{"id":19342,"date":"2019-09-11T12:34:12","date_gmt":"2019-09-11T15:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=19342"},"modified":"2019-09-11T12:34:21","modified_gmt":"2019-09-11T15:34:21","slug":"pai-narra-a-morte-do-filho-e-deixa-licao-sobre-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/09\/11\/pai-narra-a-morte-do-filho-e-deixa-licao-sobre-o-tempo\/","title":{"rendered":"Pai narra a morte do filho e deixa li\u00e7\u00e3o sobre o tempo"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Espero que a partir desta trag\u00e9dia voc\u00ea considere como prioriza seu pr\u00f3prio tempo&#8221;, disse o empres\u00e1rio<\/h4>\n\n\n\n<p>O norte-americano J.R. Storment, de Portland, nos Estados Unidos, compartilhou em seu perfil na rede social\u00a0Linked In\u00a0o relato sobre como ficou sabendo da morte de seu filho. Considerado\u00a0workaholic\u00a0(viciado em trabalho), J.R. compartilhou sua perda e deixou uma li\u00e7\u00e3o para ser tirada da situa\u00e7\u00e3o: passar mais tempo com quem voc\u00ea ama.<\/p>\n\n\n\n<p>Wiley, de apenas 8 anos, morreu de forma inesperada enquanto seu pai estava em uma sala de reuni\u00e3o. A fam\u00edlia, originalmente composta por quatro integrantes, aprende agora a lidar com a falta deixada pelo pequeno.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 mais tarde do que voc\u00ea pensa<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Oito anos atr\u00e1s, nesse mesmo m\u00eas, eu me tornei pai de g\u00eameos e co-fundei minha empresa, Cloudability. H\u00e1 cerca de tr\u00eas meses, a Cloudability foi vendida. H\u00e1 cerca de tr\u00eas semanas, perdemos um de nossos meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando recebi a liga\u00e7\u00e3o, estava sentado em uma sala de confer\u00eancias com 12 pessoas em nosso escrit\u00f3rio em Portland, falando sobre pol\u00edticas de banco de horas para funcion\u00e1rios. Minutos antes, tinha admitido ao grupo que, nos \u00faltimos 8 anos, n\u00e3o havia tirado mais do que uma semana de f\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha esposa e eu concordamos que, quando um de n\u00f3s liga, o outro responde. Ent\u00e3o, quando o telefone tocou, me levantei e caminhei at\u00e9 a porta da sala de confer\u00eancias imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu ainda estava saindo pela porta quando respondi com &#8216;Ei, o que foi?&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua resposta foi gelada e imediata: &#8216;JR, Wiley est\u00e1 morto&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;O qu\u00ea?&#8217;, eu respondi incr\u00e9dulo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Wiley morreu&#8217;, ela respondeu. &#8216;O que?! N\u00e3o&#8217;, eu gritei.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Sinto muito, tenho que ligar para o 911.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi toda a conversa. A pr\u00f3xima coisa que eu me lembro \u00e9 de sair voando para a porta do escrit\u00f3rio com as chaves do carro na m\u00e3o, correndo ferozmente pela rua gritando &#8216;Merda! Merda!&#8217;. Na metade do caminho eu percebi que eu n\u00e3o tinha o controle da porta da garagem. Correndo de volta para o sagu\u00e3o eu gritei &#8216;Algu\u00e9m me leva! Algu\u00e9m me leva!&#8217;. Felizmente, um colega me ajudou.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei em casa doze minutos depois. A rua em que moramos estava cheia de ve\u00edculos de emerg\u00eancia. Eu corri para a nossa porta, que estava aberta, e fui direto para o quarto que os meninos dividiam. Meia d\u00fazia de policiais parou na minha frente, bloqueando o caminho. Quando uma crian\u00e7a morre repentinamente, aquilo se torna cena de um poss\u00edvel crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram duas horas e meia dolorosas antes que eu pudesse ver meu garoto. Depois de uma hora de espera, em choque, disse aos policiais armados vigiando a porta que n\u00e3o podia esperar mais. Eles me permitiram espiar pela janela de vidro. Ele estava deitado em sua cama, com as cobertas ordenadas. Parecia que estava dormindo pacificamente. Coloquei as m\u00e3os na janela e chorei.