{"id":20485,"date":"2019-10-03T10:41:18","date_gmt":"2019-10-03T13:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=20485"},"modified":"2019-10-03T10:41:20","modified_gmt":"2019-10-03T13:41:20","slug":"nanotecnologia-reduz-em-10-vezes-uso-de-herbicida-para-controle-de-erva-daninha-do-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/10\/03\/nanotecnologia-reduz-em-10-vezes-uso-de-herbicida-para-controle-de-erva-daninha-do-milho\/","title":{"rendered":"Nanotecnologia reduz em 10 vezes uso de herbicida para controle de erva daninha do milho"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) conseguiram bons resultados no controle de plantas daninhas em experimentos em casa de vegeta\u00e7\u00e3o, reduzindo em 10 vezes a quantidade aplicada do herbicida atrazina, sem comprometer a sua efici\u00eancia. Os estudos fazem parte de amplo projeto financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), reunindo v\u00e1rios programas e frentes. Na UEL, a pesquisa envolve pelo menos tr\u00eas Laborat\u00f3rios das \u00e1reas das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e Agr\u00e1rias, utilizando a nanotecnologia na aplica\u00e7\u00e3o da atrazina para controle de plantas daninhas em lavouras de milho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, a&nbsp;atrazina&nbsp;\u00e9 encapsulada em nanopart\u00edculas polim\u00e9ricas, que funcionam como a c\u00e1psula de um rem\u00e9dio em tamanho extremamente diminuto, permitindo uma libera\u00e7\u00e3o gradual do herbicida. A pesquisa \u00e9 importante porque a subst\u00e2ncia j\u00e1 foi banida na comunidade europeia por estar associada a problemas de sa\u00fade e contamina\u00e7\u00e3o ambiental, por\u00e9m ainda \u00e9 um insumo comum na Am\u00e9rica Latina, EUA e Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos conduzidos nos laborat\u00f3rios da UEL demonstraram um efeito surpreendente na utiliza\u00e7\u00e3o da&nbsp;nanoatrazina, com efetivo controle de plantas daninhas como pic\u00e3o-preto, caruru, nabi\u00e7a e mostarda. De acordo com o professor Giliardi Dalazen, do Departamento de Agronomia, do Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias (CCA), para manter a produtividade das lavouras o insumo \u00e9 usado em doses altas, at\u00e9 dois quilos\/hectare.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ensaios na UEL comprovaram a efici\u00eancia da&nbsp;nanoatrazina, ou seja, controle das plantas daninhas, com apenas 200 gramas\/hectare &#8211; uma redu\u00e7\u00e3o de 90%. &#8220;O uso \u00e9 importante para manter os n\u00edveis de produtividade, mas \u00e9 fundamental reduzir as doses e a frequ\u00eancia das aplica\u00e7\u00f5es&#8221;, orienta o professor. Segundo ele, nos atuais n\u00edveis de aplica\u00e7\u00e3o h\u00e1 o comprometimento de mananciais, sem contar nos altos custos para manuten\u00e7\u00e3o das lavouras.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel devido \u00e0 nanotecnologia, em um processo desenvolvido e patenteado pelo grupo de pesquisa com recursos da Fapesp, coordenado pelo professor Leonardo Fernandes Fraceto, do Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia de Sorocaba (ICTS), ligado \u00e0 Universidade Estadual Paulista (UNESP). O processo encapsula o herbicida em nanopart\u00edculas polim\u00e9ricas, melhorando a absor\u00e7\u00e3o pela planta, ao mesmo temo em que aumenta o tempo de conserva\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie foliar e, consequentemente, reduz a toxicidade contra organismos n\u00e3o-alvo.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da UEL, os pesquisadores analisam os efeitos ben\u00e9ficos deste processo de encapsulamento da&nbsp;atrazina&nbsp;na atividade herbicida e na redu\u00e7\u00e3o dos danos ambientais, j\u00e1 resultando em pelo menos cinco trabalhos de grande repercuss\u00e3o no meio acad\u00eamico. De acordo com o professor Halley Caixeta de Oliveira, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal (BAV), os pesquisadores aferiram o processo de fotoss\u00edntese das plantas daninhas, quando aplicadas as nanopart\u00edculas com a&nbsp;atrazina. Ele explica que o herbicida inibe a fotoss\u00edntese, e consequentemente, a utiliza\u00e7\u00e3o da energia solar para a produ\u00e7\u00e3o de carboidratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo foi medido no Laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Vegetal. Os estudos demonstraram que a&nbsp;nanoatrazina&nbsp;foi mais eficiente que o herbicida convencional em inibir a fotoss\u00edntese, sendo que a luz, que seria utilizada para produ\u00e7\u00e3o de alimento, acabou levando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de compostos t\u00f3xicos, como radicais livres de oxig\u00eanio. &#8220;O foco do trabalho foi exatamente medir esse processo fisiol\u00f3gico das plantas para confirmar a efici\u00eancia da formula\u00e7\u00e3o, bem como os seus mecanismos de a\u00e7\u00e3o&#8221;, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Cl\u00e1udia Bueno dos Reis Martinez, do Departamento de Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas (CIF), revela grande preocupa\u00e7\u00e3o com os res\u00edduos da&nbsp;atrazina&nbsp;na \u00e1gua e seus efeitos em animais aqu\u00e1ticos. Segundo a pesquisadora, o uso da&nbsp;nanoatrazina&nbsp;torna o herbicida menos t\u00f3xico pela quantidade menor utilizada, bem como pela prote\u00e7\u00e3o da nanoc\u00e1psula feita \u00e0 base de pol\u00edmero. A professora coordena o Laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Animal (LEFA), estudando biomarcadores para o monitoramento da qualidade de \u00e1guas e os impactos de diferentes tipos de contaminantes nos animais aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora, o uso de grandes quantidades de herbicidas causa problemas graves ao meio ambiente, com detec\u00e7\u00e3o de n\u00edveis elevados de atrazina na \u00e1gua de diversos ribeir\u00f5es da regi\u00e3o de Londrina. &#8220;Este herbicida promove diversos efeitos nos peixes, causando doen\u00e7as e comprometendo a sobreviv\u00eancia destes animais&#8221;, define a professora, sobre a import\u00e2ncia do estudo do nanoencapsulamento da&nbsp;atrazina.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso real&nbsp;&#8211; Depois dos estudos em casa de vegeta\u00e7\u00e3o, as&nbsp;nanopart\u00edculas&nbsp;com herbicida est\u00e3o sendo testadas no campo. De acordo com o professor Giliardi, por enquanto o estudo \u00e9 realizado em uma \u00e1rea pequena, recebendo doses comparativas da&nbsp;nanoatrazina&nbsp;e do herbicida convencional.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor, a tecnologia \u00e9 importante em um cen\u00e1rio de agricultores descapitalizados, plantas daninhas resistentes e altos custos para manuten\u00e7\u00e3o de lavouras em todas as regi\u00f5es produtivas. Ele diz que, diante disso, al\u00e9m da press\u00e3o do consumidor cada vez mais atento a m\u00e9todos sustent\u00e1veis, produtores e at\u00e9 a poderosa ind\u00fastria de herbicidas t\u00eam interesse em m\u00e9todos que conciliem efici\u00eancia com redu\u00e7\u00e3o de descarga de herbicidas no meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipe&nbsp;&#8211; Integram atualmente o projeto de pesquisa financiado pela Fapesp, al\u00e9m dos professores Cl\u00e1udia, Halley e Giliardi, os estudantes Mayra Santiago Ribeiro, La\u00eds Soares Medina e Maria Eduarda Tesser (do Laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Animal), Ana Cristina Preisler, Bruno Teixeira de Sousa, Isabela Silva Godoy, Beatriz Larissa de Souza, Lucas Mar\u00e7ola e Diego Genu\u00e1rio Gomes (do Laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Vegetal).<\/p>\n\n\n\n<p>Outros pesquisadores tamb\u00e9m tiveram participa\u00e7\u00e3o importante nos estudos com a&nbsp;nanoatrazina, como Laura Lui de Andrade (mestre egressa do Programa Multic\u00eantrico de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas), Gustavo Felipe Mill\u00e9o de Sousa (egresso do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Agronomia) e a professora Renata Stolf Moreira (Laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Vegetal).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estudo de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica rendeu publica\u00e7\u00e3o em revista de elevado impacto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mestranda do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Agronomia, Ana Cristina Preisler, orientanda do professor Halley de Oliveira, co-orientada pelo professor Giliardi Dalazen, publicou recentemente artigo cient\u00edfico sobre a pesquisa desenvolvida na UEL com&nbsp;nanotrazina&nbsp;na conceituada revista Pest Management Science, considerada uma refer\u00eancia na \u00e1rea agron\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo demonstrou o potencial da atrazina&nbsp;nanoencapsulada&nbsp;no controle do pic\u00e3o-preto em pr\u00e9-emerg\u00eancia. Segundo a pesquisa, a&nbsp;nanotrazina&nbsp;demonstrou efici\u00eancia utilizando quase 10 vezes menos herbicida. Tamb\u00e9m foi feito um teste com soja para avaliar se o uso da&nbsp;nanoatrazina&nbsp;causaria efeito residual nessa cultura. A pesquisadora explica que a escolha pela soja se deu porque ela \u00e9 cultivada em sucess\u00e3o com o milho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Cristina se formou em Agronomia no ano passado e trabalhou com a\u00a0nanoatrazina\u00a0durante a Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, com bolsa da UEL. Segundo o professor Giliardi, o aceite do artigo em uma revista conceituada demonstra o impacto do trabalho e a import\u00e2ncia da Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica para a forma\u00e7\u00e3o dos alunos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>UEL<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) conseguiram bons resultados no controle de plantas daninhas em experimentos em casa de vegeta\u00e7\u00e3o, reduzindo em 10 vezes a quantidade aplicada do herbicida atrazina, sem comprometer a sua efici\u00eancia. 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