{"id":18728,"date":"2019-09-02T15:10:32","date_gmt":"2019-09-02T18:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=18728"},"modified":"2019-09-02T15:10:33","modified_gmt":"2019-09-02T18:10:33","slug":"perdemos-o-medo-das-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-e-isso-esta-nos-deixando-doentes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/09\/02\/perdemos-o-medo-das-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-e-isso-esta-nos-deixando-doentes-2\/","title":{"rendered":"&#8220;Perdemos o medo das Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis e isso est\u00e1 nos deixando doentes&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sexo sem camisinha tem levado as IST\u00b4s a n\u00edveis epid\u00eamicos. Especialistas comentam os motivos para esse comportamento<\/h4>\n\n\n\n<p>Em um s\u00e1bado de pr\u00e9 carnaval, um jovem se posiciona na fila do caixa do mercado e come\u00e7a a ler um pacote de\u00a0camisinha\u00a0que estava na g\u00f4ndola ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que chega sua vez de passar as compras, fica indeciso e solta o preservativo em cima da esteira. A atendente pergunta se ele vai levar. Ele responde em tom de brincadeira: &#8220;Vish, vai ficar pesado para carregar essas camisinhas&#8221;. Em seguida, ele paga os produtos e vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim da tarde, uma situa\u00e7\u00e3o parecida. Um senhor por volta de 55 anos vai \u00e0 farm\u00e1cia e, depois de pegar o creme de barbear, segura nas m\u00e3os um pacote de camisinha. Da se\u00e7\u00e3o ao lado, tento observar se ele vai levar o preservativo. Ap\u00f3s alguns segundos, ele larga o pacote e se de dirige ao caixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas situa\u00e7\u00f5es foram vivenciadas pela rep\u00f3rter que escreve essa mat\u00e9ria e mostram, de forma isolada, dois momentos em que n\u00e3o houve interesse pelo uso da camisinha. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se os dois personagens em quest\u00e3o costumam se expor a um comportamento de risco em suas rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas infelizmente, dados v\u00eam mostrando que a camisinha n\u00e3o est\u00e1 no item de prioridades dos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostra que 6 em cada 10 jovens j\u00e1 deixaram de usar camisinha nas suas rela\u00e7\u00f5es. Entre a popula\u00e7\u00e3o adulta, as estat\u00edsticas tamb\u00e9m s\u00e3o preocupantes. Cerca de 52% dos brasileiros afirma que nunca ou raramente usa camisinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O ginecologista Jos\u00e9 Eleut\u00e9rio Junior, presidente da comiss\u00e3o de Doen\u00e7as Infecto-Contagiosas da Febrasgo, explica que apesar de a camisinha ser um m\u00e9todo que ajuda a prevenir a maioria das infec\u00e7\u00f5es transmitidas sexualmente (IST), a sociedade de uma maneira geral n\u00e3o est\u00e1 adequadamente consciente disto e tem negligenciado seu uso.<\/p>\n\n\n\n<p>Inversamente proporcional \u00e0 nossa baixa ades\u00e3o ao uso da camisinha est\u00e1 nosso interesse em conhecer pessoas e, potencialmente, nos envolvermos sexualmente com elas. Um exemplo disso \u00e9 que o Brasil \u00e9 o 2\u00ba pa\u00eds onde que mais faz sexo no mundo, de acordo com uma pesquisa feita pela fabricante de camisinha Durex.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">ISTs<\/h2>\n\n\n\n<p>Transar sem camisinha exp\u00f5e o corpo ao risco de contamina\u00e7\u00e3o por Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis, nome dado a condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade causadas por v\u00edrus, bact\u00e9rias, fungos ou outros microorganismos que podem ser transmitidas pelo contato genital (p\u00eanis ou vagina), oral ou anal com pessoas que estejam contaminadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Departamento de Vigil\u00e2ncia Preven\u00e7\u00e3o e Controle das IST, do HIV\/AIDS e Hepatites Virais