{"id":17277,"date":"2019-08-15T10:44:48","date_gmt":"2019-08-15T13:44:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=17277"},"modified":"2019-08-15T10:44:50","modified_gmt":"2019-08-15T13:44:50","slug":"foi-o-pior-juri-da-minha-vida-a-advogada-que-ajudou-a-condenar-o-assassino-do-marido-e-do-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/15\/foi-o-pior-juri-da-minha-vida-a-advogada-que-ajudou-a-condenar-o-assassino-do-marido-e-do-filho\/","title":{"rendered":"&#8216;Foi o pior j\u00fari da minha vida&#8217;: a advogada que ajudou a condenar o assassino do marido e do filho"},"content":{"rendered":"\n<p>A advogada Elizabeth Diniz Martins atuou em diversos casos ao longo dos 50 anos de carreira, entre eles a defesa de presos pol\u00edticos durante a ditadura militar. &#8220;Em um dos julgamentos, havia uma metralhadora encostada em mim&#8221;, relembra. Tamb\u00e9m atuou na defesa do hoje presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ajudou a inocent\u00e1-lo em um processo que ele respondia na Justi\u00e7a Militar no fim da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os casos do passado n\u00e3o se comparam ao j\u00fari popular do qual a advogada participou como assistente de acusa\u00e7\u00e3o &#8211; fun\u00e7\u00e3o na qual auxilia o promotor de Justi\u00e7a &#8211; no \u00faltimo dia 6. Aos 77 anos, Elizabeth se viu em meio ao julgamento mais dif\u00edcil de sua vida: o do assassino confesso do marido e do filho ca\u00e7ula dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Os procuradores estaduais Saint-Clair Martins e Saint-Clair Diniz, respectivamente pai e filho, foram mortos a tiros em setembro de 2016. Os dois estavam em uma fazenda deles, no munic\u00edpio mato-grossense de Vila Rica, a 1.276 km de Cuiab\u00e1, quando foram alvos de disparos feitos por um funcion\u00e1rio da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser preso, dias depois do crime, o ent\u00e3o gerente da fazenda, Jos\u00e9 Bonfim Alves, confessou os assassinatos \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo que os tr\u00e2mites jur\u00eddicos do caso tiveram in\u00edcio, Elizabeth, ainda abalada, avisou que faria parte da acusa\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o da advogada preocupou amigos e parentes. &#8220;Muitas pessoas se ofereceram para que fossem assistentes de acusa\u00e7\u00e3o em meu lugar, por achar que eu n\u00e3o conseguiria. Mas eu disse que precisava fazer aquilo, porque era o meu papel naquele momento&#8221;, conta Elizabeth \u00e0 BBC News Brasil. Uma pessoa interessada em que a justi\u00e7a seja feita pode se habilitar como assistente de acusa\u00e7\u00e3o e, com autoriza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima ou da fam\u00edlia, a Justi\u00e7a define se acolhe ou n\u00e3o o pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto analisava o processo, ela se emocionava com frequ\u00eancia. &#8220;Eu sempre procurava pensar que era outro cliente. Mas quando chegava a algum trecho que mencionava os nomes deles, eu n\u00e3o aguentava e chorava&#8221;, diz. Ela lia os documentos da a\u00e7\u00e3o judicial sozinha, para que os parentes n\u00e3o a vissem chorar. &#8220;Fazia isso sempre durante a noite, em casa, quando ningu\u00e9m estava por perto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carreira na advocacia<\/h2>\n\n\n\n<p>A busca por Justi\u00e7a ao marido e ao filho trazem \u00e0 mem\u00f3ria de Elizabeth o per\u00edodo em que ela atuou defendendo m\u00e3es ou mulheres de presos pol\u00edticos durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985. No per\u00edodo, a advogada conheceu hist\u00f3rias de mulheres que passaram anos em busca de desaparecidos &#8211; muitas acabaram descobrindo que os entes queridos haviam sido assassinados pelo regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela relata que at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia, em 1979, defendia diariamente pessoas que eram v\u00edtimas da viol\u00eancia da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9114\/production\/_108304173_saint21.jpg\" alt=\"Elizabeth no j\u00fari popular como assistente de acusa\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em um dos casos \u00e0 \u00e9poca, conheceu Saint-Clair, que tamb\u00e9m estava defendendo presos pol\u00edticos. Logo se apaixonaram, engataram um namoro e se mudaram para Bras\u00edlia. O casal viveria na capital brasileira em grande parte dos 45 anos de casados, comemorados em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>Na redemocratiza\u00e7\u00e3o, Elizabeth tamb\u00e9m atuou na defesa de militares que eram alvos da Justi\u00e7a. Em 1988, ela defendeu o ent\u00e3o capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Jair Bolsonaro, acusado de elaborar um plano terrorista para explodir bombas em unidades militares do Rio de Janeiro. Ele foi absolvido no Superior Tribunal Militar (STM) por nove votos a quatro. &#8220;Ningu\u00e9m acreditava, mas conseguimos que ele fosse absolvido&#8221;, declara.