{"id":18148,"date":"2019-08-26T16:14:07","date_gmt":"2019-08-26T19:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=18148"},"modified":"2019-08-26T16:14:11","modified_gmt":"2019-08-26T19:14:11","slug":"episiotomia-entenda-o-que-e-a-pratica-e-se-e-desnecessaria-no-parto-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/26\/episiotomia-entenda-o-que-e-a-pratica-e-se-e-desnecessaria-no-parto-normal\/","title":{"rendered":"Episiotomia: entenda o que \u00e9 a pr\u00e1tica e se \u00e9 desnecess\u00e1ria no parto normal"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Procedimento \u00e9 feito em 53,5% dos partos no Brasil, sendo que a OMS recomenda seu uso em 10% dos casos<\/h4>\n\n\n\n<p>A\u00a0episiotomia\u00a0\u00e9 um corte cir\u00fargico realizado na regi\u00e3o do per\u00edneo, a partir da vagina e que pretende ampliar o canal do parto para facilitar a passagem do beb\u00ea na \u00faltima fase do per\u00edodo expulsivo, evitando uma poss\u00edvel lacera\u00e7\u00e3o irregular. Tem cerca de cinco a seis cent\u00edmetros, e \u00e9 feito com anestesia local, caso a parturiente ainda n\u00e3o tenha sido submetida a outros tipos de anestesia.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0episiotomia\u00a0\u00e9 uma pr\u00e1tica m\u00e9dica que vinha e ainda hoje vem sendo realizada sem que tivesse sido devidamente avaliada sob os crit\u00e9rios cient\u00edficos necess\u00e1rios \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de uma nova interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaquemos que a episiotomia n\u00e3o \u00e9 habitualmente discutida previamente como deveria, com a paciente durante a gesta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O procedimento alcan\u00e7ou grande popularidade a partir das d\u00e9cadas de 40 e 50 quando medicalizou-se o ato do parto, transferindo-o do ambiente domiciliar para o meio hospitalar. Argumentava-se que fazer um corte cir\u00fargico na pele e musculatura do per\u00edneo evitava as roturas ou lacera\u00e7\u00f5es irregulares da regi\u00e3o causadas pela passagem do beb\u00ea no momento do parto. Assim, em vez de uma ferida traum\u00e1tica, seria feito um corte regular, cuja restaura\u00e7\u00e3o seria mais precisa. Al\u00e9m disso, dizia-se a que a amplia\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o acelerava a sa\u00edda do beb\u00ea, com o que se ganhava tempo na din\u00e2mica dos partos hospitalares em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da episiotomia ultrapassava a incid\u00eancia de 90%, praticamente fazendo parte da rotina obrigat\u00f3ria da assist\u00eancia ao\u00a0parto normal, reduzindo lentamente sua frequ\u00eancia a partir dos anos 70 e 80.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mas a episiotomia \u00e9 desnecess\u00e1ria?<\/h2>\n\n\n\n<p>Existe hoje uma tend\u00eancia mundial de tornar a episiotomia uma manobra seletiva e n\u00e3o sistem\u00e1tica, uma vez que n\u00e3o existem evid\u00eancias cient\u00edficas que comprovem maiores benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil atualmente ela \u00e9 praticada em mais da metade dos casos (53,5%). E embora a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) recomende faz\u00ea-la em apenas 10% dos partos, existe um consenso entre os pesquisadores que a taxa ideal seria de 15%, n\u00e3o devendo ultrapassar os 30%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 papel do m\u00e9dico obstetra durante o pr\u00e9-natal, orientar bem a gestante para a pr\u00e1tica de massagem e exerc\u00edcios musculares simples do assoalho p\u00e9lvico, com os quais a mulher pode alcan\u00e7ar excelente controle no n\u00edvel de contra\u00e7\u00e3o e relaxamento do per\u00edneo e com isso obter a amplia\u00e7\u00e3o suficiente do canal do parto no momento da sa\u00edda do beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses exerc\u00edcios ajudar\u00e3o, tonificando e fortalecendo o per\u00edneo, facilitando a recupera\u00e7\u00e3o e reduzindo o desconforto.