{"id":19785,"date":"2019-09-23T08:31:36","date_gmt":"2019-09-23T11:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=19785"},"modified":"2019-09-23T08:31:38","modified_gmt":"2019-09-23T11:31:38","slug":"essa-menina-menstruou-foi-humilhada-e-cometeu-suicidio-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/09\/23\/essa-menina-menstruou-foi-humilhada-e-cometeu-suicidio-por-que\/","title":{"rendered":"Essa menina menstruou, foi humilhada e cometeu suic\u00eddio. Por qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante o\u00a0Setembro Amarelo, m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, \u00e9 complicado ver casos que, infelizmente, mostram que o buraco \u00e9 muito mais embaixo. Na \u00faltima semana, uma aluna queniana de 14 anos tirou a pr\u00f3pria vida depois de ter sido humilhada na escola por causa da sua menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a m\u00eddia internacional, Jackeline Chepngeno foi ridicularizada pela professora da escola prim\u00e1ria Kabiangek ap\u00f3s passar pela menarca, a primeira menstrua\u00e7\u00e3o, durante a aula e manchar o pr\u00f3prio uniforme.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e da menina, Beatrice Koech, disse que a filha foi chamada de &#8220;suja&#8221; por conta das manchas no uniforme. &#8220;Ela n\u00e3o tinha nada para usar como absorvente&#8221;, explicou ao Daily Nation, &#8220;Quando o sangue manchou as suas roupas, disseram a ela para sair da sala e ficar l\u00e1 fora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso est\u00e1 sendo investigado mais a fundo pelas autoridades locais, e a escola ficou fechada depois que os pais dos alunos protestaram em frente \u00e0 institui\u00e7\u00e3o exigindo explica\u00e7\u00f5es sobre o comportamento da professora e o acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 11, a parlamentar Esther M. Passaris postou no seu perfil no Twitter uma foto com outras deputadas do Qu\u00eania, repudiando o caso. O pa\u00eds conta com uma lei, aprovada em 2017, que determina a distribui\u00e7\u00e3o gratuita de absorventes nas escolas, mas o projeto ainda est\u00e1 em implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A quest\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o na \u00c1frica<\/h3>\n\n\n\n<p>A educa\u00e7\u00e3o sexual na \u00c1frica \u00e9 uma quest\u00e3o, inclusive, tratada a fundo por a\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas. No continente, \u00e9 muito comum as meninas deixaram de ir a escola por causa da menstrua\u00e7\u00e3o &#8211; o que afeta, em muito, a sua educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a UNESCO, 131 milh\u00f5es de meninas est\u00e3o fora das escolas, sendo 100 mil delas em idade adolescente. O motivo que as deixa fora das aulas, muitas vezes, t\u00eam sim a ver com o per\u00edodo menstrual, tanto porque essas garotas n\u00e3o t\u00eam acesso aos itens de higiene b\u00e1sicos (como absorventes, mesmo que descart\u00e1veis), quanto s\u00e3o muito estigmatizadas e diminu\u00eddas durante a \u00e9poca menstrual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros casos, a falta de educa\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 a menstrua\u00e7\u00e3o, como ela acontece e como cuidar desse ciclo natural do corpo feminino gera sensa\u00e7\u00f5es de medo e desconforto que afastam essas mulheres em forma\u00e7\u00e3o do c\u00edrculo social de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A menstrua\u00e7\u00e3o, ainda hoje, \u00e9 vista como tabu, infelizmente. Muitas mulheres t\u00eam vergonha de estarem menstruadas. Isso \u00e9 visto desde a adolesc\u00eancia, quando a menina fica constrangida de &#8216;sujar&#8217; a roupa, como se fosse um &#8216;nojo&#8217;, o que \u00e9 natural. Parece que o sangramento menstrual, apesar de ser normal, como urinar e evacuar, n\u00e3o \u00e9 considerado fisiol\u00f3gico, o que \u00e9 um absurdo&#8221;, explica a ginecologista Marcia Louzada Leroux.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, inclusive, refor\u00e7a as pesquisas da UNICEF sobre o assunto no continente africano &#8211; apesar desse estigma n\u00e3o estar restrito apenas a ele. A institui\u00e7\u00e3o relata que uma em cada 10 meninas na \u00c1frica deixa de frequentar a escola por causa da menstrua\u00e7\u00e3o &#8211; estima-se que elas perdem entre 10 e 20% das aulas por causa disso.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de acesso tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o. Em pa\u00edses como o Malawi, um pacote de absorvente tem o mesmo valor que um dia de sal\u00e1rio. No pr\u00f3prio Qu\u00eania, dois ter\u00e7os das mulheres e meninas n\u00e3o t\u00eam o suficiente para comprar esses produtos. Ou seja, al\u00e9m de um problema educa\u00e7\u00e3o, essa tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica e acesso \u00e0 itens b\u00e1sicos e que deveriam disponibilizados a todos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Menarca: o momento de transi\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo a ginecologista Yara Leit\u00e3o, do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (CEPEM), a primeira menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento importante na vida de uma mulher. Fisicamente, &#8220;\u00c9 o resultado de uma atividade ovariana, caracterizado pela produ\u00e7\u00e3o de estrog\u00eanio e progesterona&#8221;, explica ela. Esses horm\u00f4nios causam mudan\u00e7as corporais como o aparecimento e o desenvolvimento das mamas, dos pelos pubianos, o in\u00edcio da libido e a possibilidade de ovular e engravidar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Normalmente, usa-se a premissa de &#8216;virar mulher&#8217; porque \u00e9 a partir da primeira menstrua\u00e7\u00e3o que a menina vai adquirindo o corpo compat\u00edvel com o sexo gen\u00e9tico&#8221;, explica Yara.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Yahoo<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o\u00a0Setembro Amarelo, m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, \u00e9 complicado ver casos que, infelizmente, mostram que o buraco \u00e9 muito mais embaixo. Na \u00faltima semana, uma aluna queniana de 14 anos tirou a pr\u00f3pria vida depois de ter sido humilhada na escola por causa da sua menstrua\u00e7\u00e3o. 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