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As propriedades rurais<\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto a Elizabeth estava focada na carreira de advogada, Saint-Clair se dividia entre o meio jur\u00eddico e uma outra paix\u00e3o: as fazendas. O advogado, que durante d\u00e9cadas foi procurador no Distrito Federal, passou a inf\u00e2ncia em uma propriedade rural e sempre se declarou apaixonado pelo campo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B824\/production\/_108304174_saint3outro.jpg\" alt=\"A fazenda da fam\u00edlia onde o crime ocorreu\"\/><figcaption>Image captionA fazenda da fam\u00edlia onde o crime ocorreu: o campo era uma das paix\u00f5es de Saint-Clair<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ele tinha propriedades rurais em cidades de Minas Gerais e sonhava em comprar uma fazenda em Mato Grosso, por considerar uma regi\u00e3o pr\u00f3spera. Ele concretizou o sonho em 2007, quando foi ao Estado para cuidar de um processo e soube de uma fazenda \u00e0 venda em Vila Rica.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro empregado que ele contratou para trabalhar ali foi Jos\u00e9 Bonfim Alves, indicado por um conhecido dele. &#8220;O Bonfim parecia ser de inteira confian\u00e7a e trabalhava direitinho&#8221;, diz Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<p>Saint-Clair administrava a fazenda em Vila Rica a dist\u00e2ncia. Ele ia para a propriedade rural, em m\u00e9dia, a cada tr\u00eas meses. O filho ca\u00e7ula, Saint-Clair Diniz, al\u00e9m de ter o mesmo nome que o pai e tamb\u00e9m ser procurador, tamb\u00e9m tinha em comum o amor pelo campo. Juntos, os dois administravam a propriedade rural da fam\u00edlia em Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>Elizabeth e o marido t\u00eam outros dois filhos, Bruno e Raquel, hoje com 45 e 42 anos. O ca\u00e7ula, por\u00e9m, era o mais ligado \u00e0s fazendas do pai. Casado e pai de tr\u00eas filhos, Saint-Clair Diniz era procurador do Rio de Janeiro e representava o Estado em Bras\u00edlia, onde morava com a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Aposentado como procurador do Distrito Federal, Saint-Clair Martins planejava transferir toda a administra\u00e7\u00e3o da fazenda em Vila Rica ao ca\u00e7ula.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DF34\/production\/_108304175_saint3.jpg\" alt=\"Saint-Clair Martins e Saint-Clair Diniz, pai e filho\"\/><figcaption>Image captionCa\u00e7ula dos tr\u00eas filhos do casal, Saint-Clair Diniz herdara o nome do pai<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O crime<\/h2>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de setembro de 2016, pai e filho foram \u00e0 propriedade rural em Mato Grosso. No local, foram recebidos por Bonfim, como de costume. Saint-Clair Martins e o filho iriam separar o gado da fazenda quando notaram que das mais de mil cabe\u00e7as compradas nos \u00faltimos anos, havia menos de 100 no local.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso, os procuradores estranharam o sumi\u00e7o de grande parte do gado. &#8220;Testemunhas disseram que sa\u00edram v\u00e1rios caminh\u00f5es com gado da fazenda, enquanto meu marido e meu filho n\u00e3o estavam na propriedade&#8221;, diz Elizabeth. Bonfim teria ficado amedrontado com a possibilidade de ser descoberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 9 de setembro de 2016, o gerente da fazenda chamou Saint-Clair Martins para um passeio a cavalo, na manh\u00e3 seguinte. O principal objetivo seria mostrar que ainda havia mais de mil cabe\u00e7as de gado. Bonfim e o patr\u00e3o foram a cerca de 1,3 km da sede da propriedade. No local afastado, conforme a den\u00fancia, disparou tr\u00eas tiros nas costas da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12D54\/production\/_108304177_saint4outro.jpg\" alt=\"Bonfim durante o j\u00fari popular\"\/><figcaption>Image captionBonfim durante o j\u00fari popular: quatro dias ap\u00f3s o assassinato, ele foi localizado em Colinas do Tocantins e confessou os crimes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bonfim retornou \u00e0 sede da fazenda e chamou