{"id":17947,"date":"2019-08-23T10:56:51","date_gmt":"2019-08-23T13:56:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=17947"},"modified":"2019-08-23T10:56:53","modified_gmt":"2019-08-23T13:56:53","slug":"locais-com-mais-queimadas-tambem-tiveram-mais-desmatamento-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/23\/locais-com-mais-queimadas-tambem-tiveram-mais-desmatamento-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Locais com mais queimadas tamb\u00e9m tiveram mais desmatamento, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma nota t\u00e9cnica de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam) e da Universidade Federal do Acre mostra que o recente aumento no n\u00famero de queimadas na\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0est\u00e1 diretamente relacionado ao desmatamento. Os dez munic\u00edpios da regi\u00e3o com mais alertas de desmatamento s\u00e3o tamb\u00e9m os que mais registraram focos de inc\u00eandio neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A correla\u00e7\u00e3o entre desmatamento e queimadas contraria o argumento de que os focos de inc\u00eandio deste ano seriam algo natural &#8211; decorrente apenas do per\u00edodo de estiagem no Norte do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A nota t\u00e9cnica tamb\u00e9m afirma que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atribuir o aumento no n\u00famero de focos de inc\u00eandio ao per\u00edodo seco: na verdade, a estiagem deste ano est\u00e1 mais branda na regi\u00e3o do que em anos anteriores, quando o n\u00famero de focos de inc\u00eandio foi menor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dez munic\u00edpios amaz\u00f4nicos que mais registraram focos de inc\u00eandios foram tamb\u00e9m os que tiveram maiores taxas de desmatamento. Estes munic\u00edpios s\u00e3o respons\u00e1veis por 37% dos focos de calor em 2019 e por 43% do desmatamento registrado at\u00e9 o m\u00eas de julho. Esta concentra\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios florestais em \u00e1reas rec\u00e9m-desmatadas e com estiagem branda representa um forte indicativo do car\u00e1ter intencional dos inc\u00eandios: limpeza de \u00e1reas rec\u00e9m-desmatadas&#8221;, diz o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os munic\u00edpios listados pelos pesquisadores, por ordem dos focos de inc\u00eandio, s\u00e3o: Apu\u00ed (AM), Altamira (PA), Porto Velho (RO), Caracara\u00ed (RR), S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (PA), Novo Progresso (PA), L\u00e1brea (AM), Colniza (MT), Novo Aripuan\u00e3 (AM) e Itaituba (PA).<\/p>\n\n\n\n<p>O Ipam \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG), baseada em Bras\u00edlia. Os autores do estudo s\u00e3o os pesquisadores Divino Silv\u00e9rio, Ane Alencar e Paulo Moutinho (Ipam) e Sonaira Silva (Universidade Federal do Acre).<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores se basearam em tr\u00eas fontes de dados independentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BC94\/production\/_108467284_hi055968287.jpg\" alt=\"Foto noturna de 17 de agosto mostra fuma\u00e7a na mata perto de Humait\u00e1, no Amazonas\"\/><figcaption>Image captionFoto noturna de 17 de agosto mostra fuma\u00e7a na mata perto de Humait\u00e1, no Amazonas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre desmatamento s\u00e3o do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), do instituto Imazon; os dados sobre queimadas (ou &#8220;focos de calor&#8221;, no jarg\u00e3o t\u00e9cnico) s\u00e3o do sat\u00e9lite AQUA (considerado o sat\u00e9lite de refer\u00eancia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe); e o n\u00famero de dias consecutivos sem chuva \u00e9 da base de dados CHIRPS, desenvolvida por cientistas do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico dos EUA (USGS) e da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento considerou os dados de desmatamento entre janeiro e julho de 2019 e os focos de inc\u00eandio registrados desde o come\u00e7o do ano at\u00e9 o dia 14 de agosto. Em alguns munic\u00edpios do Par\u00e1 que est\u00e3o na lista, como Novo Progresso, agricultores teriam realizado no dia 10 deste m\u00eas, de acordo com a imprensa local, um &#8220;dia do fogo&#8221;, como forma de protesto e para limpar \u00e1reas de pastagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Amaz\u00f4nia est\u00e1 queimando mais em 2019, e o per\u00edodo seco, por si s\u00f3, n\u00e3o explica este aumento. O n\u00famero de focos de inc\u00eandios, para a maioria dos Estados da regi\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 o maior dos \u00faltimos quatro anos. \u00c9 um \u00edndice impressionante, pois a estiagem deste ano est\u00e1 mais branda do que aquelas observada nos anos anteriores. At\u00e9 14 de agosto, eram 32.728 focos registrados, n\u00famero cerca de 60% superior \u00e0 m\u00e9dia dos tr\u00eas anos anteriores para o mesmo per\u00edodo&#8221;, diz