{"id":16852,"date":"2019-08-12T10:41:53","date_gmt":"2019-08-12T13:41:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=16852"},"modified":"2019-08-12T10:41:58","modified_gmt":"2019-08-12T13:41:58","slug":"pais-de-verdade-as-historias-de-quem-vive-a-paternidade-intensamente-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/08\/12\/pais-de-verdade-as-historias-de-quem-vive-a-paternidade-intensamente-2\/","title":{"rendered":"Pais de verdade: as hist\u00f3rias de quem vive a paternidade intensamente"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Homens de diferentes gera\u00e7\u00f5es contam como se tornar pai mudou suas vidas<\/h4>\n\n\n\n<p>Basta ligar a TV \u00e0s quartas-feiras que um canal aberto exibe hist\u00f3rias de fam\u00edlias que buscam confirmar a\u00a0paternidade\u00a0de uma crian\u00e7a por teste de DNA. O quadro traz o acontecimento como um espet\u00e1culo, e muitas vezes exibe homens preocupados e at\u00e9 inconformados caso o exame confirme que s\u00e3o pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Um levantamento do Conselho Nacional de Justi\u00e7a descobriu que em 2011 havia 5,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as sem pai no registro. Quando pensamos que, mesmo tendo o nome no RG do filho, \u00e9 poss\u00edvel ser ausente do dia a dia da crian\u00e7a, percebemos que o n\u00famero de pessoas que cresce sem pai \u00e9 ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, a paternidade pode parecer t\u00e3o assustadora para um homem, por outro, \u00e9 comum ouvir relatos de mulheres ainda sobrecarregadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Trocar fraldas, fazer comida e acompanhar a agenda da escola ainda s\u00e3o tarefas consideradas apenas uma &#8220;ajuda&#8221; quando feita pelos homens, enquanto que para as mulheres ainda \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra a corrente, h\u00e1 homens de diferentes gera\u00e7\u00f5es que v\u00eam subvertendo este cen\u00e1rio. No final dos anos 90, o advogado Reinaldo Rodrigues, hoje com 58 anos, chegava do trabalho e continuava com as responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o aos filhos Hanna (23) e Kau\u00ea (22). Todos os dias, era ele quem dava banho, brincava e colocava para dormir.PUBLICIDADEVoc\u00ea pode fechar a publicidade em 5 segundos<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rotina de pai e filhos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em todos os momentos em que n\u00e3o estava no escrit\u00f3rio, Reinaldo fazia quest\u00e3o de estar acompanhado dos pequenos. &#8220;Aonde eu ia, eu levava os dois. Se eu ia jogar bola, eu levava&#8221;, relembra. Hoje ele \u00e9 av\u00f4, e acredita que a cria\u00e7\u00e3o que deu para o filho far\u00e1 com que Kau\u00ea tamb\u00e9m seja um pai participativo.<\/p>\n\n\n\n<p>A rotina presente \u00e9 mais desafiadora quando os pais n\u00e3o moram juntos. Desde que se divorciou, a rotina de Bruno Santiago, empreendedor social de 38 anos, \u00e9 mais atribulada. Mas a separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi motivo para se distanciar do filho Samuel, que tem 6 anos. Hoje, o menino fica um dia com a m\u00e3e e outro com o pai. &#8220;Eu n\u00e3o abri m\u00e3o de eu ter a mesma rotina com o Samuel. Afinal, a m\u00e3e dele tamb\u00e9m trabalha&#8221;, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images1.minhavida.com.br\/imagensconteudo\/35080\/Bruno%20e%20Samuel.jpg\" alt=\" Bruno e seu filho Samuel\"\/><figcaption>Bruno e seu filho Samuel<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando o cen\u00e1rio \u00e9 o de pai e m\u00e3e separados, \u00e9 comum que pais estejam com a crian\u00e7a apenas aos fins de semana, em momento de divers\u00e3o, ou mesmo nas f\u00e9rias. Nesses dias, a alimenta\u00e7\u00e3o pode ser menos regrada e a rotina n\u00e3o \u00e9 &#8220;chata&#8221;, com hor\u00e1rios para acordar, tomar banho e ir para a escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conviv\u00eancia pode contribuir para que os pais n\u00e3o sejam associados ao cuidado respons\u00e1vel de uma crian\u00e7a. Por isso costuma surgir, por exemplo, memes que brincam com a cren\u00e7a de que pais n\u00e3o sabem arrumar o cabelo nem tomar conta do filho. Ou, pior: h\u00e1 aqueles que afirmam que a m\u00e3e deixou o beb\u00ea &#8220;sozinho com o pai&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Meninos e cuidado<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s pensar sobre a cria\u00e7\u00e3o que est\u00e1 dando para seu menino, Bruno percebeu que o est\u00edmulo ao cuidado deve vir desde cedo. &#8220;Somos criados para pagar as contas e ser fortes o tempo todo&#8221;, reflete. Se, por um lado, as meninas s\u00e3o incentivadas \u00e0 maternidade desde pequenas, com bonecas e mamadeiras de brinquedo, o que \u00e9 considerado &#8220;de menino&#8221; s\u00e3o os objetos ligados a profiss\u00f5es e \u00e0 liberdade, como carrinhos e ferramentas.