{"id":17734,"date":"2019-08-21T09:42:32","date_gmt":"2019-08-21T12:42:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=17734"},"modified":"2019-08-21T09:42:33","modified_gmt":"2019-08-21T12:42:33","slug":"um-pouco-da-historia-da-ponte-do-cubatao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/21\/um-pouco-da-historia-da-ponte-do-cubatao\/","title":{"rendered":"Um pouco da hist\u00f3ria da Ponte do Cubat\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201c<em>Com a inaugura\u00e7\u00e3o da nova ponte sobre o rio Cubat\u00e3o, estamos escrevendo mais um cap\u00edtulo de uma hist\u00f3ria que queremos contar para reviver\u201d. Ess<\/em><em>a foi a introdu\u00e7\u00e3o de um<\/em><em>&nbsp;relato lido na homenagem aos pioneiros que constru\u00edram a primeira ponte e abriram as estradas da regi\u00e3o.&nbsp;<\/em><em>Tem<\/em><em>&nbsp;como fonte<\/em><em>s<\/em><em>&nbsp;a \u201cHist\u00f3ria de Guaratuba\u201d, de Joaquim da Silva Mafra, pesquisa feita pela doutora Denise Lopes Silva Gouveia, procuradora-geral do Munic\u00edpio de Guaratuba, nos textos que leu e nas entrevistas que fez com moradores do Cubat\u00e3o nas semanas que antecederam a inaugura\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma parte da hist\u00f3ria de uma Guaratuba nascida oficialmente em 1771, a hist\u00f3ria de uma localidade rural banhada por um rio chamado Cubat\u00e3o, que em 1912 recebeu um casal vindo dos Estados Unidos, R\u00e9o Bennett e Catarine Bennett, tendo adquirido terrenos \u00e0 beira do rio Cubat\u00e3ozinho, onde construiu sua moradia, usando de uma lancha pequena para chegar \u00e0 Fazenda e, desbravando matas, iniciou a planta\u00e7\u00e3o de bananeiras, trazendo mudas de Santa Catarina, transportadas num barco cujo nome era Erna.<\/p>\n\n\n\n<p>Milhares de mudas da preciosa banana \u201ccaturra\u201d chegaram \u00e0 Fazenda pelo rio Cubat\u00e3ozinho, foram plantadas e logo produziram. Mas os elevados custos e dificuldades para transportar sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o compensavam o investimento, fazendo com que R\u00e9o Bennett desistisse do cultivo de bananas.<\/p>\n\n\n\n<p>Montou ent\u00e3o uma ind\u00fastria extrativa de cana-de-a\u00e7\u00facar, instalando um grande engenho movido a vapor, produzindo aguardente e a\u00e7\u00facar mascavo, que em 1919 eram vendidos para o com\u00e9rcio de Paranagu\u00e1. Conta-se tamb\u00e9m que conduzia seus produtos aos portos de Santos, S\u00e3o Francisco do Sul, Itaja\u00ed e Florian\u00f3polis e que chegou a projetar um porto para Guaratuba<\/p>\n\n\n\n<p>Era um engenheiro ligado a grandes firmas americanas e por muitas vezes afastava-se de sua fazenda para trabalhar em outras cidades. Em 1923 voltou \u00e0 terra natal em visita aos pais, ap\u00f3s longa perman\u00eancia no Brasil, quando retornou de l\u00e1, os guaratubanos lhe ofereceram um baile em alegria pelo regresso e ele agradecendo a homenagem falou: \u201cQUANDO QUER VOLTA DO NORTE AM\u00c9RICA, MEUS PAIS PERGUNTAM: PORQUE VOLTA PRA BRASIL? E EU RESPONDE: \u2013 PORQUE L\u00c1 DEIXA O MEU GUARATUBA.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um vision\u00e1rio, que se apaixonou por Guaratuba e que entre outras tentativas de melhoria da regi\u00e3o, se esfor\u00e7ou para que a Companhia For\u00e7a e Luz de Curitiba fizesse em Guaratuba sua usina, o que somente aconteceu ap\u00f3s sua morte. Ele morreu em 1942.