{"id":17340,"date":"2019-08-15T16:13:53","date_gmt":"2019-08-15T19:13:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=17340"},"modified":"2019-08-15T16:13:55","modified_gmt":"2019-08-15T19:13:55","slug":"como-a-vida-moderna-aumentou-o-estresse-e-como-podemos-evita-lo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/15\/como-a-vida-moderna-aumentou-o-estresse-e-como-podemos-evita-lo\/","title":{"rendered":"Como a vida moderna aumentou o estresse &#8211; e como podemos evit\u00e1-lo"},"content":{"rendered":"\n<p>Em novembro de 2017, dois cirurgi\u00f5es oftalmol\u00f3gicos de um hospital em Beirute, capital do L\u00edbano, relataram um caso intrigante de um problema de vis\u00e3o sofrido por um colega. Especialista em retina, ele de repente desenvolveu uma mancha na vista.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de passar um dia estressante na sala de cirurgia, a vis\u00e3o do m\u00e9dico ficou emba\u00e7ada em um dos olhos. E n\u00e3o foi a primeira vez que isso tinha acontecido. O cirurgi\u00e3o havia sofrido quatro epis\u00f3dios do tipo em apenas um ano, cada um precedido por um dia estressante.<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico dele foi de coriorretinopatia serosa central (CSR). Uma pequena quantidade de l\u00edquido se acumulou sob uma pequena regi\u00e3o da retina do cirurgi\u00e3o, fazendo com que ela se soltasse temporariamente. Ele melhorou depois de algumas semanas, e um plano r\u00edgido de controle do estresse no hospital impediu que outro epis\u00f3dio voltasse a ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Descrita pela primeira vez em 1866, a CSR tem sido ligada a estresse desde a Segunda Guerra Mundial, quando v\u00e1rios casos foram relatados entre militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora pesquisas subsequentes tenham associado a CSR ao estresse, muitas vezes ela \u00e9 rotulada como &#8220;idiop\u00e1tico&#8221; (decorrente de uma causa desconhecida). Mas os cirurgi\u00f5es de Beirute rotularam a condi\u00e7\u00e3o &#8220;CSR da sala de cirurgia&#8221;, identificando o estresse como causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao refletir sobre o que tornara o colega vulner\u00e1vel ao estresse, os m\u00e9dicos notaram que novas t\u00e9cnicas cir\u00fargicas, possibilitadas por uma tecnologia melhor, estenderam os limites f\u00edsicos do que um cirurgi\u00e3o \u00e9 capaz de fazer. Embora esse progresso tivesse ampliado o escopo da cirurgia, operar nesses limites colocava uma enorme tens\u00e3o mental no cirurgi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1959, o especialista em gest\u00e3o Peter Drucker previu que uma transi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica na natureza do trabalho ocorreria 50 anos depois. Ele cunhou um termo para este novo tipo de servi\u00e7o, o &#8220;trabalho de conhecimento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele antecipou que esse novo modelo envolveria uma mudan\u00e7a do esfor\u00e7o f\u00edsico para o mental. Mais tarde, Drucker escreveu que o centro de gravidade do trabalho mudaria para &#8220;o homem que p\u00f5e para trabalhar o que tem entre as orelhas, em vez da habilidade de suas m\u00e3os&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da cirurgia do olho validou algumas das previs\u00f5es de Drucker. \u00c0 medida que a tecnologia avan\u00e7a, ela troca de foco, da habilidade f\u00edsica das m\u00e3os do cirurgi\u00e3o para as habilidades mentais de an\u00e1lise e concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sala de opera\u00e7\u00f5es de cirurgia ocular \u00e9, at\u00e9 certo ponto, um microcosmo do local de trabalho no mundo de hoje, onde a natureza evolutiva exige menos do corpo e mais da mente. Consequentemente, a mente est\u00e1 se tornando uma grande v\u00edtima de riscos ocupacionais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/ACC5\/production\/_108292244_estresse2.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebro\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com o Health and Safety Executive (HSE), ag\u00eancia de incentivo e regula\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do Reino Unido, o estresse, a depress\u00e3o ou a ansiedade responderam por 57% de todos as faltas no trabalho por doen\u00e7a nos anos de 2017 e 2018. A crescente import\u00e2ncia da mente sobre a produtividade tem despertado interesse tamb\u00e9m sobre os malef\u00edcios desse fen\u00f4meno. O foco caiu no estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1nos Hugo Bruno &#8220;Hans&#8221; Selye, um m\u00e9dico canadense-h\u00fangaro, cunhou a primeira defini\u00e7\u00e3o de &#8220;estresse&#8221; na d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pegou emprestada a palavra de Robert Hooke, f\u00edsico