{"id":20136,"date":"2019-09-26T10:58:49","date_gmt":"2019-09-26T13:58:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=20136"},"modified":"2019-09-26T10:58:52","modified_gmt":"2019-09-26T13:58:52","slug":"no-parana-suicidio-ja-mata-mais-policiais-do-que-confrontos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/09\/26\/no-parana-suicidio-ja-mata-mais-policiais-do-que-confrontos\/","title":{"rendered":"No Paran\u00e1, suic\u00eddio j\u00e1 mata mais policiais do que confrontos"},"content":{"rendered":"\n<p>O Paran\u00e1 conseguiu no \u00faltimo ano registrar uma importante redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de policiais civis e militares mortos em situa\u00e7\u00e3o de confronto (tanto em servi\u00e7o como fora dele). No ano passado, foram cinco mortes, o que aponta para uma redu\u00e7\u00e3o de 44,4% na compara\u00e7\u00e3o com 2017, quando nove policiais haviam sido mortos. A boa not\u00edcia, no entanto, termina a\u00ed. \u00c9 que se os policiais est\u00e3o morrendo menos em confronto, por outro lado o suic\u00eddio est\u00e1 em alta, ao ponto de hoje ser mais comum um policial se suicidar do que ser morto nas ruas.<br>Os dados, compilados do 13\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, revelam que, em 2018, 11 policiais deram cabo \u00e0s pr\u00f3prias vidas no Estado, um crescimento de 37,5% na compara\u00e7\u00e3o com 2017, quando haviam sido registrados oito suic\u00eddios. O estudo ainda indica que as taxas de suic\u00eddio por grupo de mil policiais da ativa \u00e9 bem maior no Estado do que no restante do pa\u00eds, ao passo que para as mortes em confronto a situa\u00e7\u00e3o se inverte. No Paran\u00e1, a taxa de suic\u00eddio \u00e9 de 0,4 e a de mortes em confronto, de 0,2. J\u00e1 no Brasil, a taxa de suic\u00eddio \u00e9 de 0,2 e a de mortes em confronto, de 0,6.<br>Presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paran\u00e1 (Sinclapol), Kamil Salmen relaciona o aumento nos casos de suic\u00eddio \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho com as quais se deparam os policiais. Dentre os problemas, ele aponta a falta de reajustes salariais, a falta de efetivo policial e a enorme demanda e press\u00e3o sobre os agentes.<br>\u201cTemos a melhor pol\u00edcia (do Brasil), mas estamos sozinhos\u201d, desabafa Salmen. \u201cTem as vezes um cara mal humorado, discute com a esposa, filho, \u00e9 violento nas palavras&#8230; Ele n\u00e3o tem prazer na vida. Ele est\u00e1 perto do \u00e1lcool, da droga. Est\u00e1vamos doentes h\u00e1 10 anos, agora j\u00e1 estamos sofrendo de psicopatias. O problema \u00e9 muito grande\u201d, diz, referindo-se aos problemas psicol\u00f3gicos que envolvem categorias expostas a grande tens\u00e3o diariamente.<br>J\u00e1 o coronel Altair Mariot, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos Inativos e Pensionistas (AMAI), demonstra espanto com as estat\u00edsticas. \u201c\u00c9 assustador que esteja morrendo mais policiais em situa\u00e7\u00e3o de suic\u00eddio do que na rua, trabalhando\u201d, diz.<br>Ainda segundo o coronel, o principal problema \u00e9 o estresse de trabalho. \u201cA atividade \u00e9 estressante, e hoje os policiais est\u00e3o ligados nas m\u00eddias sociais, na rede, v\u00e3o vendo um quadro bastante dif\u00edcil em n\u00edvel de Brasil e alguns companheiros internalizam essa situa\u00e7\u00e3o.Tamb\u00e9m tem problemas familiares, financeiros, e tudo vai somando at\u00e9 a pessoa se sentir perdida, acuada. Se n\u00e3o houver internamento na hora, leva ao suic\u00eddio. Mas o estresse \u00e9 o mais complicado\u201d, finaliza.<br><br><br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esgotados mentalmente, no limite<\/strong><br>Apesar do aumento dos casos de suic\u00eddio entre policiais j\u00e1 serem mais frequentes do que as mortes em confronto, a delegada-titular do Grupo Auxiliar de Recursos Humanos da Pol\u00edcia Civil, Luciana Novaes, aponta que a situa\u00e7\u00e3o dentro da corpora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alarmante. Segundo ela, o fato de o n\u00famero de suic\u00eddios entre policiais civis ter aumentado de dois para tr\u00eas casos no \u00faltimo ano indica estabilidade, e n\u00e3o um aumento das ocorr\u00eancias.