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1952 foram iniciados os estudos para a constru\u00e7\u00e3o da Usina de Guaricana; em 25 de setembro de 1953, a Cia. For\u00e7a e Luz obteve a concess\u00e3o do Governo Federal para iniciar as obras e sua inaugura\u00e7\u00e3o foi em 1957, sendo adquirida pela Copel quando houve a incorpora\u00e7\u00e3o da Cia. For\u00e7a e Luz do Paran\u00e1., localizando-se na margem esquerda do rio Arraial, no nosso munic\u00edpio. Arraial que \u00e9 um dos afluentes do rio Cubat\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos aqui a relembrar a hist\u00f3ria de uma \u00e1rea rural de Guaratuba, que, na d\u00e9cada de 50, nosso ilustre Joaquim da Silva Mafra escreveu: \u201cAs terras deste Munic\u00edpio s\u00e3o por demais conhecidas pela excel\u00eancia de sua fertilidade e nela desenvolvem-se admiravelmente o arroz, a cana de a\u00e7\u00facar e o milho que constituem a sua principal cultura, bem como a mandioca, a batata, o feij\u00e3o, o caf\u00e9, a laranja, o abacate, a goiaba e a banana. Tamb\u00e9m a pecu\u00e1ria tem o seu lugar reservado no Munic\u00edpio, onde \u00e9 exercida em pequena escala, sendo muito apropriadas para essa ind\u00fastria as terras do Cubat\u00e3o, Rasgado, Cubat\u00e3osinho, Limeira, etc.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E prossegue: \u201cNo dia em que esses povoados forem cortados por estradas, teremos nessa pequena regi\u00e3o, um celeiro agropecu\u00e1rio, com influ\u00eancias ben\u00e9ficas no desenvolvimento econ\u00f4mico do Estado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No dia em que esses povoados forem cortados por estradas!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ah, as nossas estradas&#8230; passados 27 anos desde que Guaratuba foi fundada, j\u00e1 se iniciou uma luta para que nosso Munic\u00edpio tivesse liga\u00e7\u00e3o com Curitiba e com o interior do estado, j\u00e1 que est\u00e1vamos quase privados de comunica\u00e7\u00e3o com o interior. A ponto de ser afirmado em 1855 que \u201csem essa comunica\u00e7\u00e3o direta, ficariam os guaratubanos em estado estacion\u00e1rio e relativamente decadentes\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1907, picaretas come\u00e7aram a rasgar o caminho, no Governo do Dr. Jo\u00e3o C\u00e2ndido. Mas quando o servi\u00e7o alcan\u00e7ava a Serra do Mar, ele foi afastado do Poder e a estrada parou&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1917 construiu-se um caminho cheio de voltas, chamada estrada do Alboit (nome do empreiteiro que a fez) que vinha de Paranagu\u00e1 at\u00e9 a ba\u00eda de Guaratuba, que da\u00ed era atravessada de canoa, por duas horas de viagem. Nessa estrada, a cada cinco dias, havia um servi\u00e7o regular de condu\u00e7\u00e3o em uma dilig\u00eancia tirada por cavalos.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim as tentativas foram sendo feitas, de modo que o Governo do Estado tinha interesse em abrir caminhos por Paranagu\u00e1 e Morretes, mas devido \u00e0 dificuldade da travessia da ba\u00eda, os moradores buscavam apoio para construir uma estrada pelo vale do rio do Melo. Como o governo n\u00e3o dava o apoio necess\u00e1rio, a pr\u00f3pria comunidade come\u00e7ou a construir a estrada. Em 1947 a comunidade que estava organizada e construindo a estrada, teve apoio do governo e em 24 de agosto de 1948, o povo de Guaratuba assistiu pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, a chegada, via direta, de um carro governamental, seguido de uma comitiva, sendo que em 27 de maio de 1950 foi inaugurada a estrada pronta, passando por Santa Catarina. E naquele dia, num almo\u00e7o oferecido ao Governador Moyses Lupion, ele desejou promissor futuro a nossa terra e arrematou, agora podemos dizer:&nbsp;<strong>GUARATUBA, LEVANTA-TE E ANDA.