passou a usar a nomenclatura IST no lugar de DST. O motivo \u00e9 que a denomina\u00e7\u00e3o &#8220;D&#8221; de DST deriva de doen\u00e7a, o que, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, implica em sintomas e sinais vis\u00edveis no organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as infec\u00e7\u00f5es podem ter per\u00edodos sem a manifesta\u00e7\u00e3o de sintomas, como a\u00a0s\u00edfilis\u00a0e a herpes genital, e algumas at\u00e9 se mant\u00e9m assintom\u00e1ticas durante toda a vida da pessoa, como o\u00a0HPV\u00a0e o v\u00edrus da herpes, em alguns casos detect\u00e1veis somente por exames laboratoriais. O termo IST tamb\u00e9m \u00e9 comumente utilizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade. Portanto vamos falar IST&#8217;s daqui pra frente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Epidemia do sexo desprotegido<\/h2>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es sem camisinha, infec\u00e7\u00f5es que antes n\u00e3o apresentavam perigo \u00e0 sociedade hoje s\u00e3o consideradas epidemias. \u00c9 o caso da s\u00edfilis, que desde 2011 vem crescendo no Brasil. No ano de 2010 haviam sido registrados 1249 casos de S\u00edfilis. Em 2015, esse n\u00famero saltou para 65.878, um aumento de mais de 5.000%, e chegou em 87.593 casos em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00edfilis \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o causada pela bact\u00e9ria Treponema pallidum, geralmente \u00e9 transmitida via contato sexual e entra no corpo por meio de pequenos cortes presentes na pele ou por membranas mucosas. O tratamento \u00e9 feito a partir da penicilina.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os anos 1990 e 2000, o uso da camisinha era maior entre a popula\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, o acesso \u00e0 penicilina era simples e de baixo custo. Isso fez com que houvesse uma redu\u00e7\u00e3o nos casos de s\u00edfilis. Mas foi justamente por ter um tratamento simples e por ningu\u00e9m acreditar que seria poss\u00edvel que a s\u00edfilis se tornasse uma amea\u00e7a que as pessoas pararam de se preocupar com ela<\/p>\n\n\n\n<p>Outra IST que vem preocupando autoridades de sa\u00fade do Brasil e do mundo \u00e9 a\u00a0gonorreia, uma doen\u00e7a causada pela bact\u00e9ria Neisseria gonorrhoeae, tamb\u00e9m conhecida como gonococo. Em julho de 2017 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) lan\u00e7ou um alerta para o fato de que a gonorreia est\u00e1 se tornando cada vez mais dif\u00edcil de tratar. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o, em algumas situa\u00e7\u00f5es a cura para a doen\u00e7a foi considerada imposs\u00edvel, pois vem adquirindo resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a gonorreia ainda n\u00e3o pode ser considerada como super-resistente. Mas \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o, uma vez que por ano s\u00e3o registrados em torno de 500 mil casos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Um levantamento feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostra que 54,6% da popula\u00e7\u00e3o entre 16 e 25 anos tem HPV. Dessas cerca de 38,4% apresentam alto risco de desenvolver c\u00e2ncer de colo de \u00fatero.<\/p>\n\n\n\n<p>O infectologista Jess\u00e9 Reis, do Laborat\u00f3rio Delboni Auriemo Medicina Diagn\u00f3stica, explica que se n\u00e3o houver uma conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o perigo das IST&#8217;s pode acontecer de elas se tornarem doen\u00e7as cr\u00f4nicas no futuro. &#8220;A infec\u00e7\u00e3o pelo HPV est\u00e1 ligada a evolu\u00e7\u00e3o para o c\u00e2ncer de colo uterino e de outros s\u00edtios. Hepatite B, tamb\u00e9m uma IST, pode ocasionar cirrose e predispor ao c\u00e2ncer de f\u00edgado. Doen\u00e7as simples, como uretrites por gonococo e clam\u00eddia, podem levar a comprometimento da fertilidade do casal&#8221;, alerta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">V\u00edrus