{"id":18713,"date":"2019-09-02T12:20:06","date_gmt":"2019-09-02T15:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=18713"},"modified":"2019-09-02T12:20:08","modified_gmt":"2019-09-02T15:20:08","slug":"pesquisadores-encontram-arvore-mais-alta-da-amazonia-e-dizem-que-ate-o-momento-esta-salva-das-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/09\/02\/pesquisadores-encontram-arvore-mais-alta-da-amazonia-e-dizem-que-ate-o-momento-esta-salva-das-queimadas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores encontram \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia e dizem que &#8216;at\u00e9 o momento&#8217; est\u00e1 salva das queimadas"},"content":{"rendered":"\n<p>Enquanto diferentes partes da Amaz\u00f4nia pegavam fogo, uma equipe de 30 pessoas fazia uma perigosa viagem, primeiro de barco e depois a p\u00e9, em busca de uma \u00e1rvore em especial na floresta que atraiu a aten\u00e7\u00e3o do mundo por causa das chamas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores de diferentes pa\u00edses, moradores locais, bombeiros e um escalador estavam \u00e0 procura da \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia brasileira j\u00e1 registrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Percorreram 220 quil\u00f4metros de barco e caminharam 10 quil\u00f4metros mata adentro at\u00e9 encontrarem um exemplar esp\u00e9cie Dinizia excelsa, tamb\u00e9m conhecida como Angelim Vermelho, dentro de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o estadual de uso sustent\u00e1vel, a Floresta Estadual do Par\u00fa, no Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore tem 88 metros de altura \u2013 algo equivalente a um pr\u00e9dio de 24 andares. Sua altura \u00e9 um recorde para a Amaz\u00f4nia brasileira, que ainda n\u00e3o tinha registrado nenhuma \u00e1rvore com mais de 70 metros de altura.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta da equipe coordenada pelo professor Eric Bastos Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), virou artigo na publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica\u00a0Frontiers in Ecology and the Environment, uma das mais conceituadas revistas de ecologia do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Risco de queimada<\/h2>\n\n\n\n<p>A &#8220;gigante&#8221; da Amaz\u00f4nia estava intacta, bem longe dos focos de inc\u00eandios que alastraram por outras partes da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O risco (de queimada) \u00e9 praticamente zero. A regi\u00e3o \u00e9 muito remota, distante de qualquer concentra\u00e7\u00e3o humana, a mais pr\u00f3xima est\u00e1 a 220 quil\u00f4metros&#8221;, explica o professor da UFVJM. Ele coordenou a expedi\u00e7\u00e3o, que contou tamb\u00e9m com pesquisadores das universidades de Oxford, Cambridge, Federal do Amap\u00e1, Federal de Alagoas, Instituto Federal do Amap\u00e1, e Estadual do Amap\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) tamb\u00e9m participou da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, a \u00e1rvore est\u00e1 numa regi\u00e3o cercada por dois grandes afluentes do Amazonas, os rios Par\u00fa e Jari. Devido ao dif\u00edcil acesso, a regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 visada por madeireiros, agropecuaristas, nem garimpeiros&#8221;. &#8220;At\u00e9 o momento&#8221;, pondera o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>O exemplar da esp\u00e9cie&nbsp;<em>Dinizia excelsa&nbsp;<\/em>localizado pela equipe de Gorgens n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica \u00e1rvore gigante, apesar de ser a mais alta j\u00e1 registrada na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sete \u00e1reas de &#8216;\u00e1rvores gigantes&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de encarar a viagem pelo rio Jari, pesquisadores de universidades do Brasil, Finl\u00e2ndia e Reino Unido j\u00e1 tinham analisado dados de 594 cole\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores espalhadas por toda a Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D009\/production\/_108575235_20d28a05-105d-4ad4-bd1f-5a46f6c5d51a.jpg\" alt=\"Expedi\u00e7\u00e3o em busca da \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia\"\/><figcaption>Image captionPara validar as informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo sensor remoto, a expedi\u00e7\u00e3o Jari-Paru foi realizada entre os dias 14 e 24 de agosto<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Usando uma esp\u00e9cie de &#8220;radar laser&#8221; que faz sensoriamento remoto, os pesquisadores identificaram sete regi\u00f5es com \u00e1rvores gigantes, todas com altura superior a 80 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que \u00e9 extraordin\u00e1rio para a Amaz\u00f4nia brasileira, visto que n\u00e3o havia registros de \u00e1rvores acima de 70 metros&#8221;, diz o coordenador do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Seis dessas cole\u00e7\u00f5es estavam regi\u00e3o do Rio Jari, entre os estados do Amap\u00e1 e Par\u00e1, incluindo a gingante mor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para validar as informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo sensor remoto, a expedi\u00e7\u00e3o Jari-Paru partiu da cidade de Laranjal do Jari, no Amap\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os dias 14 e 24 de agosto, as 30 pessoas da equipe se dividiram em quatro barcos para subir e descer o rio, enfrentando corredeiras e cachoeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A regi\u00e3o do Jari \u00e9 uma das regi\u00f5es mais isoladas da Amaz\u00f4nia e o \u00fanico contato da expedi\u00e7\u00e3o com a civiliza\u00e7\u00e3o se dava por equipamentos SPOTs, um rastreador e comunicador por sat\u00e9lite para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia&#8221;, conta o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Localizaram outros exemplares de Argelim Vermelho, com di\u00e2metros que variam de dois a tr\u00eas metros, esp\u00e9cie valorizada no mercado de madeira. A equipe escalou \u00e1rvores para coletar material bot\u00e2nico e validar a altura. &#8220;Foram utilizadas t\u00e9cnicas que n\u00e3o machucam a \u00e1rvore&#8221;, explica o professor da UFVJM.