ingl\u00eas do s\u00e9culo 17, que descreveu a rela\u00e7\u00e3o entre estresse f\u00edsico sobre um objeto e a consequente tens\u00e3o. Selye teria se arrependido de ter usado a palavra &#8220;estresse&#8221; em vez de &#8220;tens\u00e3o&#8221;, o que deixou o primeiro termo com um legado de certa ambiguidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a \u00e9poca de Selye, pesquisas revelaram que uma rea\u00e7\u00e3o aguda de estresse decorre de uma rica tape\u00e7aria de processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos hoje que os bungee jumpers se tornam resistentes \u00e0 insulina imediatamente ap\u00f3s um salto. E que o estresse de dar aulas para 200 alunos gera marcadores de inflama\u00e7\u00f5es em professores universit\u00e1rios. Esses processos oferecem vantagens quando em situa\u00e7\u00f5es de perigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia tempor\u00e1ria \u00e0 insulina, por exemplo, garante que o a\u00e7\u00facar atinja um c\u00e9rebro sob press\u00e3o, enquanto a inflama\u00e7\u00e3o ergue um escudo protetor contra visitantes indesejados que entram atrav\u00e9s de ferimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos de uma rea\u00e7\u00e3o de estresse aguda e saud\u00e1vel s\u00e3o, em sua maioria, tempor\u00e1rios, cessando quando uma experi\u00eancia estressante termina. E quaisquer efeitos duradouros podem \u00e0s vezes nos deixar melhor do que antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos em ratos, por exemplo, descobriram que o estresse por algumas horas pode aumentar o n\u00famero de c\u00e9lulas cerebrais &#8220;rec\u00e9m-nascidas&#8221; em uma parte do c\u00e9rebro, o que pode corresponder a um melhor desempenho em certos tipos de testes de mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FAE5\/production\/_108292246_estresse3.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebro\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o estresse muito frequente, muito intenso ou mesmo constante nos coloca sob tens\u00e3o prolongada. V\u00e1rios dos agentes envolvidos no estresse passam a reagir de forma n\u00e3o-linear &#8211; seus efeitos mudam de curso com a atividade prolongada. Como resultado, o estresse cr\u00f4nico induz uma mudan\u00e7a gradual e persistente nos par\u00e2metros psicol\u00f3gicos e fisiol\u00f3gicos que tendem a caminhar por rumos incertos e desordenados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os bra\u00e7os simp\u00e1ticos e parassimp\u00e1ticos do sistema nervoso aut\u00f4nomo &#8211; uma rede nervosa que controla processos involunt\u00e1rios, como press\u00e3o sangu\u00ednea, respira\u00e7\u00e3o e digest\u00e3o &#8211; desempenham um papel crucial no desenvolvimento da resposta aguda ao estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante per\u00edodos de medo ou raiva, a atividade simp\u00e1tica (respons\u00e1vel pela resposta de &#8220;luta ou fuga&#8221;) sobe temporariamente e a atividade parassimp\u00e1tica (das respostas &#8220;repousar e digerir&#8221;) diminui. Se esse padr\u00e3o de atividade persistir na aus\u00eancia de estresse, no entanto, esse processo pode levar a hipertens\u00e3o e outras doen\u00e7as. Da mesma forma, enquanto a reatividade emocional tempor\u00e1ria sob estresse agudo nos ajuda a prever o perigo, uma mudan\u00e7a sustentada na din\u00e2mica da regula\u00e7\u00e3o emocional pode nos levar a transtornos de humor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7a estrutural<\/h2>\n\n\n\n<p>Suspeita-se que o estresse cr\u00f4nico tenha um papel no crescente \u00f4nus global da hipertens\u00e3o e do diabetes tipo 2. Pesquisas apontam que, com os ratos, ele tamb\u00e9m aumenta a depress\u00e3o. Outros estudos em animais e mesmo em humanos sugerem que o estresse cr\u00f4nico pode at\u00e9 alterar a estrutura do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro estudo do g\u00eanero, a professora Ivanka Savic e seus colegas do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, ambos na Su\u00e9cia, recentemente compararam os c\u00e9rebros de pessoas que sofrem de estresse cr\u00f4nico relacionado ao trabalho com aquelas saud\u00e1veis e menos estressadas. Para isso, eles usaram t\u00e9cnicas de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores encontraram uma diferen\u00e7a nas regi\u00f5es ativas na aloca\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o, tomada de decis\u00e3o, mem\u00f3ria e processamento de emo\u00e7\u00f5es. Nas pessoas estressadas, o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal parecia mais fino, a am\u00edgdala parecia mais espessa e o n\u00facleo caudado era menor. O afinamento no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal se correlacionou com a pior regula\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Para estabelecer se o estresse cr\u00f4nico tinha criado essas mudan\u00e7as ou se simplesmente havia correla\u00e7\u00e3o, os pesquisadores fizeram a varredura dos c\u00e9rebros novamente ap\u00f3s um programa de reabilita\u00e7\u00e3o de estresse de tr\u00eas meses baseado em terapia cognitiva e exerc\u00edcios respirat\u00f3rios. O afinamento no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal foi revertido.