HIV: do medo \u00e0 neglig\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Nem sempre o uso da camisinha foi negligenciado. Nos anos 80 o mundo foi assombrado pela epidemia da AIDS, e ningu\u00e9m sabia muito sobre o assunto. Aqui no Brasil ela chegou recebendo o nome de &#8220;doen\u00e7a desconhecida&#8221;, e muitas pessoas acreditavam que era uma infec\u00e7\u00e3o que s\u00f3 faria mal \u00e0 popula\u00e7\u00e3o homossexual e dependentes qu\u00edmicos. Tempos depois descobriu-se que esse era um tremendo de um erro e que a infec\u00e7\u00e3o era capaz de contaminar qualquer pessoa, independentemente de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual ou condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De repente o medo passou a gerenciar o comportamento das pessoas. Com o tempo, p\u00f4de-se observar que todos estavam expostos, e a solu\u00e7\u00e3o apontada como a mais eficaz era o preservativo. Com isso houve um aumento no uso da camisinha entre os jovens daquela \u00e9poca&#8221;, explica Reis.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 1987, as coisas melhoraram com o lan\u00e7amento do coquetel de medicamentos AZT. Em 1991, o pa\u00eds inicia a distribui\u00e7\u00e3o gratuita de antirretrovirais. Como resultado das a\u00e7\u00f5es de combate, no ano de 1999 o governo federal divulga uma redu\u00e7\u00e3o de 50% de mortes causadas pelas complica\u00e7\u00f5es da AIDS e 80% de infec\u00e7\u00f5es oportunistas, devido ao uso do coquetel de medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A partir do momento que come\u00e7aram a surgir possibilidades de controle do HIV, o uso do preservativo, que tinha recebido alguma ades\u00e3o, passou a ser negligenciado. Perdemos o medo de nos contaminar com Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis e isso est\u00e1 nos deixando doentes&#8221;, afirma a psiquiatra e sex\u00f3loga Carmita Abdo, fundadora e coordenadora geral do ProSex dos Hospital das cl\u00ednicas da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desinteresse pela camisinha: um problema com diferentes motivos<\/h2>\n\n\n\n<p>Com os avan\u00e7os na \u00e1rea da medicina, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o perdeu apenas o medo da AIDS, perdeu o medo tamb\u00e9m da diabetes, hipertens\u00e3o, colesterol, ataque card\u00edaco e, at\u00e9 mesmo, de alguns tipos de c\u00e2ncer. As descobertas cient\u00edficas e a inova\u00e7\u00e3o nos tratamentos nos deram a possibilidade de conviver com doen\u00e7as que antes matavam em curto ou m\u00e9dio prazo. Ainda morre-se por causa dessas doen\u00e7as? Todos os dias. Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel conviver com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredite: saber que existe um rem\u00e9dio capaz de amenizar os sintomas de alguma doen\u00e7a \u00e9 meio caminho andado para, justamente, nos descuidarmos da pr\u00f3pria sa\u00fade. Carmita acredita que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, preferimos remediar a prevenir. Logo, \u00e9 muito mais f\u00e1cil pra n\u00f3s pensar em tratar uma Infec\u00e7\u00e3o Sexualmente Transmiss\u00edvel do que evit\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas acham que, se existe um tratamento, \u00e9 poss\u00edvel usufruir deste m\u00e9todo. Atualmente quem convive com o v\u00edrus HIV consegue ter uma qualidade de vida seguindo corretamente as orienta\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Isso faz com que pare\u00e7a que \u00e9 tranquilo ter uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade como essa. Mas n\u00e3o \u00e9&#8221;, ressalta a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, somos um povo que padece de esperan\u00e7a na ci\u00eancia; e, ainda que inconscientemente, por conseguirmos conviver com algumas doen\u00e7as cr\u00f4nicas,&nbsp;<strong>acreditamos que somos invenc\u00edveis<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o psic\u00f3logo