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Ponte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos tamb\u00e9m a lembrar alguns e a contar para outros, a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de sobrenome Pabst, que veio de Santa Catarina ali pelo ano de 1974, para o Taquaruvu e que passava como podia pelos caminhos abertos em meio \u00e0 mata, em puro brejo, atravessando, de carro\u00e7a ou de camionete Willys F 75 Ford, os rios Araraquara, Pai Paulo, do Melo.&nbsp;Uma fam\u00edlia cujo pai, o Sr. Alfredo Pabst&nbsp;levava caminh\u00e3o de tora extra\u00edda da mata para fora, e voltava com pedra para ir despejando no caminho, onde estivesse encalhando mais. As pedras eram as chamadas pedras de m\u00e3o (aquelas que se consegue carregar com os bra\u00e7os abertos) que eram buscadas na Praia da Pedra da Judite, em Garuva.<\/p>\n\n\n\n<p>Um tempo em que nessas terras havia algumas fam\u00edlias cujos pais eram Sr. Manoel Portugu\u00eas, Ricardo Valente, Seu Neco, Shimitano. Fam\u00edlias que plantavam aipim, criavam porco, cultivavam banana, tinham engenho de a\u00e7\u00facar ou de aguardente e usavam a produ\u00e7\u00e3o para troca e consumo das pr\u00f3prias fam\u00edlias. Vivia-se numa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, n\u00e3o havia para quem vender. Trocavam carne de porco por carne de boi. Havia um ou outro comprador, que vinha buscar de Curitiba e que respeitava uma esp\u00e9cie de fila entre os produtores, comprava de um hoje, de outro amanh\u00e3, do outro vizinho depois de amanh\u00e3 e assim por diante&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, eram muitos os caminh\u00f5es madeireiros e aquelas estradas moles iam ficando destru\u00eddas de tal maneira, que \u00e0s vezes era preciso conseguir um trator de esteira para ir na frente do caminh\u00e3o, o que dificultava ainda mais o escoamento de qualquer produto. Reflexo sentido pelo Sr. Alfredo Pabst, quando em 1977 deixou as toras e come\u00e7ou a trabalhar com banana, lutando com dificuldades por conta dos rios e estradas que encareciam e dificultavam o transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje lembramos tamb\u00e9m da saga vivida pelo Sr. Levino Pabst,&nbsp;que chegou no Cubat\u00e3o em 1986, onde era tudo pasto, de propriedade do Nego L\u00edlie o Sr. Levino come\u00e7ou a lidar com gado de leite.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois, um jovem de nome Jo\u00e3o Stolf que morava na cidade de Rodeio, Santa Catarina, localizada entre duas montanhas, onde cultivava fumo e arroz irrigado e que havia ouvido umas palestras da Epagri, (a Emater de Santa Catarina), sobre tipos de cultura que se saem melhor em \u00e1reas de morro, entre elas a banana. Ele tinha ido de Rodeio a Garuva conhecer o cultivo j\u00e1 consolidado e boa produ\u00e7\u00e3o de bananas, ficando encantado com a ideia de produzir a fruta, fazendo seu plantio l\u00e1 em Rodeio. Mais tarde veio ao Cubat\u00e3o, descobriu suas \u00e1reas f\u00e9rteis e planas e comprou 55 hectares do lado de l\u00e1 do rio Cubat\u00e3o, lado de l\u00e1 onde tamb\u00e9m estava o Sr. Levino.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em Rodeio, o Sr. Jo\u00e3o Stolf, que era casado e tinha uma filhinha pequena, chamada Elaine, de 4 anos, j\u00e1 possu\u00eda uma casa boa, com infraestrutura, j\u00e1 tinham uma carro e tinham resultado na agricultura, mas tudo era muito sacrificado e ele decidiu vir investir nesta terra, com a esperan\u00e7a de mudar de vida: o sonho de realmente viverem bem, uma busca de melhoria efetiva. E eles se desligaram das dificuldades e olharam para o futuro. O incr\u00edvel \u00e9 que em meio a essas dificuldades havia um rio, este rio Cubat\u00e3o, com 50 metros de largura, uma boa correnteza e um volume de \u00e1gua que crescia razoavelmente em \u00e9pocas de cheia.&nbsp;<strong>Mas o Sr. Jo\u00e3o n\u00e3o viu esse obst\u00e1culo, ele viu o seu sonho!