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o estudo tivesse limita\u00e7\u00f5es (n\u00e3o havia um grupo de controle de pessoas estressadas que n\u00e3o tinham se submetido a tratamento, por exemplo), essa revers\u00e3o indicava a possibilidade de que o estresse cr\u00f4nico pudesse ter causado o afinamento. Outros estudos descobriram que altos n\u00edveis circulantes do horm\u00f4nio cortisol se correlacionam com a piora da mem\u00f3ria e com a diminui\u00e7\u00e3o de partes do c\u00e9rebro, mesmo em uma idade relativamente jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mudan\u00e7as podem ser, em parte, consequ\u00eancia da natureza pl\u00e1stica de nossos c\u00e9rebros, uma manifesta\u00e7\u00e3o de seu extraordin\u00e1rio talento para se adaptar ao que quer que seja exigido dele. No meio de um combate, por exemplo, a reatividade emocional aumentada \u00e9 uma vantagem de sobreviv\u00eancia, enquanto as fun\u00e7\u00f5es cognitivas superiores se tornam redundantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Recalibrar o estado basal do c\u00e9rebro para aumentar a efici\u00eancia poderia salvar a vida de um soldado em combate, por exemplo. No cen\u00e1rio de um local de trabalho que depende do foco e da complexa tomada de decis\u00f5es, no entanto, a regula\u00e7\u00e3o emocional comprometida e o decl\u00ednio da mem\u00f3ria podem limitar a produtividade. A mudan\u00e7a na estrutura do c\u00e9rebro \u00e9 mal-adaptativa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14905\/production\/_108292248_estresse4.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebro\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O estresse cr\u00f4nico geralmente ataca atrav\u00e9s de uma rota psicossocial e \u00e9 influenciado pela percep\u00e7\u00e3o. Embora isso torne o estudo emp\u00edrico do problema desafiador, ele tamb\u00e9m revela um caminho potencial para o gerenciamento do estresse cr\u00f4nico: a experi\u00eancia perceptiva de uma pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo \u00e9 o efeito da &#8220;rumina\u00e7\u00e3o&#8221; de pensamentos. Relembrar uma experi\u00eancia estressante depois que ela termina pode ativar caminhos similares \u00e0 experi\u00eancia real. Isso pode manter a rea\u00e7\u00e3o de estresse &#8220;ativada&#8221;, mesmo que o motor do problema n\u00e3o esteja mais presente. Isso faz com que a experi\u00eancia seja percebida como mais angustiante do que realmente era quando aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, prevenir que pessoas &#8220;ruminem&#8221; momentos negativos reduz a press\u00e3o arterial mais rapidamente ap\u00f3s o per\u00edodo de estresse agudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O estresse cr\u00f4nico tem sido associado \u00e0 hipertens\u00e3o e, em um pequeno estudo randomizado, pesquisadores americanos, incluindo Lynn Clemow, da Columbia University Medical Center, usaram o treinamento para o controle do estresse (com base em uma oficina cognitivo-comportamental) para efetivamente baixar a press\u00e3o arterial sist\u00f3lica em pacientes com hipertens\u00e3o. O decl\u00ednio na press\u00e3o se correlacionou com um decl\u00ednio na rumina\u00e7\u00e3o depressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O elemento perceptivo do estresse pode ser a raz\u00e3o pela qual algumas interven\u00e7\u00f5es entre mente e corpo, como ioga, t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o, podem beneficiar o controle do estresse atrav\u00e9s de efeitos na melhoria da regula\u00e7\u00e3o emocional, reduzindo a reatividade ao estresse e acelerando a recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pode explicar por que algumas t\u00e9cnicas, como a medita\u00e7\u00e3o, mostraram resultados mistos em estudos controlados. \u00c9 poss\u00edvel que a t\u00e9cnica da medita\u00e7\u00e3o para aten\u00e7\u00e3o plena possa ser suscet\u00edvel a rumina\u00e7\u00e3o e pensamentos negativos repetitivos em algumas pessoas, mas n\u00e3o em outras. O estresse percebido pode variar com fatores gen\u00e9ticos e epigen\u00e9ticos, tra\u00e7os individuais, padr\u00f5es de pensamento e comportamento, al\u00e9m da jornada da vida at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Status e controle<\/h2>\n\n\n\n<p>De certa forma, o c\u00e9rebro imita uma m\u00e1quina de previs\u00e3o que ativamente infere seu ambiente para criar uma representa\u00e7\u00e3o da realidade. Uma percep\u00e7\u00e3o de incerteza, imprevisibilidade ou falta de controle pode sinalizar que h\u00e1 uma falha em seu modelo de realidade e promover o estresse.