{"id":17662,"date":"2019-08-20T11:02:21","date_gmt":"2019-08-20T14:02:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=17662"},"modified":"2019-08-20T11:02:23","modified_gmt":"2019-08-20T14:02:23","slug":"casal-de-curitiba-se-doa-ao-mundo-por-causas-humanitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/20\/casal-de-curitiba-se-doa-ao-mundo-por-causas-humanitarias\/","title":{"rendered":"Casal de Curitiba se doa \u2018ao mundo\u2019 por causas humanit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\n<p>O amor dos farmac\u00eauticos Francelise Bridi Cavassin, 37 anos, e Eduardo da Silva Barbosa, 40, transcende o relacionamento de um casal. Juntos h\u00e1 nove anos, eles levam esse amor para as causas humanit\u00e1rias que atendem, atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF veja explica\u00e7\u00e3o no quadro). Diferente da maioria dos casais, que relaxa em viagens de f\u00e9rias, Francelise e Eduardo v\u00e3o doar o seu conhecimento profissional em causas humanit\u00e1rias ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Francelise \u00e9 professora universit\u00e1ria e, durante as f\u00e9rias (dezembro a fevereiro), sai em miss\u00f5es pelo MSF. Eduardo, ao contr\u00e1rio, passa o ano viajando em miss\u00f5es. Por isto, o casal se v\u00ea pouco. Este ano, por exemplo, se viram um total de sete semanas. Mas eles n\u00e3o ligam, pois entendem que a causa que defendem \u00e9 algo maior.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Edital<\/h2>\n\n\n\n<p>Edu fez seu primeiro trabalho para a entidade no Complexo do Alem\u00e3o, no Rio de Janeiro, em 2008. Ele ficou por um ano. \u201cEu comecei a pesquisar sobre o MSF e vi que \u00e9 uma entidade muito respeitada ao redor do mundo. L\u00e1 eu tamb\u00e9m encontrei um respeito pelo meu trabalho como em nenhuma outra empresa por onde passei\u201d, conta Eduardo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta \u00e9poca, Fran j\u00e1 tinha se candidatado para ser volunt\u00e1ria da entidade, escondido da fam\u00edlia. Mesmo j\u00e1 tendo duas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es e atuado de coordenadora de farm\u00e1cia hospitalar, n\u00e3o foi aprovada, porque n\u00e3o tinha experi\u00eancia com HIV. Ent\u00e3o ela analisou as exig\u00eancias e come\u00e7ou a montar um curr\u00edculo direcionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010, Eduardo foi recrutado para sua primeira miss\u00e3o como expatriado (quando o volunt\u00e1rio atende miss\u00e3o em outro pa\u00eds) em Serra Leoa. Ele j\u00e1 estava l\u00e1 trabalhando quando o MSF Brasil fez uma exposi\u00e7\u00e3o nas capitais brasileiras, para divulgar a entidade. Fran se voluntariou para arrumar a exposi\u00e7\u00e3o em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recadinho<\/h2>\n\n\n\n<p>Na exposi\u00e7\u00e3o, havia um mapa mundi com as fotos de brasileiros que estavam em miss\u00f5es ao redor do globo. Era poss\u00edvel escrever recados de incentivo aos volunt\u00e1rios. \u201cEra muita gente. Ent\u00e3o eu selecionei s\u00f3 os tr\u00eas colegas de profiss\u00e3o e escrevi um recado igual para todos. Tr\u00eas meses depois o Edu me mandou um e-mail agradecendo a mensagem\u201d, disse Fran.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disto, os dois come\u00e7aram a trocar e-mails. J\u00e1 que o sonho dela era sair em miss\u00e3o, passou a perguntar muitas coisas a Edu, o que fez ela criar uma admira\u00e7\u00e3o muito grande por ele. Em fevereiro de 2011, Edu voltou de Serra Leoa e convidou Fran para visita-lo no Rio de Janeiro, onde morava. Seriam apenas tr\u00eas dias, j\u00e1 que ele estava escalado para outra miss\u00e3o de quatro meses na Som\u00e1lia. Ela foi, o amor surgiu e o namoro come\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Safari<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/cacadores-de-noticias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/08\/casal-msf-marco-charneski-tribuna2.jpg\" alt=\"Foto: Marco Charneski\/Tribuna do Paran\u00e1\" class=\"wp-image-29228\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Relacionamento do casal come\u00e7ou em um safari na \u00c1frica. Foto: Marco Charneski\/Tribuna do Paran\u00e1<\/p>\n\n\n\n<p>Em quase toda miss\u00e3o de MSF, os expatriados ganham uma semana de folga. Ent\u00e3o Edu convidou Fran para fazer um safari com ele na \u00c1frica. Foi a segunda vez que os dois se viram pessoalmente. A terceira foi quando Edu encerrou a miss\u00e3o e veio a Curitiba conhecer a fam\u00edlia dela.