Saint-Clair Diniz. Ele disse ao procurador que o pai dele havia passado mal e ca\u00eddo em meio ao mato, em uma \u00e1rea afastada, e pediu ajuda para resgatar o idoso. &#8220;Quando o meu filho chegou ao local e se debru\u00e7ou sobre o pai, o Bonfim deu tr\u00eas tiros nele. Um dos disparos atingiu a cabe\u00e7a&#8221;, relata Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<p>As v\u00edtimas morreram no local do crime. Durante dias, o procurador aposentado, de 78 anos, e o filho, 38, foram considerados desaparecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O gerente fugiu quando come\u00e7aram as buscas pelos propriet\u00e1rios da fazenda e foi considerado suspeito pela pol\u00edcia. Quatro dias ap\u00f3s o crime, Bonfim foi localizado em Colinas do Tocantins (TO), onde foi preso em flagrante por porte ilegal de arma e confessou ter assassinado os procuradores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele confessou friamente. Estava calmamente sentado, tomando cerveja e fugindo. Disse que iria para a Bahia. Quando os policiais falaram que ele era acusado de dois homic\u00eddios, ele confessou friamente e disse que matou porque estava com medo de ser descoberto (sobre as vendas do gado dos patr\u00f5es)&#8221;, diz Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17B74\/production\/_108304179_saint8.jpg\" alt=\"A fam\u00edlia: Saint-Clair Diniz, Bruno Souto, Saint-Clair Martins, Elizabeth e Raquel Souto\"\/><figcaption>Image captionSaint-Clair Diniz, Bruno Souto, Saint-Clair Martins, Elizabeth e Raquel Souto: &#8216;N\u00e3o conseguia acreditar naquilo. Dali at\u00e9 o enterro, n\u00e3o lembro de mais nada&#8217;, diz Elizabeth sobre o momento em que recebeu a not\u00edcia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>At\u00e9 os corpos serem localizados, Elizabeth acreditava que os dois tinham sido alvos de sequestro e aguardava um pedido de resgate. A espera terminou quase uma semana depois.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O meu filho chegou no meu escrit\u00f3rio e me disse: &#8216;mam\u00e3e, se prepara porque a not\u00edcia n\u00e3o \u00e9 boa&#8217;. Ele me contou que o Bonfim matou o pai e o irm\u00e3o. Eu estava sentada e desmontei. Andei pelo escrit\u00f3rio incr\u00e9dula. N\u00e3o conseguia acreditar naquilo. Fiquei totalmente a\u00e9rea. Dali at\u00e9 o enterro, n\u00e3o lembro de mais nada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Assistente de acusa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde a descoberta do crime, a condena\u00e7\u00e3o de Bonfim se tornou um dos principais objetivos na vida de Elizabeth e seus familiares. Ela conta que nunca quis que o assassino fosse punido por meio de agress\u00e3o ou outras formas que n\u00e3o fossem relacionadas ao sistema judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/47A4\/production\/_108304381_saint6outro.jpg\" alt=\"Elizabeth no j\u00fari popular como assistente de acusa\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption>Image caption&#8217;Respirei fundo para n\u00e3o chorar diante do j\u00fari&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Pedi que meus familiares entendessem que n\u00e3o dever\u00edamos pensar em viol\u00eancia contra ele. Meus filhos s\u00e3o muito obedientes e me respeitaram. N\u00e3o s\u00e3o pessoas revoltadas. Sempre fomos contra a viol\u00eancia. Eu disse a eles que far\u00edamos a Justi\u00e7a dos homens. E deixa que Deus faz a Justi\u00e7a dele depois.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que se tornou assistente de acusa\u00e7\u00e3o porque queria participar ativamente da busca por Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi\u00fava de Saint-Clair Diniz, a ju\u00edza federal Maria Cec\u00edlia de Marco Rocha apoiou a decis\u00e3o da sogra. &#8220;A dona Beth teve e tem minha inteira confian\u00e7a para o desempenho desse papel t\u00e3o importante. Nesse caso espec\u00edfico, o amor de esposa e de m\u00e3e foi vetor da atua\u00e7\u00e3o dela&#8221;, relata \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo que recebeu o processo do caso, Elizabeth se deparou com a parte que considera uma das mais dif\u00edceis: as imagens dos corpos do marido e do filho assassinados. &#8220;Sou cat\u00f3lica e muito ligada \u00e0 religi\u00e3o. Precisei de muita f\u00e9 para ser forte nesse processo&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13204\/production\/_108304387_saint7.jpg\" alt=\"Elizabeth e o marido\"\/><figcaption>Image captionElizabeth e o marido: &#8216;N\u00e3o perdoo nunca. Nem eu, nem meus filhos. N\u00e3o sou