementa Diehl.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Proposta de igualar regras de marketing para o \u00e1lcool \u00e0s do cigarro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto citado pela psiquiatra diz respeito \u00e0 forma como a m\u00eddia em geral pauta a quest\u00e3o de g\u00eanero no que diz respeito ao consumo de bebidas alco\u00f3licas. \u201cA ind\u00fastria do \u00e1lcool faz como a ind\u00fastria do cigarro fez por muito tempo. Vende autonomia e liberdade (pela propaganda), quando na verdade n\u00e3o faz isso. \u00c9 sempre mulheres bonitas, mulheres que vendem sensualidade, frescor, algo tamb\u00e9m ligado ao empoderamento. E propaganda influencia consumo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma resumida, ent\u00e3o, ela cita quatro fatores como primordiais para o avan\u00e7ao do consumo abusivo de \u00e1lcool: disponibilidade, engajamento, quest\u00e3o social e propaganda, marketing. \u201c\u00c9 uma estrat\u00e9gia bastante conhecida, mas precisamos estar alertas. Nossa proposta \u00e9 que (as regras de marketing) para o \u00e1lcool sejam iguais \u00e0s regras para cigarros. N\u00e3o temos propaganda de bebida destilada, mas temos de cerveja, que n\u00e3o \u00e9 destilado. \u00c9 uma vergonha. \u00c9 uma ind\u00fastria milion\u00e1ria com marketing muito criativo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o\u2019, diz especialista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo Alessandra Diehl, hoje as pessoas que enfrentam quest\u00f5es mais graves relacionados ao consumo de drogas sempre apresentam o \u00e1lcool como parte do problema. \u201cTrabalho com interna\u00e7\u00e3o de mulheres. O p\u00fablico \u00e1lcool est\u00e1 no escopo, mas n\u00e3o \u00e9 a droga \u00fanica. O que vemos nos \u00faltimos anos \u00e9 que as pessoas que chegam s\u00e3o poliusu\u00e1rios, a grande maioria. Mulheres \u00e9 \u00e1lcool e rem\u00e9dios, anfetaminas, rem\u00e9dios para dormir, \u00e1lcool e analg\u00e9sicos&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista ainda aponta que os dados da Vigitel s\u00e3o alarmantes, uma vez que \u201c existe uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que algo est\u00e1 ocorrendo nesse universo e que precisamos ter pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o, tratamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o, explica ela, diz respeito ao consumo de \u00e1lcool entre gestantes. \u201cN\u00e3o temos tido tantas campanhas focadas no p\u00fablico feminino. Estamos perdendo uma rica oportunidade para falar sobre beber na gest\u00e3o, algo extremamente prevalente. Quantas crian\u00e7as nascem com s\u00edndrome alco\u00f3lica no B rasil? N\u00e3o temos esses dados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paran\u00e1 ter\u00e1 pol\u00edtica de cuidados da mulher em todas as fases da vida<\/strong><br>A Secretaria da Sa\u00fade do Paran\u00e1 vai formatar a partir dos pr\u00f3ximos meses uma pol\u00edtica estadual perene de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da mulher. O objetivo \u00e9 consolidar os cuidados em todas as suas fases de vida e n\u00e3o apenas na aten\u00e7\u00e3o materno-infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica deve buscar a consolida\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, com \u00eanfase na melhoria da aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica, no planejamento familiar, na aten\u00e7\u00e3o ao abortamento inseguro e no combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>A meta \u00e9 abrir um leque para que a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher contemple, al\u00e9m das campanhas mais incisivas sobre c\u00e2ncer de mama e colo de \u00fatero e gest\u00e3o materno-infantil, tamb\u00e9m o planejamento reprodutivo (m\u00e9todos contraceptivos), aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica (pr\u00e9-natal, parto, puerp\u00e9rio, urg\u00eancias e emerg\u00eancias obst\u00e9tricas e aborto), vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica do \u00f3bito materno, viol\u00eancia sexual e dom\u00e9stica, climat\u00e9rio, g\u00eanero, sa\u00fade mental, feminiliza\u00e7\u00e3o da Aids e infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Consumo abusivo de bebidas alco\u00f3licas &#8211; Curitiba<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2018<\/strong><br>M\u00e9dia geral 14,4%<br>Homens 22%<br>Mulheres 7,9%<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2006<\/strong><br>M\u00e9dia geral 12,1%<br>Homens 20,6%<br>Mulheres 4,6%<\/p>\n\n\n\n<p>Bem Paran\u00e1<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumo abusivo de \u00e1lcool cresceu consideravelmente entre as mulheres ao longo da \u00faltima d\u00e9cada e meia. 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