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o que muito favorece, \u00e9 estimular a gr\u00e1vida a realizar movimentos de agachamento j\u00e1 desde o 4\u00ba m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o, assim como caminhar durante todo o trabalho de parto. Desta maneira, \u00e9 poss\u00edvel evitar de forma fisiol\u00f3gica tanto a rotura espont\u00e2nea quanto a episiotomia na grande maioria dos casos. Outra pr\u00e1tica que particularmente indico e que est\u00e1 apoiada em estudos cl\u00ednicos comparativos \u00e9 adotar o parto vertical ou na posi\u00e7\u00e3o de c\u00f3coras, cuja evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 mais r\u00e1pida, mais confort\u00e1vel e que mais facilita a amplia\u00e7\u00e3o do canal do parto, n\u00e3o requerendo qualquer interven\u00e7\u00e3o complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaquemos que a episiotomia n\u00e3o \u00e9 habitualmente discutida previamente como deveria, com a paciente durante a gesta\u00e7\u00e3o. Ou seja, o ato \u00e9 realizado sem o devido consentimento informado e esclarecido, cada vez mais exigido pelas institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas regulat\u00f3rias, diante das possibilidades de uma s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es que o ato pode acarretar. Minha opini\u00e3o \u00e9 que o obstetra dever\u00e1 sempre proporcionar \u00e0 paciente as informa\u00e7\u00f5es antecipat\u00f3rias de situa\u00e7\u00f5es e necessidades que podem surgir durante o processo da gesta\u00e7\u00e3o, da parturi\u00e7\u00e3o e do puerp\u00e9rio, exceto em situa\u00e7\u00f5es especiais de emerg\u00eancia, em que os benef\u00edcios superem os riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da opera\u00e7\u00e3o cesariana, a episiotomia \u00e9 o procedimento mais utilizado em obstetr\u00edcia no Brasil. Seu uso rotineiro, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (FEBRASGO) pode acarretar uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias negativas tais como: altera\u00e7\u00f5es cicatriciais, infec\u00e7\u00e3o, hematoma, extens\u00e3o traum\u00e1tica da episiotomia com les\u00e3o, por exemplo, do reto ou nervos da regi\u00e3o, al\u00e9m de poder causar dispareunia (dor nas rela\u00e7\u00f5es sexuais).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cuidados ap\u00f3s a episiotomia<\/h2>\n\n\n\n<p>Na recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto normal, deve-se cuidar da regi\u00e3o perineal, com especial aten\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Nas primeiras horas, deve-se usar compressas frias, que aliviam a dor e reduzem a rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria<\/li><li>\u00c9 recomend\u00e1vel evitar esfor\u00e7os f\u00edsicos, movimentos bruscos e estar atenta \u00e0 postura lombar<\/li><li>Pare com o uso de roupas justas ou sint\u00e9ticas, que podem aumentar o desconforto na regi\u00e3o dos pontos<\/li><li>Higienize a \u00e1rea apenas com sabonete neutro, em movimentos suaves<\/li><li>outros produtos ou excessos podem irritar os tecidos<\/li><li>A partir do segundo dia, se necess\u00e1rio, fa\u00e7a uso de calor local (banho de assento) ajuda a diminuir a dor<\/li><li>Seque bem a regi\u00e3o \u00edntima, em movimentos delicados, evitando maiores traumas<\/li><li>Em caso de maior desconforto, fa\u00e7a uso de analg\u00e9sicos (locais e sist\u00eamicos) e anti-inflamat\u00f3rios, sempre sob orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica<\/li><li>Comunique seu m\u00e9dico em caso de pris\u00e3o de ventre ou ardor ao urinar.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Lembre-se que estes pontos de sutura n\u00e3o necessitam ser retirados, uma vez que os externos caem naturalmente na primeira semana e os mais internos (se utilizados) s\u00e3o absorvidos pelo organismo dentro de um prazo m\u00e9dio de seis semanas do p\u00f3s-parto.<\/p>\n\n\n\n<p>MinhaVida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Procedimento \u00e9 feito em 53,5% dos partos no Brasil, sendo que a OMS recomenda seu uso em 10% dos casos A\u00a0episiotomia\u00a0\u00e9 um corte cir\u00fargico realizado na regi\u00e3o do per\u00edneo, a partir da vagina e que pretende ampliar o canal do parto para facilitar a passagem do beb\u00ea na \u00faltima fase do per\u00edodo expulsivo, evitando uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":{"0":"post-18148","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/bbe.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18148"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18148"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18150,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18148\/revisions\/18150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}