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o m\u00e9dico legista finalmente terminou seu trabalho, fomos autorizados a entrar na sala. Uma calma estranha tomou conta de mim. Deitei ao lado dele, na cama que ele amava, segurei sua m\u00e3o e fiquei repetindo: &#8216;O que aconteceu, amig\u00e3o? O que aconteceu?&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficamos ao lado dele por cerca de trinta minutos acariciando seus cabelos, antes que voltassem com uma maca para o levar embora. Fui com ele, segurando sua m\u00e3o e sua testa, enquanto desc\u00edamos pela garagem. Ent\u00e3o, todos os carros foram embora. O \u00faltimo a sair foi a minivan preta com Wiley.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas duas semanas eu tenho pensado em v\u00e1rias coisas das quais me arrependo. Elas tendem a ficar em duas categorias: coisas que eu faria diferente e coisas que me deixam triste por n\u00e3o ter visto ele fazendo. Minha esposa me lembra constantemente de todas as coisas que ele fez: Wiley foi para dez pa\u00edses, dirigiu um carro em uma estrada no Hava\u00ed, escalou na Gr\u00e9cia, mergulhou em Fiji, usava terno para uma fant\u00e1stica escola preparat\u00f3ria brit\u00e2nica todos os dias, foi resgatado de um tubar\u00e3o em um jet ski, ficou bom o suficiente no xadrez para me bater duas vezes seguidas, escreveu contos e desenhou quadrinhos obsessivamente. E, ent\u00e3o, ele morreu em sua cama durante a noite.<\/p>\n\n\n\n<p>A noite anterior foi normal. Wiley estava saud\u00e1vel e comprometido. Recebemos amigos com crian\u00e7as no jantar. Todos n\u00f3s pulamos no trampolim gigante que havia sido a primeira aquisi\u00e7\u00e3o da casa para a qual mudamos h\u00e1 algumas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela noite, Wiley foi mand\u00e3o com as outras crian\u00e7as (al\u00e9m de sua m\u00e3e, ele era uma das pessoas mais opinativas que eu conhe\u00e7o) e come\u00e7ou a dizer a todos que estavam jogando errado. Eu o puxei para o lado. Eu era severo com ele. Severo demais, lembrando agora. E eu o fiz chorar. \u00c9 uma das \u00faltimas intera\u00e7\u00f5es que tivemos e me machuca pensar nisso. Ainda vejo as l\u00e1grimas escorrendo pelo rosto e os protestos de &#8216;Mas voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 me ouvindo. Ningu\u00e9m me escuta&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas horas depois, as coisas se acalmaram. Wiley comeu sua refei\u00e7\u00e3o favorita. Ent\u00e3o, colocamos as crian\u00e7as na cama. Eu tive um momento muito doce com Wiley na hora de dormir e pedi desculpas por faz\u00ea-lo chorar. Demos um abra\u00e7o e eu fui para a cama. Cerca de quinze minutos depois, eu estava deitado na cama e, no quarto escuro, o vi subindo as escadas para o nosso quarto: &#8216;Papai, eu n\u00e3o consigo dormir&#8217;. Havia m\u00fasica alta tocando em uma festa na casa de um vizinho e isso o mantinha acordado. Eu o acompanhei de volta ao seu quarto e fechei todas as janelas. Ele disse que estava melhor. Tivemos outro momento doce. Ent\u00e3o, fui para a cama.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta das 5h40 da manh\u00e3 seguinte, acordei para uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es. Andei de bicicleta, fiz uma liga\u00e7\u00e3o com a analista do meu escrit\u00f3rio em casa, uma com um colega no caminho para o trabalho e depois no escrit\u00f3rio. Ningu\u00e9m parece t\u00e3o importante agora. Sa\u00ed naquela manh\u00e3 sem me despedir ou olhar os meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, Wiley foi diagnosticado com uma forma leve de\u00a0epilepsia\u00a0chamada Epilepsia Rol\u00e2ndica, que \u00e9 mais comum em meninos entre 8 e 13 anos. Normalmente , ela se resolve sozinha na adolesc\u00eancia. Em Wiley, era leve: s\u00f3 vimos uma \u00fanica convuls\u00e3o confirmada. Isso aconteceu cerca de 9 meses atr\u00e1s. Todos os pediatras e neurologistas com quem discutimos sua condi\u00e7\u00e3o disseram que havia pouco com o que se preocupar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a conclus\u00e3o sobre a causa da morte foi Morte S\u00fabita Inexplic\u00e1vel de Epilepsia. Geralmente, ela \u00e9 vista como imprevis\u00edvel, inevit\u00e1vel e irrevers\u00edvel quando \u00e9 iniciada. Pode estar ligada a uma convuls\u00e3o, mas, muitas vezes, o c\u00e9rebro simplesmente desliga.