{"id":20044,"date":"2019-09-25T11:44:32","date_gmt":"2019-09-25T14:44:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=20044"},"modified":"2019-09-25T11:44:34","modified_gmt":"2019-09-25T14:44:34","slug":"pena-que-voce-nao-conseguiu-se-matar-como-a-internet-uniu-vitimas-de-abuso-de-maes-narcisistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/09\/25\/pena-que-voce-nao-conseguiu-se-matar-como-a-internet-uniu-vitimas-de-abuso-de-maes-narcisistas\/","title":{"rendered":"\u2018Pena que voc\u00ea n\u00e3o conseguiu se matar\u2019: como a internet uniu v\u00edtimas de abuso de m\u00e3es narcisistas"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rias de pessoas que sofreram com o abuso materno<\/h4>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea come\u00e7a a se identificar em alguma situa\u00e7\u00e3o, procure ajuda. N\u00e3o deixe que isso se torne um tema central da vida, porque h\u00e1 o risco de querer se encaixar em todas as situa\u00e7\u00f5es e atrair todos os outros problemas para validar\u201d, alerta o psicanalista Christian Dunker.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fui para a minha primeira entrevista de emprego com a camisa toda suja de sangue ap\u00f3s levar uma surra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla me acusava de querer ser amante do meu pr\u00f3prio pai.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeu uma risada e disse: \u2018pena que voc\u00ea n\u00e3o conseguiu se matar\u2026&#8217;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Karina*, Julia* e Larissa* levaram d\u00e9cadas para conseguir contar suas hist\u00f3rias. Quando tentavam, ningu\u00e9m acreditava: \u201cingratas\u201d, \u201cdesnaturadas\u201d, \u201cmal agradecidas\u201d eram algumas das cr\u00edticas que elas ouviram ao falar dos abusos que sofreram das m\u00e3os das pr\u00f3prias m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a internet, por\u00e9m, elas conseguiram. Num fen\u00f4meno recente nas redes sociais brasileiras, fazem parte de grupos, comunidades, canais no YouTube e at\u00e9 podcast que abordam as hist\u00f3rias de pessoas que sofreram com o abuso materno: de espancamentos e tortura psicol\u00f3gica \u00e0 falta de cuidados b\u00e1sicos com a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">C\u00e1rcere privado<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando era crian\u00e7a, Karina sempre tinha um pedido quando os parentes ou amigos de seus pais iam visit\u00e1-los: \u201cme leva pra sua casa?\u201d Hoje com 53 anos, a jornalista lembra que fazia de tudo para n\u00e3o ter de ficar no mesmo ambiente em que a m\u00e3e. \u201cEu detestava f\u00e9rias e fim de semana porque significavam espancamentos. Eu era o saco de pancada\u201d. Ao conseguir a primeira entrevista de emprego, j\u00e1 aos 20 anos, ela conta que a m\u00e3e entrou no banheiro onde ela estava e a espancou com um cinto, at\u00e9 sangrar. Para n\u00e3o se atrasar, foi com a roupa suja de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, ap\u00f3s um per\u00edodo de afastamento, Karina precisou voltar \u00e0 casa da fam\u00edlia. Havia feito um mau neg\u00f3cio na venda de um apartamento e passou a viver praticamente, diz, em c\u00e1rcere privado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o com minha m\u00e3e deveria ter sido primeiro amor. Viemos ao mundo com essa expectativa, mas quando \u00e9 estabelecida uma rela\u00e7\u00e3o t\u00f3xica, isso muda toda a sua vida. Eu poderia ganhar o Nobel que ainda n\u00e3o seria suficiente para ela\u201d. Karina precisou recome\u00e7ar a vida em outra cidade, o Rio de Janeiro, para cortar qualquer contato com a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista participa de algumas das p\u00e1ginas nas redes sociais que tratam do abuso materno e que se referem especificamente ao conceito de \u201cm\u00e3es narcisistas\u201d, relacionado ao Transtorno de Personalidade Narcisista. Parte de uma \u00e1rea relativamente nova na comunidade m\u00e9dica, ele \u00e9 identificado pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria como uma necessidade patol\u00f3gica \u201cpor admira\u00e7\u00e3o e falta de empatia pelo outros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), pessoas com esse problema tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem lidar com qualquer coisa que seja percebida como cr\u00edtica, se tornam impacientes ou violentas quando n\u00e3o recebem tratamento especial, tentam diminuir outras pessoas para se sentir superior e tiram vantagem dos outros para conseguir o que querem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso espec\u00edfico das m\u00e3es que vivenciaram a gravidez, a separa\u00e7\u00e3o com o beb\u00ea, \u00e0 medida que ele vai crescendo, \u00e9 sempre dif\u00edcil. Mas, quando se tem esse transtorno, isso vai virando raiva, \u00f3dio. Elas querem os filhos como imagens de si, eles n\u00e3o podem ter autonomia, ser independentes, viver a pr\u00f3pria vida. Isso leva a um crescimento muito dificil e deixa um rastro de pessoas inseguras, que n\u00e3o se abrem, com dificuldade de enfrentar a vida\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em apenas uma das p\u00e1ginas sobre o tema, \u201cNarcisismo Materno\u201d, no Facebook em portugu\u00eas, h\u00e1 mais de 60 mil perfis que acompanham o conte\u00fado. Um post traz uma imagem com a frase \u201cAs coisas n\u00e3o est\u00e3o ficando piores. As coisas est\u00e3o sendo expostas\u201d: \u201c\u00c9 triste mas ao mesmo tempo \u00e9 libertador quando vc descobre que o problema nunca foi voc\u00ea e sim ela\u201d, comenta uma participante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6 caracter\u00edsticas de m\u00e3es narcisistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Intransig\u00eancia<\/li><li>N\u00e3o ouvir os outros<\/li><li>Rea\u00e7\u00e3o extremada a cr\u00edticas<\/li><li>Carinhosa na frente dos outros \u2014 fria a s\u00f3s<\/li><li>Expectativa de reconhecimento<\/li><li>Abusos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>No YouTube, um v\u00eddeo publicado h\u00e1 um ano acumula mais de 127 mil visualiza\u00e7\u00f5es. Uma psic\u00f3loga fala como identificar uma \u201cm\u00e3e narcisista\u201d : \u201cN\u00e3o tem empatia, vai responsabilizar voc\u00ea pelos problemas, \u00e9 sempre dona da verdade. S\u00f3 vai te tratar bem se precisar alguma coisa\u201d, ilustra a um p\u00fablico que entra numa esp\u00e9cie de como\u00e7\u00e3o coletiva ao encontrar esses sinais nas pr\u00f3prias m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias de pessoas que sofreram com o abuso materno Se voc\u00ea come\u00e7a a se identificar em alguma situa\u00e7\u00e3o, procure ajuda. 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