Oswaldo M. Rodrigues J\u00fanior, do Instituto Paulista de Sexualidade, essa sensa\u00e7\u00e3o de confiar demais e sentir-se imortal diante das doen\u00e7as faz com que as pessoas mantenham regras erradas nas escolhas que fazem para suas vidas, colocando-se muitas vezes em situa\u00e7\u00f5es de risco. E cada vez que se arriscam e n\u00e3o t\u00eam consequ\u00eancias compreendem que est\u00e3o confirmando que realmente s\u00e3o invenc\u00edveis entrando num c\u00edrculo vicioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Se apegar demais \u00e0s pr\u00f3prias certezas fecha a porta para possibilidades. Existem muitos homens que apresentam um comportamento reativo diante da camisinha por acreditarem que o preservativo diminui a sensibilidade e consequentemente a ere\u00e7\u00e3o. De fato a camisinha pode fazer com que alguns sintam diferen\u00e7a, mas n\u00e3o s\u00e3o todos os homens que manifestam esse problema e nem s\u00e3o todas as camisinhas que interferem na ere\u00e7\u00e3o. Para falar a verdade,&nbsp;<strong>at\u00e9 existem alguns modelos que aumentam a sensibilidade e prolongam e excita\u00e7\u00e3o<\/strong>. Portanto, com algumas mudan\u00e7as de ideia e alguns ajustes \u00e9 poss\u00edvel ter uma rela\u00e7\u00e3o prazerosa e segura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da sex\u00f3loga Carla Cecarello essa dificuldade em manter a ere\u00e7\u00e3o com o uso da camisinha tem uma rela\u00e7\u00e3o muito mais pr\u00f3xima com aspectos psicol\u00f3gicos do que f\u00edsicos. &#8220;Homens inseguros e que n\u00e3o confiam em seu desempenho costumam apresentar problemas na hora de colocar a camisinha. Outros n\u00e3o enxergam como algo normal interromper as preliminares para colocar o preservativo. \u00c9 necess\u00e1rio que os homens se conhe\u00e7am, identifiquem suas fraquezas e aprendam a lidar com elas&#8221;, enaltece.<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia diante do sexo seguro tamb\u00e9m tem uma quest\u00e3o geracional. Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, prolonga-se tamb\u00e9m a vida sexual da popula\u00e7\u00e3o. Sendo assim, pessoas idosas tamb\u00e9m s\u00e3o sexualmente ativas, mas, assim como muitos jovens, tamb\u00e9m n\u00e3o usam camisinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece \u00e9 que pessoas com idade mais avan\u00e7ada tiveram um acesso menor \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual quando come\u00e7aram a transar com outras pessoas &#8211; e sem informa\u00e7\u00e3o fica dif\u00edcil que elas entendam a import\u00e2ncia da prote\u00e7\u00e3o na hora do sexo.<\/p>\n\n\n\n<p>A cren\u00e7a de que depois de certa idade \u00e9 desconfort\u00e1vel mudar antigos h\u00e1bitos predomina nessa hora. Em paralelo, existe tamb\u00e9m o fato de que usar camisinha parece coisa de pessoas que t\u00eam muitos parceiros sexuais. Logo, explicar para um casal que est\u00e1 junto h\u00e1 d\u00e9cadas que \u00e9 necess\u00e1rio usar camisinha pode ser um assunto delicado de ser abordado por um m\u00e9dico, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas acima de 50 anos tinham entre 20 e 30 nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, \u00e9poca em que se discutia com mais frequ\u00eancia quest\u00f5es relacionadas ao aparecimento do HIV, e pouqu\u00edssimas foram educadas na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia sobre sexualidade. Portanto, quando chegaram \u00e0 vida adulta, tornaram-se adultos com um pensamento atrelado \u00e0 \u00e9poca que tinham na adolesc\u00eancia&#8221;, exemplifica Rodrigues. Ele completa dizendo que essas pessoas ao passarem uma ou duas d\u00e9cadas sem se contaminarem consideram isso como uma forma de serem imunes \u00e0s IST&#8217;s.