{"id":18341,"date":"2019-08-28T15:07:40","date_gmt":"2019-08-28T18:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=18341"},"modified":"2019-08-28T15:08:28","modified_gmt":"2019-08-28T18:08:28","slug":"o-que-pode-acelerar-ou-retardar-a-recuperacao-da-floresta-consumida-pelo-fogo-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/28\/o-que-pode-acelerar-ou-retardar-a-recuperacao-da-floresta-consumida-pelo-fogo-na-amazonia\/","title":{"rendered":"O que pode acelerar ou retardar a recupera\u00e7\u00e3o da floresta consumida pelo fogo na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mais de 40 mil esp\u00e9cies de plantas, 1,3 mil variedades de p\u00e1ssaros e 426 tipos diferentes de mam\u00edferos vivem na\u00a0Floresta Amaz\u00f4nica, a maior floresta tropical do mundo, com 6,7 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados.<\/h4>\n\n\n\n<p>Muitos exemplares da fauna e da flora, no entanto, est\u00e3o amea\u00e7ados pelas queimadas que assolam a regi\u00e3o h\u00e1 algumas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os focos de inc\u00eandio n\u00e3o se limitam apenas \u00e0 Amaz\u00f4nia brasileira e tamb\u00e9m se alastram pela Bol\u00edvia e Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de sat\u00e9lite divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que, no decorrer deste ano, houve um aumento de mais de 80% nos focos de inc\u00eandio no Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quanto tempo pode levar para recuperar a floresta consumida pelas queimadas na Amaz\u00f4nia? E que fatores podem acelerar ou retardar esse processo? Em alguns dos cen\u00e1rios antevistos por pesquisadores ouvidos pela BBC News Mundo (servi\u00e7o em espanhol da BBC), essa recupera\u00e7\u00e3o pode demorar s\u00e9culos, a depender de fatores diversos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FD49\/production\/_108514846_gettyimages-1163660017.jpg\" alt=\"Queimada na Amaz\u00f4nia\"\/><figcaption>Image captionO desmatamento e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar a regenera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas afetadas pelo fogo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Yadvinder Malhi, professor de ci\u00eancias do ecossistema da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que &#8220;leva entre 20 e 40 anos, se permitirmos que a floresta se regenere&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em entrevista \u00e0 BBC News Mundo, o acad\u00eamico ressalta que h\u00e1 v\u00e1rios aspectos que podem afetar essa recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles \u00e9 o qu\u00e3o danificado est\u00e1 o solo queimado. Se sofreu v\u00e1rios inc\u00eandios, diz ele, \u00e9 mais prov\u00e1vel que tenha danos permanentes e sua recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 muito mais lenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator est\u00e1 relacionado \u00e0 proximidade entre a \u00e1rea queimada e uma floresta preservada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao lado de uma floresta intacta, os p\u00e1ssaros e animais v\u00e3o naturalmente para a \u00e1rea danificada e ajudar\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Caso contr\u00e1rio, adverte Malhi, &#8220;ser\u00e1 muito mais dif\u00edcil porque as sementes e esp\u00e9cies ter\u00e3o que ser introduzidas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7a clim\u00e1tica e desmatamento<\/h2>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 outro fator que pode determinar a rapidez com que os hectares queimados v\u00e3o se regenerar.<\/p>\n\n\n\n<p>Claire Wordley, pesquisadora do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, afirma que esse fator \u00e9 extremamente dif\u00edcil de prever e controlar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 foi previsto que, se a temperatura (global) ficar muito alta, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o conseguir\u00e1 produzir chuva suficiente para manter sua floresta tropical. Ent\u00e3o, se (o ambiente) ficar quente demais, (a floresta) pode se tornar uma savana&#8221;, explicou \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a acad\u00eamica, embora seja dif\u00edcil estimar o tempo necess\u00e1rio para a recupera\u00e7\u00e3o da floresta danificada, est\u00e1 claro que n\u00e3o ser\u00e1 daqui a dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pode levar centenas de anos&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14B69\/production\/_108514848_gettyimages-1164002525.jpg\" alt=\"Amazonas\"\/><figcaption>Image captionV\u00e1rias \u00e1reas da Amaz\u00f4nia est\u00e3o sendo afetadas pela pecu\u00e1ria<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o uso da terra para agricultura e o desmatamento tamb\u00e9m podem ser uma barreira para a recupera\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Phil Martin, pesquisador especializado em ecologia, embora a recupera\u00e7\u00e3o das plantas e \u00e1rvores &#8220;possa demorar entre 150 e 200 anos&#8221;, isso aconteceria sob &#8220;perfeitas condi\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que hoje h\u00e1 v\u00e1rias \u00e1reas que est\u00e3o sendo afetadas pela agricultura e pecu\u00e1ria. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m pode interferir, vemos que agora os inc\u00eandios s\u00e3o muito mais frequentes e destrutivos do que antes&#8221;, analisa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7as estruturais<\/h2>\n\n\n\n<p>Os inc\u00eandios modificam drasticamente a estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o de uma determinada regi\u00e3o. E isso, por sua vez, afeta as esp\u00e9cies que vivem na \u00e1rea. \u00c9 o que afirma Jos\u00e9 Mar\u00eda Cardoso da Silva, professor do Departamento de Geografia e Estudos Regionais da Universidade de Miami, nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o acad\u00eamico, a recupera\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies pode levar v\u00e1rias d\u00e9cadas ou s\u00e9culos, sendo ainda mais complicado se os inc\u00eandios forem sucessivos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1749\/production\/_108516950_gettyimages-1142459568.jpg\" alt=\"Amazonas\"\/><figcaption>Image captionMilhares de esp\u00e9cies diferentes vivem na Amaz\u00f4nia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Se os inc\u00eandios se tornarem a regra na paisagem, as florestas nunca se regenerar\u00e3o \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o natural e veremos um novo tipo de vegeta\u00e7\u00e3o empobrecida, dominada por algumas esp\u00e9cies de \u00e1rvores comuns, capazes de sobreviver no novo regime de inc\u00eandios&#8221;, sinaliza \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Silva acrescenta que &#8220;os inc\u00eandios tamb\u00e9m podem facilitar a expans\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras que, com o tempo, podem limitar a regenera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas naturais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os inc\u00eandios fazem parte do ecossistema da Amaz\u00f4nia?<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro fator que deve ser levado em conta para entender qu\u00e3o dif\u00edcil vai ser recuperar as \u00e1reas afetadas \u00e9 que os inc\u00eandios na Floresta Amaz\u00f4nica n\u00e3o ocorrem naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 preciso que algu\u00e9m coloque o fogo. Ao contr\u00e1rio de ecossistemas como o Cerrado, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o evoluiu com o fogo, e ele n\u00e3o faz parte da din\u00e2mica dela&#8221;, diz a pesquisadora Erika Berenguer, da Universidade de Oxford, \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em v\u00e1rias partes do mundo, o fogo faz parte do ecossistema. Mas na floresta tropical, as \u00e1rvores n\u00e3o est\u00e3o preparadas, nunca experimentaram inc\u00eandios&#8221;, acrescenta Malhi.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim, mesmo pequenos focos de inc\u00eandio s\u00e3o capazes de matar muitas \u00e1rvores. Isso pode ser muito nocivo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6569\/production\/_108516952_gettyimages-1037046472.jpg\" alt=\"amazonas\"\/><figcaption>Image captionAs \u00e1rvores da regi\u00e3o amaz\u00f4nica n\u00e3o t\u00eam mecanismos de defesa contra o fogo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Claire Wordley compartilha da mesma opini\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 regi\u00f5es, como Austr\u00e1lia ou algumas partes dos EUA, que est\u00e3o preparadas para lidar com o fogo, mas a Amaz\u00f4nia n\u00e3o tem essa mesma capacidade. A Am\u00e9rica do Sul \u00e9 uma das regi\u00f5es que se recuperam mais lentamente dos inc\u00eandios&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos que analisam as queimadas na Amaz\u00f4nia mostram que, mesmo tr\u00eas d\u00e9cadas ap\u00f3s serem atingidas pelo fogo, as florestas queimadas t\u00eam 25% de carbono a menos do que aquelas que n\u00e3o foram alvo das chamas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso mostra que precisamos de d\u00e9cadas ou at\u00e9 mesmo de centenas de anos para que as florestas se recuperarem de um inc\u00eandio&#8221;, avalia Berenguer.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que as \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia n\u00e3o t\u00eam mecanismos de defesa contra o fogo &#8211; as cascas n\u00e3o s\u00e3o grossas, t\u00eam apenas poucos mil\u00edmetros -, o que faz com que a mortalidade das \u00e1rvores seja muito mais alta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa falta de prote\u00e7\u00e3o ao fogo na Amaz\u00f4nia significa que a mortalidade de \u00e1rvores \u00e9 muito alta. Se uma \u00e1rea de floresta queima, at\u00e9 50% das \u00e1rvores dela morrem&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 40 mil esp\u00e9cies de plantas, 1,3 mil variedades de p\u00e1ssaros e 426 tipos diferentes de mam\u00edferos vivem na\u00a0Floresta Amaz\u00f4nica, a maior floresta tropical do mundo, com 6,7 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados. Muitos exemplares da fauna e da flora, no entanto, est\u00e3o amea\u00e7ados pelas queimadas que assolam a regi\u00e3o h\u00e1 algumas semanas. 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