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, a felicidade de Fran se completou. Primeiro ela foi aprovada para a sua primeira miss\u00e3o, de sete meses na \u00cdndia. Depois, ela j\u00e1 estava na \u00cdndia e Edu na Ucr\u00e2nia, quando ambos aproveitaram a semana de folga para se encontrarem em Istambul, na Turquia, onde ele a pediu em casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Noivos, eles queriam se conhecer melhor e, meses depois, conseguiram algo que \u00e9 muito raro em MSF: trabalharem \u201cjuntos\u201d. Na verdade, eles foram para a mesma miss\u00e3o, na Serra Leoa, por 12 meses. Mas Edu trabalhava num local e ela em outro, visto que MSF n\u00e3o permite certos relacionamentos dentro do ambiente de trabalho. Mesmo assim, conseguiam se ver nas horas livres e se conhecer melhor, j\u00e1 que estavam noivos e tinham convivido pouco pessoalmente. Na volta da viagem, compraram uma casa juntos, se casaram e Edu veio morar em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o MSF?<\/h2>\n\n\n\n<p>M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o internacional que leva cuidados de sa\u00fade a pessoas afetadas por graves crises humanit\u00e1rias sociais (guerras, epidemias, etc.) ou naturais (terremotos, furac\u00f5es, etc.). Tamb\u00e9m \u00e9 miss\u00e3o de MSF chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos. MSF n\u00e3o tem fins lucrativos, \u00e9 apol\u00edtica e suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o 96% custeadas por doa\u00e7\u00f5es. Quer ser doador? Veja&nbsp;no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.msf.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site do MSF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Unidos pela causa<\/h2>\n\n\n\n<p>O amor dos farmac\u00eauticos Eduardo e Francelise s\u00f3 aumentou, pois segundo Fran, ela cultiva uma admira\u00e7\u00e3o enorme por Edu. E ele acha maravilhosa a forma como ela se entrega \u00e0s causas humanit\u00e1rias. E por isto o relacionamento d\u00e1 certo, mesmo o casal passando tanto tempo distante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tribunapr.com.br\/cacadores-de-noticias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/08\/casal-msf-marco-charneski-tribuna3-1140x760.jpg\" alt=\"\u201cUm d\u00e1 for\u00e7a ao outro, incentiva a ir \u00e0s miss\u00f5es, porque h\u00e1 muita gente no mundo que precisa deste trabalho&quot;. Foto: Marco Charneski\/Tribuna do Paran\u00e1\" class=\"wp-image-29229\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cUm d\u00e1 for\u00e7a ao outro, incentiva a ir \u00e0s miss\u00f5es, porque h\u00e1 muita gente no mundo que precisa deste trabalho\u201d. Foto: Marco Charneski\/Tribuna do Paran\u00e1<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm d\u00e1 for\u00e7a ao outro, incentiva a ir \u00e0s miss\u00f5es, porque h\u00e1 muita gente no mundo que precisa deste trabalho. Muita gente n\u00e3o entende, nos critica por deixar o parceiro longe tanto tempo. Mas nossa vis\u00e3o \u00e9 outra. E as miss\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o intensas, o trabalho \u00e9 t\u00e3o envolvente, que n\u00e3o d\u00e1 tempo de pensar muito na saudade\u201d, diz ela, que sacrifica at\u00e9 mesmo Natal, Ano Novo e o anivers\u00e1rio de Edu, que \u00e9 dia 23 de dezembro, em prol das miss\u00f5es, visto que ela s\u00f3 pode sair quando est\u00e1 de f\u00e9rias da faculdade que d\u00e1 aulas. \u201cE a minha experi\u00eancia com as causas humanit\u00e1rias enriquece muito o meu trabalho em sala de aula\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA saudade aperta mesmo quando eu vejo ela passando pelo check in do aeroporto. O cora\u00e7\u00e3o aperta. \u00c0s vezes ela quer estar junto no meu anivers\u00e1rio. Mas a gente sabe o quanto as miss\u00f5es precisam e um d\u00e1 for\u00e7a ao outro\u201d, diz Edu, com um olhar apaixonado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fam\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>Sobre filhos, Fran e Edu dizem que ainda n\u00e3o possuem uma resposta. \u201cO amor que a gente desenvolveu \u00e9 al\u00e9m de n\u00f3s dois. A gente se conheceu nesse mundo. A gente tem essa crian\u00e7ada que atendemos mundo afora. N\u00f3s cuidamos de muitos filhos por a\u00ed e nos sentimos muito amados por eles\u201d, explica Fran.