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na terra rec\u00e9m comprada j\u00e1 havia uma casa, de madeira e com telhas, melhor do que grande parte das casas de mais ou menos umas 100 fam\u00edlias que moravam na regi\u00e3o, que eram de bambu e palha. Mas de qualquer forma, n\u00e3o tinha luz nem \u00e1gua e o banheiro era a privada no quintal. Ficavam 2 semanas em rodeio e 2 semanas no Cubat\u00e3o, porque aqui precisavam preparar a terra e plantar e l\u00e1 j\u00e1 havia subsist\u00eancia. Eram horas de viagem entre as duas propriedades e no caminho passavam no mercado para a compra dos mantimentos, na casa de ferragem, na agropecu\u00e1ria. Elaine, que em Rodeio j\u00e1 estava no pr\u00e9, trazia conte\u00fados para estudar aqui durante as duas semanas que ficaria longe da escola&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ah&#8230; mas e o rio? Ent\u00e3o, Sr. Jo\u00e3o al\u00e9m da esposa e filha, veio com o irm\u00e3o Vicente, e desde o come\u00e7o, Vicente fez boa amizade com o Elizeu, filho do Sr. Mois\u00e9s de Souza e a Dona Guilhermina, que moravam em frente ao rio. O Elizeu disponibilizou um espa\u00e7o, fizeram uma garagem improvisada com pl\u00e1stico e o carro do Sr. Jo\u00e3o ficava ali estacionado, porque de carro n\u00e3o dava para atravessar, mas atravessavam de trator e de caminh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo come\u00e7aram a plantar a banana e um ano e meio depois a primeira colheita. Foram plantando a terra pouco a pouco, come\u00e7ando com uns 5 hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>E o rio??? Atravessavam de trator, mas \u00e0s vezes o rio tava alto&#8230; as bananas suavam, batiam umas nas outras, logo preteavam e perdiam o valor. Colocavam as bananas num barco, criaram um sistema de cabo de a\u00e7o e corda, que fazia o barco atravessar sem precisar remar, apenas puxando com a corda, depois criaram um sistema ainda mais moderno, com dois ou tr\u00eas cabos de a\u00e7o e roldanas&#8230; mas o barco n\u00e3o era bem vedado, \u00e0s vezes tinha que tirar \u00e1gua com caneca, molhava as bananas&#8230; que luta! Do outro lado do rio ficava o caminh\u00e3o do comprador, j\u00e1 com as caixas, que acomodariam e transportariam as bananas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9, isso at\u00e9 poderia ficar assim para os fracos! Mas n\u00e3o para os nossos her\u00f3is! Jo\u00e3o e Levino conversaram entre si, desenvolveram a ideia, sofreram um pouco com d\u00favidas e descr\u00e9dito, por causa da correnteza do rio.&nbsp;<strong>Mas ousaram!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sr. Levino at\u00e9 foi \u00e0 Prefeitura conversar com o Prefeito da \u00e9poca para pedir ajuda, e a\u00ed ouviu do Prefeito uma pergunta: mas o que tem no outro lado do rio? L\u00e1 tem muita lavoura, contou! E convidou o prefeito para irem juntos de bateira atravessar e ver os bananais. O Prefeito foi&#8230; mas n\u00e3o conseguiu ajudar a fazer a ponte&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9, era o ano de 1990. Um vizinho, Dr. Edson, cedeu uma madeira morta, que j\u00e1 havia sido cortada tempos antes, era tudo tora de peroba, ararib\u00e1, canela, ara\u00e7\u00e1, ip\u00ea. O Sr. Levino retirou e arrastou de trator com um guincho. Levaram para Garuva para serrar; para os mour\u00f5es usaram s\u00f3 os cernes, plainaram, mandaram fazer de ferro no Rio Bonito as pontas que eram chapeadas e pregaram com prego grande na ponta de cada cerne para serem estaqueados no ch\u00e3o. Foram 38 mour\u00f5es. As travessas tamb\u00e9m foram tiradas dessa madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentaram algu\u00e9m que viesse fazer um