{"id":17171,"date":"2019-08-14T12:36:36","date_gmt":"2019-08-14T15:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=17171"},"modified":"2019-08-14T12:36:37","modified_gmt":"2019-08-14T15:36:37","slug":"santa-casa-e-usp-buscam-formas-de-usar-rins-de-porcos-em-transplantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/14\/santa-casa-e-usp-buscam-formas-de-usar-rins-de-porcos-em-transplantes\/","title":{"rendered":"Santa Casa e USP buscam formas de usar rins de porcos em transplantes"},"content":{"rendered":"\n<p> Em laborat\u00f3rios de importantes institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, especialistas est\u00e3o debru\u00e7ados em m\u00e9todos para resolver o problema da fila para transplante de rim, que supera os 29,5 mil pacientes no Brasil. Com t\u00e9cnicas diferentes, a Santa Casa de\u00a0Miseric\u00f3rdia de S\u00e3o Paulo e a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) estudam meios de como usar rins de porcos para transplante em humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Santa Casa, o m\u00e9todo pesquisado \u00e9 a descelulariza\u00e7\u00e3o, que consiste em retirar as c\u00e9lulas do \u00f3rg\u00e3o do porco, por meio de lavagem com um tipo de detergente org\u00e2nico. Depois, o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 repovoado com c\u00e9lulas humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundador da startup de biotecnologia Eva Scientific, o bioengenheiro Andreas Kaasi integra a equipe do Instituto de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e Educa\u00e7\u00e3o (Ipitec) da Santa Casa, que trabalha no projeto para o uso do \u00f3rg\u00e3o do porco h\u00e1 pouco mais de um ano. &#8220;O \u00f3rg\u00e3o que come\u00e7ou bord\u00f4 fica cada vez mais branco. O processo dura cerca de 24 horas. Ant\u00edgenos e c\u00e9lulas que poderiam causar rejei\u00e7\u00e3o (no paciente humano) ser\u00e3o removidos.&#8221; Apesar de assumir apar\u00eancia fantasmag\u00f3rica, com a perda da cor, o rim mant\u00e9m o formato original.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a Santa Casa teria capacidade para produzir 50 rins por semana. &#8220;\u00c9 uma possibilidade para quebrar o descompasso entre demanda de \u00f3rg\u00e3os e disponibilidade.&#8221; Sobre a previs\u00e3o de usar a t\u00e9cnica em humanos, Kaasi estima prazo de 10 a 15 anos. &#8220;Chegamos \u00e0 metade do caminho. Conseguimos anonimizar (descelularizar) o \u00f3rg\u00e3o do porco, que tem a mesma anatomia para ser humanizado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Diretor executivo do Ipitec, Luiz Ant\u00f4nio Rivetti afirma que o andamento da pesquisa anima. &#8220;Os resultados s\u00e3o melhores do que a gente imaginava. O glom\u00e9rulo (unidade funcional do rim) estava preservado. O repovoamento (com c\u00e9lulas humanas) \u00e9 a pr\u00f3xima fase.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Xenotransplante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na USP, a t\u00e9cnica \u00e9 diferente. A proposta \u00e9 trabalhar com engenharia gen\u00e9tica, com um m\u00e9todo chamado xenotransplante. No lugar de trocar as c\u00e9lulas do \u00f3rg\u00e3o, o objetivo nesse modelo \u00e9 criar animais modificados geneticamente. Isso permitiria que esses porcos j\u00e1 n\u00e3o tivessem as prote\u00ednas que causam rejei\u00e7\u00e3o hiperaguda no homem. H\u00e1 cerca de dois anos, especialistas estudam esse formato por meio da t\u00e9cnica CRISPR-Cas9, de edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, usada em pesquisas americanas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma t\u00e9cnica que retira, acrescenta ou deleta genes do genoma de qualquer ser vivo&#8221;, afirma Silvano Raia, professor em\u00e9rito da Faculdade de Medicina da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a primeira etapa, a ideia \u00e9 trabalhar com rim e pele do porco. O animal foi escolhido por ter mais semelhan\u00e7as com os humanos do que os macacos. &#8220;Eles (su\u00ednos) s\u00e3o mais parecidos na alimenta\u00e7\u00e3o, o manuseio \u00e9 mais f\u00e1cil e crescem depressa para chegar aos 70 quilos, 75 quilos, que \u00e9 o peso m\u00e9dio do receptor (humano). Tamb\u00e9m \u00e9 f\u00e9rtil e tem ninhadas de 18 a 20 filhotes&#8221;, afirma Raia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor, testes em humanos, rigorosos, s\u00f3 ser\u00e3o realizados com aprova\u00e7\u00e3o pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), para avaliar riscos e benef\u00edcios aos pacientes. A alternativa j\u00e1 \u00e9 estudada no exterior, em locais como a Universidade do Alabama em Birmingham (EUA).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A engenharia gen\u00e9tica tem progresso constante e h\u00e1 v\u00e1rias linhas de pesquisa trabalhando e tentando chegar em solu\u00e7\u00f5es. Do ponto de vista de compatibilidade, o porco tem mostrado que isso pode ser feito&#8221;, explica Paulo P\u00eago Fernandes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Mayana Zatz, do centro de pesquisas em genoma humano e c\u00e9lulas-tronco da USP, j\u00e1 h\u00e1 t\u00e9cnicas dispon\u00edveis que poder\u00e3o ser usadas para realizar o transplante nos futuros pacientes sem a necessidade de cirurgias de grandes propor\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel colocar o rim abaixo da pele e, se n\u00e3o funcionar, pode retirar e o paciente voltar para a hemodi\u00e1lise.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Espera no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de janeiro a abril deste ano, foram realizados 1.651 transplantes de rim pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), respons\u00e1vel por 95% dos procedimentos com \u00f3rg\u00e3os s\u00f3lidos no Pa\u00eds. J\u00e1 em todo o ano passado, foram 5.196 transplantes. A fila de espera por um rim tem 29.545 pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Silvano Raia diz que, no Brasil e no mundo, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de aumentar a capta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os para transplante, mas a fila \u00e9 crescente. &#8220;Vem aumentando por v\u00e1rias raz\u00f5es: os resultados (dos transplantes) s\u00e3o melhores, a idade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 aumentando e (a doen\u00e7a) est\u00e1 tendo tempo para evoluir e chegar a uma etapa que s\u00f3 a substitui\u00e7\u00e3o resolve&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>BemParan\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em laborat\u00f3rios de importantes institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, especialistas est\u00e3o debru\u00e7ados em m\u00e9todos para resolver o problema da fila para transplante de rim, que supera os 29,5 mil pacientes no Brasil. 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