{"id":1655,"date":"2019-03-21T13:44:43","date_gmt":"2019-03-21T16:44:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=1655"},"modified":"2019-03-21T13:49:06","modified_gmt":"2019-03-21T16:49:06","slug":"as-criancas-sequestradas-e-adotadas-ilegalmente-por-militares-durante-a-ditadura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/21\/as-criancas-sequestradas-e-adotadas-ilegalmente-por-militares-durante-a-ditadura-brasileira\/","title":{"rendered":"As crian\u00e7as sequestradas e adotadas ilegalmente por militares durante a ditadura brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Pelo menos 19 crian\u00e7as foram sequestradas e adotadas ilegalmente por fam\u00edlias de militares ou fam\u00edlias ligadas \u00e0s For\u00e7as Armadas durante a Ditadura Militar do Brasil (1964-1985) &#8211; em um mecanismo similar ao ocorrido em outros regimes militares sul-americanos do per\u00edodo, segundo o livro&nbsp;<em>Cativeiro Sem Fim&nbsp;<\/em>(Ed. Alameda), que ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 2 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu autor, o jornalista Eduardo Reina, diz que todos os casos foram escondidos, ocultados e negados ao longo dos \u00faltimos 34 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 agora, identifiquei e comprovei 19 casos de sequestros e\/ou apropria\u00e7\u00e3o de beb\u00eas, crian\u00e7as e adolescentes durante a ditadura no Pa\u00eds&#8221;, afirma o jornalista, que teve apoio do Instituto Vladimir Herzog para fazer a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todos guardam semelhan\u00e7as com crimes desse tipo ocorridos na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bol\u00edvia durante per\u00edodos de repress\u00e3o militar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/90E9\/production\/_106079073_capacsf.png\" alt=\"Capa de Cativeiro Sem Fim\"\/><figcaption>Image captionEduardo Reina identificou 19 casos de sequestros e apropria\u00e7\u00e3o de beb\u00eas em seu livro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dos 19 casos identificados at\u00e9 agora, 11 s\u00e3o ligados \u00e0 guerrilha do Araguaia, movimento guerrilheiro de oposi\u00e7\u00e3o ao regime que ocorreu entre o final da d\u00e9cada de 1960 e o ano de 1974 na Amaz\u00f4nia. &#8220;As v\u00edtimas s\u00e3o filhos de guerrilheiros e de camponeses que aderiram ao movimento. Era o segredo dentro do segredo&#8221;, diz Reina.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses 11 casos, conforme descobriu o jornalista, foram realizados entre 1972 e 1974. Um dos casos reportados no livro \u00e9 o de Juracy Bezerra de Oliveira. Quando ele tinha 6 anos, foi retirado de sua fam\u00edlia pelos militares. Por engano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pensavam que ele era Giovani, filho do l\u00edder guerrilheiro Osvaldo Orlando da Costa, o Osvald\u00e3o&#8221;, conta o pesquisador. &#8220;Em comum com Giovani, Juracy tinha a pele morena, a idade aproximada e o nome da m\u00e3e biol\u00f3gica, Maria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B4A1\/production\/_106114264_img_20170518_101407410.jpg\" alt=\"Juracy Bezerra de Oliveira\"\/><figcaption>Image captionJuracy foi levado de sua fam\u00edlia aos seis anos, por engano<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Conforme apurou o jornalista, Juracy foi levado para Fortaleza pelo tenente Ant\u00f4nio Essilio Azevedo Costa. Acabou registrado em cart\u00f3rio com o nome do militar como seu pai biol\u00f3gico. &#8220;O nome da m\u00e3e, entretanto, foi mantido: Maria Bezerra de Oliveira&#8221;, conta Reina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele viveu em Fortaleza at\u00e9 completar 20 anos. Depois voltou ao Araguaia em busca da m\u00e3e verdadeira. &#8220;Juracy tamb\u00e9m teve o irm\u00e3o mais novo &#8211; Miracy &#8211; levado por outro militar. O sargento Jo\u00e3o Lima Filho foi com Miracy para Natal. Anos depois, Juracy e a m\u00e3e fizeram buscas pelo menino. N\u00e3o foi encontrado&#8221;, relata o autor do livro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A m\u00e1goa que tenho deles, dos militares, \u00e9 de terem me tirado da minha fam\u00edlia biol\u00f3gica. Hoje em dia meus irm\u00e3os t\u00eam terra, gado. Eu tenho nada. O Ex\u00e9rcito tinha prometido me dar meio mundo e fundos. E n\u00e3o deu&#8221;, desabafa Juracy.