servi\u00e7o de bate-estaca e n\u00e3o conseguiram ningu\u00e9m que quisesse ser contratado para fazer o servi\u00e7o, porque era na \u00e1gua. O Sr. Valdemar Chaves se disp\u00f4s a ajudar e conseguiu um da cidade em Guaratuba, que tava sem motor, jogado num capim. Tinha um peso de 500 kg. Sr. Levino emprestou o motor do Tobata. Improvisaram uma ponte flutuante para apoiar o bate-estaca e ficaram cerca de 7 semanas batendo. Entravam no rio com trator, amarravam com corrente e batiam as estacas. A ponte foi sendo feita em partes. Levaram quase um ano fazendo a ponte, sem p\u00f4r em risco suas atividades na lavoura, mas muitas vezes deixando-as s\u00f3 por conta dos empregados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o em janeiro de 1991 esses homens conseguiram o feito extraordin\u00e1rio de inaugurar uma ponte sobre o rio Cubat\u00e3o, com sua pr\u00f3pria for\u00e7a, seus pr\u00f3prios recursos, seu tempo, seu amor!<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, colocados ao lado da ponte nova do Cubat\u00e3o, est\u00e3o tr\u00eas dos 38 mour\u00f5es usados na estrutura da ponte, o do meio inclusive mant\u00eam um dos grampos e prego que o prendiam \u00e0 parte de cima. Em cada mour\u00e3o tem uma placa, uma com o nome dos homens que lutaram para que aquela ponte ficasse pronta, foram eles: Alceu Pabst, Antonio Costa Miranda \u2013 Seu Neno (in memorian), Ant\u00f4nio Mattos \u2013 Nico Jango, Claudio Freire, Deolindio Alves, Donato Costa, Elizeu Souza Lara (in memorian), Expedito Vitor de Lima, Ivo Spezia, Jaime Marques Pereira, Jo\u00e3o Costa Miranda \u2013 Jo\u00e3o Navalha \u2013 (in memorian), Jo\u00e3o Marques \u2013 Jango Marques, Jo\u00e3o Stolf, Joel Spezia, Jos\u00e9 Vitor de Mattos (Zuza), Levino Pabst, Mois\u00e9s de Souza, Rubens Marques Pereira, Vicente Stolf (in memorian) e Zeni Miranda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Estrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas para a comunidade a ponte era apenas um dos desafios, havia tamb\u00e9m uma estrada a ser constru\u00edda. E aqui vai mais uma parte da nossa hist\u00f3ria! A abertura da estrada da Limeira, dando acesso at\u00e9 Morretes.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui entra em cena um outro homem que n\u00e3o se deteve diante dos obst\u00e1culos, de nome Carlos Pabst, o Sr. Cali!<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1997 o Sr. Cali decidiu abrir os valos para drenar os brejos, usando 9 estivas de 9 metros, com um PC Comata 150. O operador era o Bentevi, que sabia operar aquela m\u00e1quina sobre estiva como ningu\u00e9m. Pra contratar o servi\u00e7o, a despesa foi dividida entre 3 produtores. Na hora de abastecer a m\u00e1quina, o diesel era levado em tambores de 100 ou 200 litros em cima de uma padiola e iam andando sobre o brejo. O irm\u00e3o do Sr. Cali, o Hermes, dava um apoio puxando as estivas para lev\u00e1-las \u00e0 frente da m\u00e1quina, \u00e0 medida que as valetas iam sendo abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram homens sem muito recurso, mas no vigor de seus 30 ou 40 anos, com sonhos e disposi\u00e7\u00e3o, lutavam juntos, ainda que lhes custasse a carne dos ombros e a pele das m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Num dos trechos da estrada, chamado Baixo da Farinha, usavam um bambu de 6 metros de comprimento para ver a profundidade da terra podre e ele afundava inteiro como se n\u00e3o tivesse nada embaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de um ano drenando foi que o caminho estava em condi\u00e7\u00e3o de se tornar uma estrada. Ent\u00e3o era a hora de p\u00f4r estivas com madeira de toda qualidade, uma pertinho da outra, no sentido horizontal, para