{"id":18017,"date":"2019-08-23T17:01:52","date_gmt":"2019-08-23T20:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=18017"},"modified":"2019-08-23T17:01:54","modified_gmt":"2019-08-23T20:01:54","slug":"robos-devem-ter-aparencia-humana-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/23\/robos-devem-ter-aparencia-humana-ou-nao\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4s devem ter apar\u00eancia humana ou n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<p>Rob\u00f4s\u00a0com apar\u00eancias e movimentos parecidos com os dos humanos s\u00e3o figurinha f\u00e1cil na cultura popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos romances rob\u00f3ticos de Isaac Asimov e o N\u00famero 5 do filme&nbsp;<em>O incr\u00edvel rob\u00f4<\/em>aos&nbsp;<em>Vingadores: A Era de Ultron&nbsp;<\/em>\u2013 parece que, no nosso imagin\u00e1rio, rob\u00f4s aparecem cada vez mais como seres sens\u00edveis, donos de uma consci\u00eancia quase humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ser\u00e1 que a perspectiva dos rob\u00f4s se tornarem quase indistingu\u00edveis dos humanos \u00e9 mesmo desej\u00e1vel e realista?<\/p>\n\n\n\n<p>Ben Goertzel, que programou a\u00a0intelig\u00eancia artificial\u00a0de Sophia, uma rob\u00f4 humanoide social da empresa Hanson Robotics, de Hong Kong, acredita que rob\u00f4s devem ser parecidos com humanos para ajudar a &#8220;quebrar desconfian\u00e7as e reservas que as pessoas possam ter&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Rob\u00f4s humanoides existir\u00e3o porque as pessoas gostam deles&#8221;, diz \u00e0 BBC. &#8220;Elas preferem dar ordens ou reclamar de seu parceiro com um rob\u00f4 humanoide do que com um Roomba [rob\u00f4 aspirador de p\u00f3].&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Sophia olha nos seus olhos, espelha seus movimentos faciais. \u00c9 uma experi\u00eancia diferente de olhar para uma tela no peito do Pepper [rob\u00f4 semi-humanoide da SoftBank Robotics].&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/36B9\/production\/_107890041_ben-goertzel-sophia.jpg\" alt=\"Ben Goertzel apresenta a rob\u00f4 Sophia\"\/><figcaption>Image captionBen Goertzel apresenta a rob\u00f4 humanoide Sophia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Existem hoje 20 rob\u00f4s Sophia pelo mundo, e seis deles s\u00e3o usados para apresentar a tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias empresas se aproximaram da Hanson Robotics com o interesse de usar Sophia para receber seus clientes, mas rob\u00f4s humanoides como Sophia e Pepper ainda s\u00e3o caros demais para fabricar em s\u00e9rie, diz Goertzel.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, muitos desenvolvedores de rob\u00f4s discordam dessa abordagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Vale da estranheza&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Dor Skuler, cofundador e executivo da Intuition Robotics, op\u00f5e-se frontalmente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s que se parecem ou soam como humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua empresa fabrica a ElliQ, uma pequena rob\u00f4 socializadora para idosos criada para combater a solid\u00e3o. Ela \u00e9 capaz de falar e responder perguntas, mas constantemente lembra os usu\u00e1rios de que est\u00e3o diante de uma m\u00e1quina, n\u00e3o de um ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Skuler se preocupa com o chamado efeito &#8220;vale da estranheza&#8221; \u2013 a ideia de Masahiro Mori de que quanto mais algo n\u00e3o humano se parecer com um humano, mais n\u00f3s o acharemos inquietante e repulsivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio acha tamb\u00e9m que \u00e9 eticamente errado que os rob\u00f4s se passem por humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inevitavelmente, as pessoas um dia perceber\u00e3o que o rob\u00f4 n\u00e3o \u00e9 real, diz, e elas se sentir\u00e3o tra\u00eddas: &#8220;N\u00e3o vejo o sentido em tentar enganar e ao mesmo tempo atender \u00e0s necessidades.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;ElliQ \u00e9 fofa, uma amiga. Pelas nossas pesquisas, um objeto ainda \u00e9 capaz de criar uma afinidade positiva e aliviar a solid\u00e3o. Isso sem precisar se parecer como um humano.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Reid Simmons, professor do Instituto de Rob\u00f3tica da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, concorda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Olhar e gestual humanos<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;O que muitos acreditamos \u00e9 que \u00e9 suficiente para um rob\u00f4 ter caracter\u00edsticas humanas b\u00e1sicas como olhar e gestual, sem que precise ter uma forma humana hiper-realista.