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4895\/production\/_108318581_estresse5.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebro\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dessa teoria reside na maneira como o estresse \u00e9 moderado por status social. Ter um alto status social atenua sua rea\u00e7\u00e3o ao estresse psicol\u00f3gico. Ent\u00e3o, se voc\u00ea acha que esse status pode ser desafiado e diminu\u00eddo, talvez seja melhor que ele esteja em um patamar mais baixo. Essa sensa\u00e7\u00e3o de perda de controle pode desempenhar um papel primordial no processo em que a competi\u00e7\u00e3o, a desigualdade e o sentimento de ser julgado pelos outros geram estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um mundo previs\u00edvel sobre o qual voc\u00ea tem controle de tudo, uma causa deve levar a um efeito previs\u00edvel. Uma incompatibilidade frequente entre o esfor\u00e7o e a recompensa por ele frustra essa sensa\u00e7\u00e3o de controle percebido. Consequentemente, um &#8220;desequil\u00edbrio entre esfor\u00e7o-recompensa&#8221; \u00e9 uma fonte de estresse cr\u00f4nico no local de trabalho. Ou seja, se voc\u00ea acha que faz um \u00f3timo trabalho e n\u00e3o recebe os benef\u00edcios por esse esfor\u00e7o, a tend\u00eancia \u00e9 que seu estresse aumente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas a natureza de nossas intera\u00e7\u00f5es sociais que podem exacerbar o estresse. O impacto de algumas facetas da vida urbana na rea\u00e7\u00e3o ao estresse tamb\u00e9m pode ter sido subestimado. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, por exemplo, pode acelerar a recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o estresse e diminuir seus marcadores. A luz brilhante ou a exposi\u00e7\u00e3o noturna a telas de LED podem atrasar a libera\u00e7\u00e3o da melatonina, um horm\u00f4nio que reduz a ansiedade. Exerc\u00edcios f\u00edsicos de baixa intensidade, por exemplo, reduzem os n\u00edveis circulantes de cortisol.<\/p>\n\n\n\n<p>A urbaniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 aumentando o consumo de alimentos processados &#8211; e uma dieta baseada nesses produtos tem sido associada \u00e0 incid\u00eancia de sintomas depressivos em pelo menos dois grandes grupos de pessoas. Os nossos h\u00e1bitos alimentares modificam os microrganismos que vivem no sistema digestivo. Esses microrganismos, atrav\u00e9s do contato com c\u00e9lulas imunit\u00e1rias e outras vias, podem influenciar a forma como a mente reage ao estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 evid\u00eancias de que modelar a microbiota intestinal com alimentos espec\u00edficos ou tomar probi\u00f3ticos podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade. Os primeiros resultados sugerem que tomar uma \u00fanica cepa ou uma combina\u00e7\u00e3o de probi\u00f3ticos pode reduzir a fadiga mental e melhorar o desempenho cognitivo durante o estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma exposi\u00e7\u00e3o de 2015 no Petit Palais em Paris, o artista belga Thomas Lerooy apresentou uma met\u00e1fora visual perceptiva do estresse mental em uma exibi\u00e7\u00e3o chamada &#8220;N\u00e3o h\u00e1 c\u00e9rebro suficiente para sobreviver&#8221;. A escultura de bronze mostrava um corpo classicamente belo, arqueado pelo peso de uma cabe\u00e7a grotescamente ampliada e bastante triste.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio da pe\u00e7a de Lerooy, a cabe\u00e7a humana n\u00e3o se expande e afunda no ch\u00e3o \u00e0 medida que sua carga de estresse se torna mais pesada. Fadiga mental depois de um procedimento oft\u00e1lmico complexo \u00e9 invis\u00edvel. O quadro pintado pela exaust\u00e3o mental \u00e9 abstrato em compara\u00e7\u00e3o com os sinais bem reconhecidos de esfor\u00e7o f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o mental \u00e9 um fator limitante de desempenho em uma idade em que a carga f\u00edsica \u00e9 cada vez mais convertida em carga mental. \u00c0 medida que avan\u00e7amos na era da informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 hora de o enigma do estresse cr\u00f4nico finalmente sair das sombras.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro de 2017, dois cirurgi\u00f5es oftalmol\u00f3gicos de um hospital em Beirute, capital do L\u00edbano, relataram um caso intrigante de um problema de vis\u00e3o sofrido por um colega. Especialista em retina, ele de repente desenvolveu uma mancha na vista. 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