tentar preencher ao m\u00e1ximo e deixar o ch\u00e3o firme. Sr. Cali lembra do Samuel da Veiga, e o suporte que ele e sua fam\u00edlia deram para a estrada acontecer. Sr. Cali mais uns 4 ou 5 empregados ficaram hospedados por 45 dias sem ir pra casa, na casa do Samuel, cujas meninas iam na estrada levar as marmitas para ali comerem e n\u00e3o deixarem o servi\u00e7o por nada. Samuel e a fam\u00edlia ajudavam a carregar o combust\u00edvel para a m\u00e1quina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, colocadas as estivas, era a hora de colocar o barro e o saibro em cima do estivado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto estavam fazendo os valos para a drenagem, a comunidade foi falar com o prefeito, e ele respondeu: fa\u00e7am o dreno que a estrada eu fa\u00e7o, mas n\u00e3o apareceu mais. Em 1999 quando conseguiu passar pela primeira vez, tranquilamente com uma camionete de tra\u00e7\u00e3o nas 4 rodas na estrada, Sr. Cali foi \u00e0 Prefeitura e convidou o prefeito para ver o trabalho e ele foi e ficou impressionado com o que viu acontecer sem sua ajuda. Mas depois deu apoio para alguns servi\u00e7os para manter e melhorar a estrada, inclusive do outro lado do rio.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse trabalho de manuten\u00e7\u00e3o tem acontecido e a Prefeitura tem sido parceira. Mas a comunidade do Cubat\u00e3o continua fazendo sua parte de uma maneira espetacular. E o Sr. Cali, Sr. Beto e a Associa\u00e7\u00e3o continuam firmes, indo onde muitas vezes o poder p\u00fablico sozinho n\u00e3o alcan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que ent\u00e3o hoje estamos inaugurando a nova ponte? \u00c9 que nesses 28 anos e meio ela teve que ser reformada 4 vezes por causa das enchentes. Chegaram a tirar toda a prancha de cima e fazer tudo de novo. Em 2004 ou 2005, com um caminh\u00e3o carregado de saibro, pra ficar pesado, foi amarrado um cabo de a\u00e7o no caminh\u00e3o e na parte de cima da ponte, no tabuleiro de madeira e ele foi sendo arrastado para a terra, de modo a sair de cima das estruturas, para ser desmanchado e as pranchas consertadas. Em 11 de mar\u00e7o de 2011, a grande enchente levou parte da ponte. Foi o pior estrago. Agora, as travessas estavam apodrecendo, algumas quebradas e o pior, a estrutura j\u00e1 estava danificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Sr. Cali contou que chegaram a passar, no seu auge, com caminh\u00e3o carregado de brita, cujo peso total chegava a 30 toneladas, com carreta carregada de banana, com peso total de 40 toneladas. Sr. Jo\u00e3o Stolf disse que chegou a passar com carreta carregada de bananas com 45 toneladas e que por agora, j\u00e1 n\u00e3o estava mais resistindo nem um caminh\u00e3o truck de 24 toneladas. Com isso, precisavam deixar de novo o caminh\u00e3o na estrada, e dar seis viagens de trator sobre a ponte, para encher o caminh\u00e3o truck.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, as fam\u00edlias desta terra viam-se voltando ao passado, com extrema dificuldade no escoamento de sua produ\u00e7\u00e3o de bananas, principal fonte de renda da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma Nova Ponte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, j\u00e1 como Prefeito, Roberto Justus ouvia de muitas pessoas com quem conversava na cidade, um discurso contr\u00e1rio aos benef\u00edcios da \u00e1rea rural, dizendo que n\u00e3o valia a pena investir ali, que o povo \u00e9 desunido, que havia muita reclama\u00e7\u00e3o. Foi conhecer realmente de perto as fam\u00edlias, seu trabalho, seus problemas e se identificou com cada uma dessas pessoas. Viu homens e mulheres guerreiros, povo bom, lugar bonito, estrada boa. Ouviu essas pessoas, se convenceu das necessidades que tinham. Unificou seus pedidos, pensou num projeto maior. Se interessou na produ\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia um pensamento recorrente entre os prefeitos anteriores: \u201cse eu tiver um bom dinheiro para investir, vou investir onde? No s\u00edtio ou na cidade? Claro que na cidade, onde muito mais gente v\u00ea.