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sou um grande defensor de que precisamos evitar o vale da estranheza, porque ele cria expectativas que a tecnologia n\u00e3o pode cumprir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14829\/production\/_107890048_dor-skuler-elliq3.jpg\" alt=\"Dor Skuler ao lado da rob\u00f4 ElliQ\"\/><figcaption>Image captionDor Skuler ao lado da rob\u00f4 ElliQ, criada para combater a solid\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Goertzel, que fundou a SingularityNet, um ambiente de neg\u00f3cios online em que programadores desenvolvem e vendem ferramentas de intelig\u00eancia artificial para rob\u00f4s como Sophia, acredita que um dia os rob\u00f4s se tornar\u00e3o t\u00e3o inteligentes, ou mais, que os humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>E, quanto mais virmos vers\u00f5es humanoides no entorno, mais r\u00e1pido nos acostumaremos. Segundo ele, \u00e0s vezes \u00e9 mais f\u00e1cil se abrir com m\u00e1quinas n\u00e3o-humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ser\u00e1 que um dia chegaremos \u00e0quele cen\u00e1rio de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em que rob\u00f4s ganham consci\u00eancia, liberdade de escolha e talvez at\u00e9 direitos sob a lei?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que se os rob\u00f4s podem ter a mesma intelig\u00eancia que humanos, ent\u00e3o, tamb\u00e9m podem ter a mesma consci\u00eancia&#8221;, prev\u00ea Goertzel.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa expectativa n\u00e3o \u00e9 rara no campo da intelig\u00eancia artificial, tampouco \u00e9 un\u00e2nime.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 cinco anos, intelig\u00eancia artificial era cantinho obscuro da pesquisa. Agora, ela \u00e9 levada a s\u00e9rio at\u00e9 por grandes empresas, como o Google DeepMind&#8221;, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisamos que rob\u00f4s sejam tenham mais compaix\u00e3o que os humanos, mas que, ao mesmo tempo, n\u00e3o imitem seus v\u00edcios emocionais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem discorde.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 imposs\u00edvel&#8221;, diz Skuler. &#8220;A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 um tra\u00e7o distintivamente humano. \u00c9 uma caracter\u00edstica das coisas vivas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Moral e autoestima n\u00e3o podem ser reduzidas a um conjunto de regras e algoritmos. S\u00e3o sentimentos baseados na \u00e9tica que cresce conosco como pessoas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a intelig\u00eancia artificial pode reproduzir o comportamento humano e at\u00e9 as rea\u00e7\u00f5es, mesmo que n\u00e3o possa experimentar as emo\u00e7\u00f5es em si, ele diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BA03\/production\/_107891674_johnny-5.jpg\" alt=\"N\u00famero 5, do filme 'O incr\u00edvel rob\u00f4', em cena\"\/><figcaption>Image captionO N\u00famero 5, do filme &#8216;O incr\u00edvel rob\u00f4&#8217;, sabia que ele n\u00e3o era uma m\u00e1quina qualquer<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O c\u00e9rebro humano poder\u00e1 ser reproduzido em m\u00e1quinas?<\/h2>\n\n\n\n<p>Atualmente, a Intuition Robotics colabora com o Instituto de Pesquisas Toyota para desenvolver um agente interno que funcione como uma companhia digital no autom\u00f3vel. O objetivo \u00e9 aumentar a seguran\u00e7a de motoristas e passageiros, detectando e compreendendo emo\u00e7\u00f5es nas palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sinto que estamos no est\u00e1gio pr\u00e9-cient\u00edfico da intelig\u00eancia artificial. H\u00e1 todo tipo de caracter\u00edstica impressionante no aprendizado das m\u00e1quinas, mas em termos de intelig\u00eancia, simplesmente n\u00e3o entendemos ainda suficientemente os princ\u00edpios b\u00e1sicos&#8221;, diz Simmons.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas querem que a intelig\u00eancia artificial funcione, mas n\u00e3o acho que temos o entendimento suficiente para chegar l\u00e1.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um epis\u00f3dio recente da s\u00e9rie de TV&nbsp;<em>Black Mirror<\/em>, Miley Cyrus interpreta uma estrela do pop que tem sua mente transformada em um sistema de intelig\u00eancia artificial. Tudo para para que pequenas bonecas-rob\u00f4s chamadas Ashley Too possam ser fabricadas e vendidas como companhia para adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tipo de premissa continuar\u00e1 como fic\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o ser\u00e1 realidade, para alguns especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu diria que fazer&nbsp;<em>download&nbsp;<\/em>de um c\u00e9rebro ou da personalidade de algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Estamos longe de sermos capazes de replicar o c\u00e9rebro humano&#8221;, diz Simmons.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Goertzel insiste que nos anos 1920, &#8220;quando [o inventor Nikola] Tesla introduziu os rob\u00f4s, ningu\u00e9m acreditou nele, mas agora eles existem.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As coisas acontecer\u00e3o para al\u00e9m do pensamento humano.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rob\u00f4s\u00a0com apar\u00eancias e movimentos parecidos com os dos humanos s\u00e3o figurinha f\u00e1cil na cultura popular. 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