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja esse o motivo pelo qual meninos n\u00e3o falem sobre planos de ter filhos e fam\u00edlias quando est\u00e3o crescendo. Durante sua juventude, entre as d\u00e9cadas de 1970 e 80, Reinaldo desejava casar cedo e sonhava em ter uma filha. Isso fez com que seu c\u00edrculo de amigos fosse menor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images1.minhavida.com.br\/imagensconteudo\/35080\/Felipe%20e%20Martin.jpg\" alt=\"Felipe e seu filho Martin\"\/><figcaption>Felipe e seu filho Martin<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Felipe Pontual, gerente de marketing de 31 anos, em sua gera\u00e7\u00e3o o sonho em ter filhos tamb\u00e9m n\u00e3o era comum entre os meninos. A cria\u00e7\u00e3o que d\u00e1 ao seu filho Martin, de 1 ano, tenta mudar o cen\u00e1rio. &#8220;Quando voc\u00ea v\u00ea o instinto da crian\u00e7a brincando, percebe que \u00e9 a gente que cria isso [o estigma]. Meu filho brinca de boneca e de carrinho. Tem os dois. Na minha gera\u00e7\u00e3o, esse est\u00edmulo n\u00e3o existia&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando a paternidade nasce?<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde antes do exame positivo, um filho causa uma revolu\u00e7\u00e3o no corpo e na vida das m\u00e3es. As expectativas de engravidar s\u00e3o respons\u00e1veis at\u00e9 por adiar sonhos como mudar de emprego e fazer viagens. Quando o beb\u00ea vai crescendo no ventre, qualquer chute e solu\u00e7o \u00e9 sentido, e o amor vai aumentando junto.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para os pais, o v\u00ednculo precisa ser constru\u00eddo. Reinaldo sempre conversava com seus filhos barriga da m\u00e3e. &#8220;Depois do nascimento, foi uma alegria total! Veio a menina que eu tanto esperava e o cuidado era todo especial. No acompanhamento dos estudos, do crescimento&#8230; Sempre estivemos juntos&#8221;, relata o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno tamb\u00e9m percebeu que amava seu filho desde antes de ele existir, quando come\u00e7ou a investigar se tinha algum problema de fertilidade. Desde esse momento, a participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do novo ser foi intensa, fazendo jus ao seu lema: &#8220;Pai tem que fazer de tudo&#8221;. Esse tamb\u00e9m \u00e9 o nome de seu projeto, que come\u00e7ou em 2015 como um blog e agora j\u00e1 \u00e9 um empreendimento social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Paternidade no papel<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Na \u00e9poca, eu pesquisava muito sobre como ser pai e tudo era voltado para as mulheres&#8221;, reclama Bruno, que se incomodou com a escassez de conte\u00fado voltada para os pais. Ap\u00f3s come\u00e7ar a escrever sobre as dores e dificuldades do processo, ele chegou a\u00a0publicar um livro, de mesmo nome do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe tamb\u00e9m escreve sobre a paternidade em seu blog &#8220;Sonhei ser pai&#8221;, desde 2017, quando Martin ainda n\u00e3o era nascido. Durante esses anos, ele percebeu que o p\u00fablico maior ainda \u00e9 de mulheres, mesmo quando se trata de paternidade. &#8220;Al\u00e9m disso, elas gostam de mandar mensagem e os homens s\u00e3o mais reservados quanto a isso&#8221;, contou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O caminho da mudan\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p>Todos os pais entrevistados concordam que a sociedade est\u00e1 mudando em rela\u00e7\u00e3o ao papel do pai na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. No entanto, ainda h\u00e1 um longo caminho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images1.minhavida.com.br\/imagensconteudo\/35080\/Espa%C3%A7o-fam%C3%ADlia-m%C3%B3vel.jpg\" alt=\"Espa\u00e7o fam\u00edlia m\u00f3vel, instalado no carro de Bruno \"\/><figcaption>Espa\u00e7o fam\u00edlia m\u00f3vel, instalado no carro de Bruno<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem muita coisa pra ser mudada ainda para os outros entenderem que o papel vai muito al\u00e9m de pagar as contas. Estamos no processo de transforma\u00e7\u00e3o de como o homem se v\u00ea nesse processo&#8221;, conclui Bruno. Em seu projeto, ele luta para que estabelecimentos comerciais incluam frald\u00e1rio no banheiro masculino, al\u00e9m de andar pelas ruas de Belo Horizonte com seu carro, transformado em &#8220;espa\u00e7o fam\u00edlia m\u00f3vel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>MinnhaVida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens de diferentes gera\u00e7\u00f5es contam como se tornar pai mudou suas vidas Basta ligar a TV \u00e0s quartas-feiras que um canal aberto exibe hist\u00f3rias de fam\u00edlias que buscam confirmar a\u00a0paternidade\u00a0de uma crian\u00e7a por teste de DNA. 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