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Giovani, o filho do Osvald\u00e3o, tamb\u00e9m teria sido encontrado pelos militares. Na opera\u00e7\u00e3o que terminou com a morte da mulher do guerrilheiro, Maria Viana, os militares encontraram e levaram Giovani e Ieda, outra filha dela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu tinha seis anos. Quando cheguei no nosso barraco tinha acontecido isso. Eles tinham matado minha m\u00e3e e carregado o irm\u00e3o meu, mais minha irm\u00e3, que sumiu tamb\u00e9m&#8221;, relata Ant\u00f4nio Viana da Concei\u00e7\u00e3o, filho de Maria e irm\u00e3o de Giovani e Ieda &#8211; que nunca mais foram encontrados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/150E1\/production\/_106114268_img_20170518_151148836.jpg\" alt=\"Eduardo Reina e entrevistados\"\/><figcaption>Image captionEduardo Reina percorreu mais de 20 mil quil\u00f4metros em busca dos personagens sequestrados pelos militares<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, o jornalista Eduardo Reina conta que estuda o tema h\u00e1 pelo menos 20 anos. &#8220;Mas n\u00e3o conseguia deslanchar pela falta de provas e testemunhos concretos&#8221;, diz ele. Em 2016, decidiu ir a campo em busca de relatos concretos e de documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Percorri mais de 20 mil quil\u00f4metros em territ\u00f3rio brasileiro em busca dos personagens sequestrados pelos militares ou seus familiares. Acessei milhares de documentos militares, oficiais ou secretos. Tive acesso a muitos documentos considerados secretos no per\u00edodo de ditadura no Brasil&#8221;, enumera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nesse per\u00edodo, realizei mais de uma centena de entrevistas. Li mais de 150 livros sobre a ditadura, al\u00e9m de teses de doutorado e disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, artigos acad\u00eamicos, mat\u00e9rias de jornais. Pesquisei mais de 4 mil edi\u00e7\u00f5es dos jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Estado de Minas \u00e0 procura de mat\u00e9rias sobre o tema, al\u00e9m de outras leituras de artigos e documentos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de muita checagem e cruzamento de informa\u00e7\u00f5es, Reina conclui que ao menos os 19 casos relatados no seu livro s\u00e3o reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Reina procurou as For\u00e7as Armadas mas elas n\u00e3o quiseram se manifestar sobre os casos identificados. &#8220;Institui\u00e7\u00f5es envolvidas mant\u00eam a posi\u00e7\u00e3o de nega\u00e7\u00e3o. Assim como se nega a pr\u00e1tica da tortura e do assassinato nos por\u00f5es do DOI-CODI, nas bases militares, nos quart\u00e9is e nas pris\u00f5es&#8221;, diz o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A divulga\u00e7\u00e3o desses 19 crimes hediondos, que n\u00e3o prescrevem, deve ser feita para que a hist\u00f3ria da ditadura do Brasil seja contada sob o olhar de todos os envolvidos. E tomara que a comunica\u00e7\u00e3o desses sequestros de beb\u00eas, crian\u00e7as e adolescentes pelos militares leve outras pessoas a revelarem o que sabem e novos casos possam ser identificados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem da BBC News Brasil tamb\u00e9m solicitou esclarecimentos \u00e0s For\u00e7as Armadas, por meio da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Defesa. At\u00e9 o fechamento desta reportagem, entretanto, eles n\u00e3o se posicionaram.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6A69\/production\/_106114272_img_20170518_175850991_hdr.jpg\" alt=\"Rio Araguaia na cidade de S\u00e3o Domingos do Araguaia, que \u00e0 \u00e9poca era chamada de S\u00e3o Domingos das Latas\"\/><figcaption>Image captionRio Araguaia na regi\u00e3o onde guerrilha de mesmo nome se organizou na \u00e9poca da ditadura<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Camponeses<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre novembro de 1973 e o in\u00edcio de 1974, seis filhos de camponeses aliados aos guerrilheiros do Araguaia teriam sido sequestrados, segundo informa\u00e7\u00f5es descobertas por Reina. Jos\u00e9 Vieira, Ant\u00f4nio Jos\u00e9 da Silva, Jos\u00e9 Wilson de Brito Feitosa, Jos\u00e9 de Ribamar, Osniel Ferreira