o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua tradicional transmiss\u00e3o ao vivo no Facebook, no come\u00e7o da noite desta quinta-feira (22),\u00a0Bolsonaro\u00a0reconheceu que o desmatamento na Amaz\u00f4nia est\u00e1 aumentando e disse que est\u00e1 trabalhando para conter &#8220;este crime que est\u00e3o cometendo com a nossa Amaz\u00f4nia, as queimadas&#8221;. O presidente, no entanto, insistiu que inc\u00eandios florestais s\u00e3o comuns no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pega-se fogo. \u00c9 comum. Na Calif\u00f3rnia. Acontece, e da\u00ed. Aqui (no Brasil) tem o vi\u00e9s criminoso? Tem. Sei que tem. Quem \u00e9 que pratica isso? N\u00e3o sei. Os pr\u00f3prios fazendeiros, ONGs, seja l\u00e1 o que for, \u00edndios. Ent\u00e3o existe esse interesse (de outros pa\u00edses) de dizer que n\u00f3s n\u00e3o somos respons\u00e1veis, e quem sabe, mais cedo ou mais tarde algu\u00e9m decrete uma interven\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o amaz\u00f4nica&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem, pelo Twitter, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atribuiu o aumento dos inc\u00eandios ao clima. &#8220;Tempo seco, vento e calor fizeram com que os inc\u00eandios aumentassem muito em todo o pa\u00eds&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador Lu\u00eds Fernando Guedes Pinto, do instituto Imaflora, as informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes sobre as queimadas mostram que elas fazem parte de um processo de disputa das terras da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse fogo \u00e9 parte de uma quest\u00e3o de disputa de terras. \u00c9 um movimento para limpar e ocupar as \u00e1reas, e n\u00e3o para aumentar a produ\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 ocupar, na expectativa de que as terras ser\u00e3o regularizadas depois&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Lu\u00eds Fernando diz que declara\u00e7\u00f5es anteriores de governantes &#8211; como o pr\u00f3prio Jair Bolsonaro e o governador do Acre, Gladson Cameli (PP) &#8211; podem ter sinalizado para agricultores e grileiros uma diminui\u00e7\u00e3o nas puni\u00e7\u00f5es para quem destr\u00f3i. Para ele, as duas coisas est\u00e3o relacionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esses inc\u00eandios foram constru\u00eddos num ambiente no qual o governo federal e governantes estaduais disseram que n\u00e3o haveria fiscaliza\u00e7\u00e3o e nem puni\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11734\/production\/_108467417_hi055954704.jpg\" alt=\"No plano de fundo, o ministro Ricardo Salles aparece falando no microfone; na plateia, duas pessoas levantam cartazes em protesto\"\/><figcaption>Image captionEm evento em Salvador (BA), pessoas na plateia protestam durante fala de Salles; ministro atribuiu aumento de inc\u00eandios ao clima<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Correla\u00e7\u00e3o era esperada, diz climatologista<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o climatologista Carlos Nobre, a correla\u00e7\u00e3o entre desmatamento e queimadas j\u00e1 era esperada: geralmente, quem quer &#8220;limpar&#8221; um trecho de floresta costuma primeiro derrubar a mata e, ap\u00f3s alguns meses, atear fogo ao local.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A din\u00e2mica \u00e9 a seguinte: derrubar a floresta, esperar alguns meses para ela secar, e a\u00ed atear fogo. Se voc\u00ea tentar botar fogo no dia seguinte, n\u00e3o vai queimar, pois a vegeta\u00e7\u00e3o estar\u00e1 molhada&#8221;, diz. &#8220;Espera-se uns dois meses, e a\u00ed p\u00f5e fogo. E sempre, em todos os anos, agosto e setembro s\u00e3o os meses com o maior n\u00famero de queimadas&#8221;, diz ele \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como nesse ano todos os indicadores, do SAD (do Imazon), do Deter (de alertas de desmatamento) do Inpe, foram de aumento do desmatamento, era de se esperar o aumento da queimada&#8221;, afirma ele, que concluiu o doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>Nobre ressalta que o dado final sobre desmatamento \u00e9 o obtido por meio do sistema Prodes, do Inpe, que s\u00f3 deve ser divulgado em outubro. Mas as bases de dados usadas pela nota t\u00e9cnica do Ipam &#8220;est\u00e3o entre os melhores do mundo&#8221; no que se prop\u00f5e a medir &#8211; queimadas e alertas de desmatamento -, diz o climatologista.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nota t\u00e9cnica de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam) e da Universidade Federal do Acre mostra que o recente aumento no n\u00famero de queimadas na\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0est\u00e1 diretamente relacionado ao desmatamento. Os dez munic\u00edpios da regi\u00e3o com mais alertas de desmatamento s\u00e3o tamb\u00e9m os que mais registraram focos de inc\u00eandio neste ano. 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