t\u00e3o boa assim com esse neg\u00f3cio de perd\u00e3o&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A filha da advogada via a m\u00e3e trabalhando durante a noite e questionava se era o processo do pai e do irm\u00e3o. &#8220;Eu sempre dizia que eram outros nomes. N\u00e3o queria que meus filhos ou netos tivessem acesso \u00e0quilo, para que n\u00e3o ficassem abalados. Eu falava que o processo do meu marido e do meu filho estava no escrit\u00f3rio&#8221;, relembra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A condena\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A luta por Justi\u00e7a teve o epis\u00f3dio mais importante no j\u00fari popular. Quase tr\u00eas anos ap\u00f3s o crime, Bonfim, hoje com 45 anos, foi julgado na comarca de Vila Rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para um time de sete jurados, Elizabeth defendeu a condena\u00e7\u00e3o de Bonfim. Na plateia, parentes e amigos acompanhavam atentos ao discurso da advogada. Em muitos momentos, ela se emocionou. &#8220;Respirei fundo para n\u00e3o chorar diante do j\u00fari&#8221;, revela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/95C4\/production\/_108304383_saint5outro.jpg\" alt=\"Bonfim durante o j\u00fari popular\"\/><figcaption>Image captionO julgamento aconteceu quase tr\u00eas anos ap\u00f3s os assassinatos de Saint-Clair e do filho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse foi o pior j\u00fari. Nada supera. N\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o.&#8221; Quando discursou no j\u00fari, Elizabeth procurou poupar a fam\u00edlia das imagens dos entes queridos mortos. &#8220;Quis mostrar as fotos somente para os jurados. N\u00e3o queria que a plateia, onde estavam meus filhos e minha nora, vissem no que meu marido e meu filho foram transformados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10AF4\/production\/_108304386_saint9outro.jpg\" alt=\"Na plateia, familiares e amigos se emocionaram durante j\u00fari popular\"\/><figcaption>Image captionNa plateia, familiares e amigos se emocionaram durante j\u00fari popular<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O j\u00fari popular durou cerca de 15 horas. Bonfim chegou a pedir desculpas \u00e0 fam\u00edlia das v\u00edtimas. &#8220;N\u00e3o perdoo nunca. Nem eu, nem meus filhos. N\u00e3o sou t\u00e3o boa assim com esse neg\u00f3cio de perd\u00e3o. Se \u00e9 que perdoar isso seria bondade&#8221;, afirma Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<p>Bonfim, que est\u00e1 preso desde setembro de 2016, foi condenado a 47 anos e tr\u00eas meses de reclus\u00e3o e a um ano e seis meses de deten\u00e7\u00e3o. Conforme a legisla\u00e7\u00e3o, a reclus\u00e3o come\u00e7a no regime fechado, pode evoluir para o semiaberto, e, posteriormente, aberto. J\u00e1 a deten\u00e7\u00e3o \u00e9 mais branda, come\u00e7a no semiaberto e depois para o aberto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BCD4\/production\/_108304384_saint6.jpg\" alt=\"Elizabeth e Saint-Clair no dia do casamento\"\/><figcaption>Image captionElizabeth e Saint-Clair no dia do casamento: eles ficaram 45 anos juntos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao fim do j\u00fari, Elizabeth conta que teve o sentimento de dever cumprido. &#8220;Fiquei aliviada, mas muito triste. N\u00e3o est\u00e1vamos felizes, porque meu marido e o meu filho ca\u00e7ula n\u00e3o estavam ali.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela comenta que n\u00e3o planeja mais participar de j\u00fari popular em sua carreira. &#8220;\u00c9 muito pesado. Quero que esse tenha sido o \u00faltimo. Acho que n\u00e3o consigo fazer outro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada e os familiares avaliam a possibilidade de recorrer da decis\u00e3o, para pedir que a condena\u00e7\u00e3o aplicada a Bonfim seja maior. &#8220;Eu acho que poderia ser mais de 50 anos, porque foram dois homic\u00eddios. Ainda n\u00e3o decidimos se vamos recorrer. A gente ainda est\u00e1 muito cansado&#8221;, conta a advogada, que confessa chorar quase diariamente de saudade do filho e do marido.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Bonfim deve recorrer da decis\u00e3o na Justi\u00e7a, para tentar reduzir a pena aplicada a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A advogada Elizabeth Diniz Martins atuou em diversos casos ao longo dos 50 anos de carreira, entre eles a defesa de presos pol\u00edticos durante a ditadura militar. &#8220;Em um dos julgamentos, havia uma metralhadora encostada em mim&#8221;, relembra. 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