da Cruz e Sebasti\u00e3o de Santana. &#8220;Eram todos jovens, adolescentes que trabalhavam na ro\u00e7a para o sustento de suas fam\u00edlias. Foram enviados a quart\u00e9is&#8221;, conta o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Vieira \u00e9 filho de Luiz Vieira, agricultor que foi morto pelas for\u00e7as militares durante a guerra no Araguaia. Jos\u00e9 foi preso junto com o guerrilheiro Piau\u00ed, ent\u00e3o subcomandante do Destacamento A, em S\u00e3o Domingos do Araguaia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sai de l\u00e1 com o Piau\u00ed. Ele era o comandante dos guerrilheiros. Eu fiquei l\u00e1 e a tropa chegou e me cercou. Soube que eu tinha ido l\u00e1 para falar com minha m\u00e3e. Mas antes de minha m\u00e3e chegar em casa, a tropa cercou. A\u00ed me pegaram. Eu mais ele, o Piau\u00ed&#8221;, descreve Vieira.<\/p>\n\n\n\n<p>Piau\u00ed, apelido de Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Costa, ex-estudante de Astronomia da UFRJ, \u00e9 listado como um dos guerrilheiros &#8220;desaparecidos&#8221;, ap\u00f3s ser capturado no in\u00ednicio de 1974. A essa altura, o Ex\u00e9rcito havia enviado milhares de soldados para ca\u00e7ar os cerca de 80 guerrilheiros que se esconderam na mata no sul do Par\u00e1. Segundo o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade, setenta deles foram mortos ou executados na selva.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome de Vieira, nascido em 1956, est\u00e1 registrado em documentos do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) junto com os nomes dos outros cinco filhos de camponeses sequestrados pelos militares entre o fim de 1973 e o in\u00edcio de 1974. Era a fase mais grave de repress\u00e3o \u00e0 guerrilha do Araguaia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Inicialmente, Vieira ficou preso e foi torturado na base de Bacaba, erguida no km 68 da Transamaz\u00f4nica. Depois foi levado para o quartel general do Ex\u00e9rcito em Bel\u00e9m do Par\u00e1; onde passou um m\u00eas e 12 dias. Depois foi para a 5\u00aa Companhia de Guardas, no bairro de Marambaia, tamb\u00e9m em Bel\u00e9m. Na sequ\u00eancia foi transferido para Altamira&#8221;, narra Reina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13E21\/production\/_106114418_img_20171003_162841913-1.jpg\" alt=\"Certificado de reservista de Jos\u00e9 Vieira, que teria sido falsificada pelo Ex\u00e9rcito\"\/><figcaption>Image captionJos\u00e9 Vieira \u00e9 filho de agricultor morto pelas for\u00e7as militares durante a guerra no Araguaia; ele foi preso e depois incorporado ao Ex\u00e9rcito<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi ali que ele acabou incorporado ao Ex\u00e9rcito. Tornou-se soldado em 5 de mar\u00e7o de 1975, serviu no 51\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria de Selva, conforme aponta seu certificado de reservista.<\/p>\n\n\n\n<p>Um garimpeiro chamado Dejocy Vieira da Silva, que mora em Serra Pelada no Par\u00e1, conta que foram 11 as crian\u00e7as sequestradas naquela \u00e9poca. Eram filhas de guerrilheiros com camponesas e filhos de camponeses que aderiram \u00e0 guerrilha do Araguaia. Dejocy esteve inicialmente com os comunistas do PCdoB. Depois, durante combate na selva com militares, levou tiro. Sobreviveu, mas ficou com sequelas. Ent\u00e3o se bandeou para o lado do major Sebasti\u00e3o Curi\u00f3 e passou a ajudar o Ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Dejocy confirma a exist\u00eancia de ordem para sequestrar e desaparecer com os filhos dos guerrilheiros e de camponeses. Afirma se lembrar da hist\u00f3ria do sequestro de Giovani, filho do l\u00edder dos guerrilheiros, Oswald\u00e3o. N\u00e3o presenciou o crime. Diz que foram realizadas em segredo as opera\u00e7\u00f5es de sequestro dos filhos de guerrilheiros e de lavradores. &#8220;Fizeram tudo \u00e0s caladas&#8221;, diz o garimpeiro-guerrilheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O sequestro de beb\u00eas, crian\u00e7as e adolescentes filhos de militantes pol\u00edticos ou de pessoas ligadas a esse grupo tinha como objetivo difundir o terror entre a popula\u00e7\u00e3o; vingar-se das fam\u00edlias; interrogar as crian\u00e7as; quebrar o sil\u00eancio de seus pais, torturando seus filhos; educar as crian\u00e7as com uma ideologia contr\u00e1ria \u00e0 dos seus pa\u00eds, al\u00e9m da apropria\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em busca dos pais biol\u00f3gicos<\/h2>\n\n\n\n<p>Para Eduardo Reina, um &#8220;caso emblem\u00e1tico&#8221; do&nbsp;<em>modus operandi<\/em>&nbsp;dos militares \u00e9 o de Ros\u00e2ngela Paran\u00e1. &#8220;Ela foi pega assim que nasceu, no Rio Grande do Sul ou Rio de Janeiro. Acabou entregue a Odyr de Paiva Paran\u00e1, ex-soldado do Ex\u00e9rcito pertencente a tradicional fam\u00edlia de militares. Seu pai &#8211; Arcy &#8211; foi sargento; e seu tio-av\u00f4 Manoel Hemet\u00e9rio Paran\u00e1, m\u00e9dico que chegou ao posto de major e ex-superintendente do Hospital Geral do Ex\u00e9rcito em Bel\u00e9m do Par\u00e1&#8221;, conta o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Odyr manteve rela\u00e7\u00f5es de trabalho, atrav\u00e9s de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, com o ex-presidente da Rep\u00fablica e general Ernesto Geisel. Foi seu motorista por algum tempo no Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m trabalhou na Petrobras e Minist\u00e9rio de Minas e Energia&#8221;, prossegue.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi somente em 2013, ap\u00f3s uma discuss\u00e3o em fam\u00edlia, que Ros\u00e2ngela descobriu que havia sido sequestrada. &#8220;Sua certid\u00e3o de nascimento \u00e9 falsificada, foi registrada em 1967 em cart\u00f3rio no bairro do Catete, no Rio. O documento aponta 1963 como ano de seu nascimento&#8221;, conta Reina. &#8220;A certid\u00e3o apresenta como local de nascimento um im\u00f3vel numa rua no bairro do Flamengo. Mas levantamento em cart\u00f3rio demonstra que a casa citada na certid\u00e3o pertence a autarquia de previd\u00eancia dos servidores p\u00fablicos desde 1958.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ros\u00e2ngela segue em busca de seus pais biol\u00f3gicos. Debilitada f\u00edsica e emocionalmente, ela conversou com o autor do livro. &#8220;Hoje vivo na ang\u00fastia de n\u00e3o saber quem sou, quantos anos tenho, e sequer saber quem foram ou quem s\u00e3o meus pais. Todos se negam terminantemente a falar sobre esse assunto. S\u00f3 desejo saber quem sou, e onde est\u00e1 a minha fam\u00edlia. Acredito que esse direito eu tenho, depois de sofrer tantos anos. Hoje s\u00f3 sei que sou um ser humano que nada sabe sobre seus pais. Desejo Justi\u00e7a&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12D29\/production\/_106079077_capture.jpg\" alt=\"Ros\u00e2ngela Paran\u00e1, sequestrada na d\u00e9cada de 1960\"\/><figcaption>Image captionRos\u00e2ngela foi sequestrada na d\u00e9cada de 1960 e hoje busca sua verdadeira fam\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A fam\u00edlia Paran\u00e1 fez um pacto de sil\u00eancio para que n\u00e3o se fale o nome dos pais biol\u00f3gicos ou de onde a beb\u00ea veio&#8221;, conta Reina. &#8220;Odilma, irm\u00e3 de Odyr, o pai adotivo j\u00e1 falecido, confirma apenas que Ros\u00e2ngela foi adotada e que a m\u00e3e &#8216;era uma baderneira&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Reina comenta que o objetivo de seu trabalho &#8220;\u00e9 puramente jornal\u00edstico e hist\u00f3rico&#8221;. &#8220;Dar voz \u00e0queles que foram esquecidos \u00e0 for\u00e7a, invisibilizados pela hist\u00f3ria e pela m\u00eddia. Contar a verdadeira hist\u00f3ria da ditadura no Brasil, no per\u00edodo entre 1964 e 1985, sem filtros ou pend\u00eancias de narrativa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 mostrar a verdade. Mostrar a realidade. Mostrar a hist\u00f3ria de pessoas que foram jogadas no buraco negro da hist\u00f3ria do Brasil. De pessoas que foram usadas pelas for\u00e7as militares na ditadura. Mostrar as hist\u00f3rias de pessoas que vivem num cativeiro sem fim.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 19 crian\u00e7as foram sequestradas e adotadas ilegalmente por fam\u00edlias de militares ou fam\u00edlias ligadas \u00e0s For\u00e7as Armadas durante a Ditadura Militar do Brasil (1964-1985) &#8211; em um mecanismo similar ao ocorrido em outros regimes militares sul-americanos do per\u00edodo, segundo o livro&nbsp;Cativeiro Sem Fim&nbsp;(Ed. Alameda), que ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 2 de abril. 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