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ningu\u00e9m \u00e9 imune, e na \u00faltima d\u00e9cada os casos de HIV em pessoas acima de 50 anos praticamente dobraram. Vale lembrar que assim como na terceira idade n\u00e3o existe muita preocupa\u00e7\u00e3o com preven\u00e7\u00e3o, essa popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m raramente faz exames para rastreamento de poss\u00edveis infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis, fazendo com que muitas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade sejam diagnosticadas apenas em est\u00e1gio avan\u00e7ado. Atribuindo assim mais um risco de morte \u00e0 popula\u00e7\u00e3o idosa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Muita pr\u00e1tica pouca teoria<\/h2>\n\n\n\n<p>O sexo est\u00e1 presente na m\u00fasica, na literatura, na televis\u00e3o, na propaganda e principalmente nas nossas rela\u00e7\u00f5es. Mas fica de fora das nossas conversas pelo menos quando o assunto \u00e9 preven\u00e7\u00e3o. E se n\u00e3o existe uma troca de informa\u00e7\u00f5es assertiva, dificilmente vamos acertar no momento da transa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais motivos que leva a essa desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que o sexo ainda \u00e9 um tabu, mesmo que grande parte da popula\u00e7\u00e3o seja sexualmente ativa. &#8220;Tanto jovens quanto adultos n\u00e3o falam sobre sexo de forma respons\u00e1vel. a sociedade ainda est\u00e1 carente de educa\u00e7\u00e3o em termos de preven\u00e7\u00e3o de IST&#8221;, explica o ginecologista Jos\u00e9 Eleut\u00e9rio da Febrasgo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse h\u00e1bito de evitar falar sobre sexo seguro, de acordo com os especialistas, v\u00eam de uma ideia moralista de que quem fala muito de sexo \u00e9, de certa forma, prom\u00edscuo. Rodrigues explica que tem-se a falsa ideia de que falar sobre IST&#8217;s \u00e9 quase uma comprova\u00e7\u00e3o de que sexo demais causa doen\u00e7as. &#8220;A constru\u00e7\u00e3o social dir\u00e1 que a pessoa que fala sobre IST&#8217;s \u00e9 prom\u00edscua. Mas \u00e9 justamente esse pensamento que facilita a exist\u00eancia dessas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, pois dificulta que se fale a respeito, incluindo as possibilidades de enfrentamento e de preven\u00e7\u00e3o dessas infec\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Carmita acredita que quando o assunto \u00e9 sexo o comportamento n\u00e3o acompanha o conhecimento. &#8220;Depois que as pessoas iniciam a vida sexual sem camisinha dificilmente haver\u00e1 um interesse pela preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que \u00e9 importante que a educa\u00e7\u00e3o sexual comece antes da vida sexual pr\u00e1tica&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar sobre sexualidade na inf\u00e2ncia pode incomodar. Afinal, parece que abordar esse tema com os filhos, de certa forma, pode abrir caminho para uma sexualiza\u00e7\u00e3o precoce. Mas uma pesquisa realizada pela OMS mostra o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o, pessoas que foram informadas sobre educa\u00e7\u00e3o sexual na inf\u00e2ncia, na verdade, tiveram a primeira rela\u00e7\u00e3o mais tarde do que aqueles n\u00e3o receberam essa orienta\u00e7\u00e3o. Essas pessoas transaram quando se sentiram prontas para isso. A sex\u00f3loga acredita que quem n\u00e3o tem informa\u00e7\u00e3o aprende sobre sexo com as viv\u00eancias e sem orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil de errar na hora da pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Publicidade sobre ISTs: qual o p\u00fablico-alvo?