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos perguntaram o que podem fazer para ajudar. Abrace seus filhos. N\u00e3o trabalhe at\u00e9 muito tarde. Quando n\u00e3o tiver mais tempo, voc\u00ea vai se arrepender de muitas das coisas para as quais voc\u00ea provavelmente est\u00e1 se dedicando. Voc\u00ea tem agendado regularmente um tempo com seus filhos? Se h\u00e1 alguma li\u00e7\u00e3o a tirar disso, \u00e9 para lembrar aos outros (e a mim) a n\u00e3o perder as coisas que importam.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto eu escrevia este post, meu filho vivo, Oliver, veio pedir pra ver TV. Em vez de dizer o habitual &#8216;n\u00e3o&#8217;, parei de escrever e perguntei se poderia brincar com ele. Ele ficou surpreso com a minha resposta e nos conectamos de uma maneira que antes eu teria perdido.&nbsp;<strong>Pequenas coisas importam<\/strong><strong>.<\/strong>&nbsp;Um aspecto importante dessa trag\u00e9dia \u00e9 a melhora no relacionamento que tenho com ele. Nossa fam\u00edlia deixou de ter duas unidades de dois (os pais e os g\u00eameos) e passou a ser um tri\u00e2ngulo de tr\u00eas. Esse \u00e9 um grande ajuste para uma fam\u00edlia que sempre teve quatro cantos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como minha esposa escreveu: &#8216;Por favor, pergunte-nos sobre a vida e a morte de nosso filho. N\u00f3s nos curamos em pequenos peda\u00e7os enquanto conversamos sobre isso&#8217;. Dessas cinzas, surgiram muitas conex\u00f5es novas e restauradas. Espero que a partir desta trag\u00e9dia voc\u00ea considere como prioriza seu pr\u00f3prio tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 Epilepsia?<\/h2>\n\n\n\n<p>A\u00a0epilepsia\u00a0\u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e revers\u00edvel do funcionamento do c\u00e9rebro, que n\u00e3o tenha sido causada por febre, drogas ou dist\u00farbios metab\u00f3licos e se expressa por crises epil\u00e9pticas repetidas. A causa pode ser uma les\u00e3o no c\u00e9rebro, decorrente de uma forte pancada na cabe\u00e7a, uma infec\u00e7\u00e3o (meningite, por exemplo), neurocisticercose (&#8220;ovos de solit\u00e1ria&#8221; no c\u00e9rebro), abuso de bebidas alco\u00f3licas, de drogas etc. \u00c0s vezes, algo que ocorreu antes ou durante o parto. Muitas vezes n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conhecer as causas que deram origem \u00e0 epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como lidar com o luto?<\/h2>\n\n\n\n<p>A perda de uma pessoa pr\u00f3xima traz um grande vazio em nossas vidas. O\u00a0luto, sentimento de grande ang\u00fastia, deve ser vivido e lidado com carinho e aten\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma etapa que precisamos encarar, compreender, vivenciar para continuarmos vivendo de forma equilibrada e saud\u00e1vel. Assim nestas situa\u00e7\u00f5es talvez tudo que nos caiba seja de fato um bom abra\u00e7o, uma oferta de colo, de ajuda com quest\u00f5es burocr\u00e1ticas ou mesmo a nossa presen\u00e7a ao lado. Mostrando que a tristeza atinge a todos, mas que est\u00e3o ali unidos para chorarem e se ajudarem nesta fase dif\u00edcil de vida&#8221; explica a psic\u00f3loga Raquel Baldo.<\/p>\n\n\n\n<p>MinhaVida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Espero que a partir desta trag\u00e9dia voc\u00ea considere como prioriza seu pr\u00f3prio tempo&#8221;, disse o empres\u00e1rio O norte-americano J.R. Storment, de Portland, nos Estados Unidos, compartilhou em seu perfil na rede social\u00a0Linked In\u00a0o relato sobre como ficou sabendo da morte de seu filho. 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