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sorrisos que valem a pena<\/h2>\n\n\n\n<p>O casal conta de uma experi\u00eancia muito feliz que tiveram em Serra Leoa. Bem na frente do estoque de medicamentos que trabalhavam havia um menino de quatro anos, que passava o dia vendo o pai costurar. Um dia, o pai do garoto perguntou se tinham algum dinheiro para lhe dar, para pagar o transporte at\u00e9 a cl\u00ednica do MSF, do outro lado da cidade, pois o filho estava doente. \u201cEra coisa assim de uns R$ 5. A gente deu e ele levou a crian\u00e7a. Dias depois, o menino apareceu com uma sacola cheia de frutas para nos presentear. E uma cartinha de agradecimento, que ele pediu para um dos nossos colegas traduzir do idioma local para o ingl\u00eas\u201d, conta Fran.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo Natal, compramos um presente pra ele. Era um joguinho. Quando entregamos, ele pegou o pacote na m\u00e3o e ficou olhando para o pai, sem saber o que fazer, porque n\u00e3o sabia o que era. Eles n\u00e3o possuem estas tradi\u00e7\u00f5es por l\u00e1. Foi ent\u00e3o que o pai disse que era um presente e que ele poderia abrir. Ele j\u00e1 sentou com um sorriso enorme, come\u00e7ou a brincar. Nas despedidas, a gente \u00e0s vezes atravessa campinhos de futebol cheios de crian\u00e7as te abra\u00e7ando. S\u00e3o sorrisos que valem a pena\u201d, diz Edu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dificuldades<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que nem tudo \u00e9 \u201clindo\u201d nas miss\u00f5es. Em locais de guerra, desnutri\u00e7\u00e3o infantil ou surto de ebola, por exemplo, os expatriados lidam com muitas coisas tristes. Em algumas comunidades atendidas n\u00e3o h\u00e1 saneamento b\u00e1sico. At\u00e9 mesmo os volunt\u00e1rios tomam banho de caneca e fazem as necessidades na latrina. \u201cCom tudo isso a gente aprende a n\u00e3o julgar, aprende a valorizar muitas coisas, n\u00e3o faz tempestade em copo d\u2019\u00e1gua. Nossa magnitude de problemas como casal \u00e9 outra\u201d, explica a farmac\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo, o casal diz que tem gerenciado tudo isso de forma tranquila. \u201cO MSF tem toda uma equipe de apoio, psic\u00f3logos, psiquiatras. Qualquer \u2018abalo\u2019 seu j\u00e1 tem uma equipe pronta pra te atender. Se voc\u00ea sente saudades da fam\u00edlia na hora eles j\u00e1 abrem o Skype pra voc\u00ea falar com quem quiser. E se voc\u00ea n\u00e3o aguentar, pode voltar pra casa\u201d, explica Fran.<\/p>\n\n\n\n<p>Edu j\u00e1 n\u00e3o trabalha tanto na \u201clinha de frente\u201d como Fran. Sua tarefa, com a qual ele faz carreira em MSF, hoje em dia \u00e9 a de gerenciar os estoques de medicamentos. \u201cExiste a preocupa\u00e7\u00e3o de que esteja tudo em ordem, que n\u00e3o falte medicamentos, pois a maioria vem de navio e demora de tr\u00eas a quatro meses para chegar. Tem que ter tudo programado, previsto com anteced\u00eancia. E n\u00e3o podemos pedir a mais, para ter de \u2018reserva\u2019, pra n\u00e3o estragar. Tudo em respeito ao dinheiro do doador, pois um dinheiro \u2018gasto a mais\u2019 poderia estar indo para outra miss\u00e3o. A responsabilidade \u00e9 enorme\u201d, explica Edu.<\/p>\n\n\n\n<p>TribunaPr<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor dos farmac\u00eauticos Francelise Bridi Cavassin, 37 anos, e Eduardo da Silva Barbosa, 40, transcende o relacionamento de um casal. Juntos h\u00e1 nove anos, eles levam esse amor para as causas humanit\u00e1rias que atendem, atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF veja explica\u00e7\u00e3o no quadro). 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