<\/h2>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da falta de informa\u00e7\u00e3o sobre sexo seguro n\u00e3o \u00e9 responsabilidade apenas da popula\u00e7\u00e3o. Governo, empresas, m\u00e9dicos e at\u00e9 a imprensa tem participa\u00e7\u00e3o nisso. \u00c9 papel da sociedade como um todo abordar e informar sobre o assunto, mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>Anualmente o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade realiza campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do uso de preservativo, ocupa espa\u00e7o publicit\u00e1rio na grande m\u00eddia, disponibiliza preservativos em postos de sa\u00fade e tamb\u00e9m em eventos como o carnaval. No entanto, a mesma comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 direcionada para todos os p\u00fablicos-alvos. Um adolescente ou um jovem adulto at\u00e9 podem entender uma campanha tendo a cantora Pabllo Vittar como protagonista, mas provavelmente n\u00e3o ir\u00e1 atingir da mesma forma um casal da terceira idade. Do mesmo modo que uma publicidade em que os personagens em quest\u00e3o s\u00e3o um casal heterossexual dificilmente vai representar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As campanhas que temos n\u00e3o se comunicam com as pessoas. Al\u00e9m de n\u00e3o serem dirigidas \u00e0s diferentes camadas da sociedade, elas apenas repetem que \u00e9 necess\u00e1rio usar camisinha. Isso torna a camisinha desinteressante, ningu\u00e9m se sente estimulado us\u00e1-la. \u00c9 preciso erotizar o uso da camisinha, tirar as verdadeiras d\u00favidas das pessoas, torn\u00e1-la interessante sem ser vulgar&#8221;, explica a sex\u00f3loga Carla.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que a publicidade n\u00e3o d\u00ea conta de falar com todos os p\u00fablicos, \u00e9 papel dos m\u00e9dicos perguntar aos seus pacientes sobre a sa\u00fade sexual de seus pacientes. Mas infelizmente, devido ao sexo ainda ser um tabu, nem o m\u00e9dico e nem o paciente se sentem confort\u00e1veis para falar sobre preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eleut\u00e9rio explica que devido \u00e0 correria di\u00e1ria a medicina preventiva \u00e9 pouco usada, para piorar, os tabus em torno do sexo dificultam esse di\u00e1logo. &#8220;Os pacientes s\u00f3 falam a respeito quando manifestam algum sintoma genital. E o m\u00e9dico s\u00f3 aborda quando identifica alguma anormalidade no paciente. O ideal \u00e9 que a estrat\u00e9gia seja a educa\u00e7\u00e3o sobre o uso do preservativo e o diagn\u00f3stico precoce&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vamos nos proteger?<\/h2>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea se lembra da sua primeira transa? Se sim, provavelmente deve ter achado aquela experi\u00eancia um pouco estranha. N\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas com o tempo come\u00e7ou a gostar de sexo, foi descobrindo as suas e as regi\u00f5es er\u00f3genas de outras pessoas e se aprimorando na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A maneira como nos relacionamos evoluiu com o passar do tempo. Se antes as pessoas com quem trans\u00e1vamos a primeira vez eram, muitas vezes, com quem ir\u00edamos nos casar, hoje nosso leque de op\u00e7\u00f5es est\u00e1 bem maior. Os relacionamento n\u00e3o duram tanto tempo, pessoas vi\u00favas perceberam que podem existir novos encontros ap\u00f3s o luto e estamos construindo novas configura\u00e7\u00f5es de relacionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, temos possibilidade de nos relacionarmos com uma ou v\u00e1rias pessoas. Mas \u00e9 importante que a gente usufrua dessa liberdade com respeito \u00e0s nossas vidas e as vidas dos outros. O uso da camisinha tem tudo a ver com liberdade e respeito. E se cada um de n\u00f3s tentar se informar, ler sobre o assunto, conversar com as pessoas que est\u00e3o pr\u00f3ximas, perguntar quando n\u00e3o souber, dizer n\u00e3o quando o parceiro (a) quiser transar sem camisinha, teremos mais sa\u00fade e faremos um sexo seguro e gostoso. Vamos tentar?<\/p>\n\n\n\n<p>MinhaVida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexo sem camisinha tem levado as IST\u00b4s a n\u00edveis epid\u00eamicos. Especialistas comentam os motivos para esse comportamento Em um s\u00e1bado de pr\u00e9 carnaval, um jovem se posiciona na fila do caixa do mercado e come\u00e7a a ler um pacote de\u00a0camisinha\u00a0que estava na g\u00f4ndola ao lado. 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