<br>\u201cOs fatores (relacionados aos casos de depress\u00e3o e suic\u00eddio entre policiais) n\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos, porque a vida do policial engloba tamb\u00e9m aspectos pessoais como situa\u00e7\u00e3o financeira, aspecto social em que est\u00e1 inserido, situa\u00e7\u00e3o familiar e rela\u00e7\u00e3o com o trabalho e o que espera de sua carreira profissional\u201d, afirma a delegada. \u201cUm caso a mais n\u00e3o pode ser considerado um aumento, mas um indicador de estabilidade\u201d, complementa.<br>A opini\u00e3o do presidente do Sinclapol, por\u00e9m, \u00e9 completamente diferente. \u201cHoje em dia o policial j\u00e1 est\u00e1 se matando e vai aumentar isso, porque n\u00e3o tem para quem reclamar, n\u00e3o tem o que fazer\u201d, afirma Kamil Salmen. \u201cEu, que coordeno investigadores, escriv\u00e3es e papiloscopistas, posso falar da base da pol\u00edcia. Estamos esgotados mentalmente, muito doentes e precisamos urgente ser tratados e respeitados. A criminalidade est\u00e1 cada vez mais profissional e a \u00fanica coisa que temos \u00e9 o amor pela institui\u00e7\u00e3o e a vontade de ajudar a sociedade\u201d, emenda.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Amai pede a contrata\u00e7\u00e3o de mais psic\u00f3logos e neurologistas<\/strong><br>O coronel Altair Mariot, presidente da Amai, revela ainda que a situa\u00e7\u00e3o, de t\u00e3o preocupante, fez parte da primeira medida de sua gest\u00e3o \u00e0 frente da Associa\u00e7\u00e3o. Assim que assumiu, em maio deste ano, ele conta que a primeira medida foi pedir o refor\u00e7o da retaguarda dos PMs paranaenses. A expectativa, revela ele, \u00e9 que sejam contratados cerca de oito neurologistas e 40 psic\u00f3logos para atender os policiais diariamente. \u201cCom essas contrata\u00e7\u00f5es, vamos atender melhor nossa tropa e tende a diminuir esse n\u00famero (de suic\u00eddios), que \u00e9 gritante\u201d, afirma o coronel. \u201cQueremos montar os gabinetes de atendimento psicossociais nos grandes comandos do Paran\u00e1 inteiro. Hoje os casos mais graves vem para Curitiba, onde fica nosso servi\u00e7o social, mas o estado \u00e9 grande. Tem de levar tamb\u00e9m para cidades do interior (o servi\u00e7o) ou que pelo menos fique mais pr\u00f3ximo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do Anu\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>Policiais civis e militares mortos em confronto (em servi\u00e7o e fora dele)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<table class=\"wp-block-table\"><tbody><tr><td>Ano do dado<\/td><td>N\u00ba absoluto de ocorr\u00eancias (taxa por grupo de 1.000 policiais)<\/td><\/tr><tr><td>Brasil<\/td><\/tr><tr><td>2018<\/td><td><strong>&nbsp;343 (0,6)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>2017<\/td><td><strong>&nbsp;373 (0,7)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Paran\u00e1<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>2018<\/td><td><strong>&nbsp;5 (0,2)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>2017<\/td><td><strong>&nbsp;9 (0,3)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Suic\u00eddio de Policiais da Ativa<\/td><\/tr><tr><td>Brasil<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>2018<\/td><td><strong>&nbsp;104 (0,2)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>2017<\/td><td><strong>&nbsp;73 (0,1)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Paran\u00e1<\/td><\/tr><tr><td>2018<\/td><td><strong>&nbsp;11 (0,4)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>2017<\/td><td><strong>&nbsp;8 (0,3)<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table>\n\n\n\n<p>G1PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Paran\u00e1 conseguiu no \u00faltimo ano registrar uma importante redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de policiais civis e militares mortos em situa\u00e7\u00e3o de confronto (tanto em servi\u00e7o como fora dele). No ano passado, foram cinco mortes, o que aponta para uma redu\u00e7\u00e3o de 44,4% na compara\u00e7\u00e3o com 2017, quando nove policiais haviam sido mortos. 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