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a descoberta \u00e9 importante?<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F719\/production\/_108575236_2bc37cc5-808e-4f83-84be-ede43037c5c2.jpg\" alt=\"\u00c1rvore gigante da Amaz\u00f4nia encontrada no Par\u00e1\"\/><figcaption>Image captionAs \u00e1rvores gigantes localizadas na Amaz\u00f4nia s\u00e3o conhecidas conhecidas como Angelim Vermelho e t\u00eam di\u00e2metros que variaram de 2 a 3 metros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o professor Eric Gorgens, a descoberta da \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 uma prova de como ainda se conhece pouco sobre a floresta e mostra a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Toda vez que a ci\u00eancia encontra algo nunca antes imaginado, acende um alerta voltado para a preserva\u00e7\u00e3o. Imagina a quantidade de plantas, animais, insetos entre outras coisas que ainda est\u00e3o para ser descobertos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As nossas florestas possuem uma riqueza j\u00e1 conhecida que ningu\u00e9m discute, mas ainda reservam segredos que levam tempo e dedica\u00e7\u00e3o para sua descoberta. A explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o planejada, sem a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, voltado somente para a produ\u00e7\u00e3o, compromete a manuten\u00e7\u00e3o dos nossos recursos naturais&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11E29\/production\/_108575237_34a8ae6b-06eb-4925-bbfa-2588d654b7ee.jpg\" alt=\"Expedi\u00e7\u00e3o em busca da \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia\"\/><figcaption>Image caption&#8217;Crescer em altura \u00e9 um desafio para as \u00e1rvores&#8217;, diz o professor que coordenou expedi\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Gorgens classifica a exist\u00eancia de uma \u00e1rvore de 88 metros de altura como &#8220;extraordin\u00e1ria&#8221; para a Amaz\u00f4nia brasileira. O professor diz ainda que crescer em altura \u00e9 um desafio para as \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As \u00e1rvores altas s\u00e3o mais propensas \u00e0 quebra e \u00e0 queda, seja por vento, ou seja por n\u00e3o aguentar o pr\u00f3prio peso. As rajadas causam um torque na base da \u00e1rvore, levando o fuste \u00e0 um alto estresse. Outro fator que limita o crescimento em altura \u00e9 o suprimento de \u00e1gua para copa. \u00c0 medida que as \u00e1rvores se tornam mais altas, o aumento da resist\u00eancia hidr\u00e1ulica e o peso da coluna de \u00e1gua aumenta o estresse h\u00eddrico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, diz ele, \u00e1rvores gigantes s\u00e3o consideradas um evento raro.<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro florestal Matheus Nunes, da Universidade de Helsinque, na Finl\u00e2ndia, destaca a import\u00e2ncia da descoberta e da exist\u00eancia das \u00e1rvores gigantes para o ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16C49\/production\/_108575239_85585415-33cd-4a15-af09-ac4c4b5f28ea.jpg\" alt=\"Expedi\u00e7\u00e3o em busca da \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia\"\/><figcaption>Image captionA \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia foi localizada a 10 km floresta adento, a partir da margem do rio Jari<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de afirmar que esses raros exemplares da flora s\u00e3o um laborat\u00f3rio natural para conhecer como elas chegaram a tais alturas, elas t\u00eam um papel fundamental no ciclo do carbono. &#8220;Pois elas t\u00eam maior biomassa e, portanto, s\u00e3o capazes de sequestrar mais carbono&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunes identificou a \u00e1rvore tropical mais alta do mundo na Mal\u00e1sia em 2015, quando encontrou dois exemplares do g\u00eanero Shorea, uma com 90,6 metros e a outra 89,5 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas superaram o recorde mundial de 2007, quando norte-americanos encontraram, numa outra regi\u00e3o da Mal\u00e1sia, uma \u00e1rvore de pouco mais de 88 metros &#8211; que, at\u00e9 a descoberta do pesquisador brasileiro, em agosto de 2015, era considerada a \u00e1rvore mais alta dos tr\u00f3picos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/930F\/production\/_108574673_0010639a-db5f-4223-989f-156f0eaace8a.jpg\" alt=\"Expedi\u00e7\u00e3o em busca da \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia\"\/><figcaption>Image captionPartindo da cidade de Laranjal do Jari, uma equipe de 30 pessoas percorreu um trajeto de aproximadamente 220 km por rio e 10 km por terra at\u00e9 localizar a \u00e1rvore mais alta da Amaz\u00f4nia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A derrubada de tais \u00e1rvores iria na contram\u00e3o de v\u00e1rias discuss\u00f5es sobre sequestro de carbono para desacelerar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e devem ser definitivamente levadas como estrat\u00e9gias para conserva\u00e7\u00e3o das florestas na regi\u00e3o&#8221;, completa Nunes, que n\u00e3o participou da expedi\u00e7\u00e3o, mas ajudou a rastrear a Amaz\u00f4nia brasileira em busca de gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo desafio para grupo \u00e9 entender o que levou essas \u00e1rvores a atingirem alturas t\u00e3o elevadas na Amaz\u00f4nia, tanto do ponto de vista ambiental, quanto do ponto de vista fisiol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Eric Gorgens diz que estudos como esse levam muito tempo. &#8220;Por isso, \u00e9 essencial valorizar as unidades de conserva\u00e7\u00e3o e estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas de longo prazo de incentivo \u00e0 pesquisa e monitoramento de nossa flora&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto diferentes partes da Amaz\u00f4nia pegavam fogo, uma equipe de 30 pessoas fazia uma perigosa viagem, primeiro de barco e depois a p\u00e9, em busca de uma \u00e1rvore em especial na floresta que atraiu a aten\u00e7\u00e3o do mundo por causa das chamas. 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