\u201d Foi quase 1 milh\u00e3o e 400 mil!! E Roberto teve a ousadia de investir esse recurso no s\u00edtio!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi nada f\u00e1cil!! Foram muitas cr\u00edticas, o projeto era adequado \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o, adequado \u00e0 demanda e principalmente adequado ao valor que o Governo do Estado poderia dispor.<\/p>\n\n\n\n<p>O que deveria fazer um Prefeito, desculpar-se com a popula\u00e7\u00e3o, dizendo que j\u00e1 que n\u00e3o dava para fazer uma obra fara\u00f4nica, uma ponte em que coubessem dois caminh\u00f5es ao mesmo tempo, com guarda-corpo e passarela para pedestres, era melhor n\u00e3o fazer nada? Ou deveria enxergar exatamente aquilo que a popula\u00e7\u00e3o clamava e ansiava e realizar?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele realizou, ousou, e justamente aqueles homens que um dia constru\u00edram a ponte, foram os que se mantiveram firmes com ele, confiaram! E sofreram juntos!<\/p>\n\n\n\n<p>E junto com o Roberto tamb\u00e9m, segurando as pontas, brigando por ele e por esta comunidade, convencendo o Governo, desvendando as verbas dispon\u00edveis, brigando conosco para n\u00e3o descuidarmos dos prazos, esteve o Deputado Nelson Justus, a ele nossa gratid\u00e3o!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Texto: Denise Lopes Silva Gouveia<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hora de reconhecer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ap\u00f3s a leitura, dra. Denise Gouveia conduziu uma s\u00e9rie de homenagens. Segue o texto do cerimonial elaborado pela procuradora:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 17 de agosto, quando j\u00e1 descerradas as placas de inaugura\u00e7\u00e3o e oficialmente inaugurada a ponte pelo Prefeito Roberto Justus, Governador Carlos Massa Ratinho Junior e o Deputado Nelson Justus, a comunidade e tantos convidados se reuniram novamente para o prosseguimento da cerim\u00f4nia. Fizeram ent\u00e3o uso da palavra o Sr. Alaor de Oliveira Miranda, a Sra. Elaine Stolf, o Sr. Marcio Scholz, presidente da ASPAG \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Pro-Agricultura Sustent\u00e1vel de Guaratuba e o Sr. Paulo Pinna, Secret\u00e1rio Municipal das Demandas da \u00c1rea Rural. Ent\u00e3o a Dra. Denise Gouveia contou a hist\u00f3ria que transcrevemos acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s esse momento, em nome do Munic\u00edpio e da pr\u00f3pria comunidade, ela convidou para ficarem em p\u00e9, \u00e0 frente: o Sr. Jo\u00e3o Stolf, o Sr. Levino Pabst, o Sr. Carlos Pabst, a Sra. Elisabeth Steuck Costa \u2013 cujo marido \u2013 Sr. Jo\u00e3o Miranda Costa, conhecido como Jo\u00e3o Navalha, faleceu infelizmente, dois meses antes de ver seu sonho completamente realizado, o Sr. Alaor de Oliveira Miranda, cuja for\u00e7a nos fez mais resistentes, o Prefeito Roberto Justus e o Deputado Nelson Justus. Cada um recebeu placas contendo palavras de gratid\u00e3o e reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve tamb\u00e9m uma demonstra\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o aos servidores do Munic\u00edpio, os engenheiros e todo o pessoal do urbanismo, os da licita\u00e7\u00e3o e do jur\u00eddico, todo o pessoal das finan\u00e7as e do Controle Interno porque pra conseguir recursos \u00e9 preciso ter certid\u00f5es negativas e os valorosos servidores de duas Secretarias: Obras e Demandas da \u00c1rea Rural que seja na \u00faltima reforma da ponte, no in\u00edcio deste ano ou durante o apoio na constru\u00e7\u00e3o e nessa fase final foram incans\u00e1veis em trabalhar!<\/p>\n\n\n\n<p>A procuradora-geral ainda concluiu: \u201cSenhores, o tempo foi longo, mas n\u00e3o poderia passar em branco tudo o que vimos aqui. Quero ainda dizer que durante as entrevistas que fiz e as minhas vindas ao Cubat\u00e3o fui ficando emocionada com o valor que voc\u00eas t\u00eam como pessoas e principalmente como cidad\u00e3os. Voc\u00eas lutam, n\u00e3o ficam de bra\u00e7os cruzados esperando que as coisas aconte\u00e7am. V\u00e3o buscar!<\/p>\n\n\n\n<p>Quero ressaltar tamb\u00e9m com o papel executado pelas mulheres desta terra e quero citar algumas mulheres que pe\u00e7o para virem a frente, \u00e0 medida que forem citados seus nomes. Me impressionei com: 1) a do\u00e7ura e a for\u00e7a com que a \u00c1urea Lara nos recebeu, as tentativas que fez para achar as fotos que precis\u00e1vamos e quando j\u00e1 est\u00e1vamos indo pro carro ela veio correndo com uma \u00faltima foto em m\u00e3os, falando com dificuldade de coisas do tempo em que o marido era vivo. Fotos que est\u00e3o no banner e numa das placas da ponte; 2) com uma menininha de 4 anos, mocinha, uma jovem mulher, segura de si, agr\u00f4noma formada pela UFSC, que faz tanta diferen\u00e7a nos neg\u00f3cios do seu pai, nos seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios e em prol da comunidade \u2013 Elaine Stolf. 3) Tamb\u00e9m me impressionei, sem ao menos conhecer, com a Dona Ruth Pabst, pois quando chegamos para falar com seu marido, apesar de seus 77 anos, ela estava na ro\u00e7a, dando comida \u00e0s vacas no final da tarde; 4) Com a Neia, ah&#8230; o sorriso, a amabilidade e os bolos da Neia! Aquela sede da Secretaria de Demandas, cheia de gente e a Neia sempre pronta, atendendo a todos com gentileza e simpatia! 5) E me impressionei muito, finalmente, com a Sra. \u00c9dela Pabst, ouvindo as palavras de seu marido, Sr. Cali: quem deu realmente condi\u00e7\u00f5es para que eu fizesse tudo o que fiz foi a minha esposa. Ela cuidou dos 5 filhos pequenos, do bananal, das vacas, da casa. Fiscalizava e atendia os empregados, pondo a m\u00e3o na massa o tempo todo, preparava comida a noite, para levar quando a gente estava na estrada. Do come\u00e7o at\u00e9 a conclus\u00e3o das estradas foram mais de 2 anos e meio e ela estava ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Portal da Cidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCom a inaugura\u00e7\u00e3o da nova ponte sobre o rio Cubat\u00e3o, estamos escrevendo mais um cap\u00edtulo de uma hist\u00f3ria que queremos contar para reviver\u201d. Essa foi a introdu\u00e7\u00e3o de um&nbsp;relato lido na homenagem aos pioneiros que constru\u00edram a primeira ponte e abriram as estradas da regi\u00e3o.&nbsp;Tem&nbsp;como fontes&nbsp;a \u201cHist\u00f3ria de Guaratuba\u201d, de Joaquim da Silva Mafra, pesquisa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[42,55],"tags":[],"class_list":{"0":"post-17734","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cidades","8":"category-curiosidades"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/pnte.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17734"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17734"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17734\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17736,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17734\/revisions\/17736"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}