{"id":15509,"date":"2019-07-22T08:22:13","date_gmt":"2019-07-22T11:22:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=15509"},"modified":"2019-07-22T08:22:14","modified_gmt":"2019-07-22T11:22:14","slug":"caminhada-pelas-ruas-de-curitiba-pede-um-basta-contra-a-violencia-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/07\/22\/caminhada-pelas-ruas-de-curitiba-pede-um-basta-contra-a-violencia-racial\/","title":{"rendered":"Caminhada pelas ruas de Curitiba pede um &#8216;basta\u2019 contra a viol\u00eancia racial"},"content":{"rendered":"\n<p>A cada 50 minutos, uma pessoa negra \u00e9 morta no Brasil, v\u00edtima de algum tipo de agress\u00e3o, segundo informa\u00e7\u00f5es do Datasus. S\u00f3 no Paran\u00e1, a cada ano s\u00e3o registradas entre 220 e 240 mortes do topo entre essa popula\u00e7\u00e3o. E para dar um grito de \u2018basta\u2019 a essa situa\u00e7\u00e3o, mulheres negras se reuniram neste domingo (21), no Centro Hist\u00f3rico de Curitiba, e realizaram a Caminhada M\u00e3es Pretas pela vida de seus Filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminhada come\u00e7ou com concentra\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a de Bolso do Ciclista, no bairro S\u00e3o Francisco e depois seguiu at\u00e9 a Igreja do Ros\u00e1rio, no Largo da Ordem, onde foram feitas leituras e discursos nas escadarias da igreja. A escolha do destino final, inclusive, \u00e9 simb\u00f3lica: a primeira igreja do Ros\u00e1rio foi constru\u00edda por escravos e para os escravos, tendo sido inaugurada em 1737. Foi a terceira igreja de Curitiba, depois da Matriz e da Igreja da Ordem. O nome original era Igreja de Nossa Senhora dos Pretos de S\u00e3o Benedito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa \u00e9poca da mais profunda escravid\u00e3o, os negros eram proibidos de frequentar a Igreja da Catedral. Como n\u00e3o podiam entrar, constru\u00edram outra igreja para fazer seus cultos, que foi a Igreja do Ros\u00e1rio. Anos depois, a catedral entrou em reforma, as pessoas brancas pediram emprestado a Igreja do Ros\u00e1rio e depois nunca mais devolveram\u201d, conta Telma Mello, organizadora da caminhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos p\u00e9s da igreja, ent\u00e3o, participantes da caminhada leram relatos sobre a viol\u00eancia cometida contra a popula\u00e7\u00e3o negra (homens e mulheres). N\u00e3o \u00e0 toa, o mote da manifesta\u00e7\u00e3o era \u201cNegras pela paz: basta de tiros e pris\u00f5es, basta de execu\u00e7\u00e3o.\u201d<br>\u201cA caminhada \u00e9 pela vida dos nossos filhos. Cada vez que o filho de uma m\u00e3e preta sai \u00e0s ruas, a m\u00e3e n\u00e3o sabe se o filho volta para casa, porque ele sempre estar\u00e1 na linha de tiro da seguran\u00e7a institucionalizada pelo Estado. As mulheres, as m\u00e3es negras est\u00e3o bem mobilizadase n\u00f3s todas estamos na rua pedindo pela paz, para que parem de matar os nossos filhos\u201d, explica Telma.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das cr\u00edticas mais fortes dos manifestantes s\u00e3o direcionadas \u00e0 proposta apresentada ao Congresso pelo ex-juiz e ministro da Justi\u00e7a Sergio Moro, o excludente de ilicitude, que amplia as previs\u00f5es do que seria leg\u00edtima defesa em caso de mortes provocadas por agentes policiais. Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o encarceramento em massa da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO excludente de ilicitude \u00e9 uma licen\u00e7a paramatar. E quem a PM, a pol\u00edcia mata? Jovens negros, haja vista o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra\u201d, comenta Telma. \u201cN\u00f3s lutamos h\u00e1 500 anos contra o racismo. N\u00e3o vejo perspectiva (de melhora). N\u00f3s j\u00e1 conseguimos muitos avan\u00e7os, mas agora tivemos um retrocesso. As cotas est\u00e3o sendo cortadas, estamos sofrendo muitas coisas\u201d, finaliza a organizadora da caminhada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R\u00e1pida<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dia da Mulher Negra<\/strong><br>Desde 1992, quando foi realizado na Rep\u00fablica Dominicana o 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, o dia 25 de julho foi definido como o Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. Al\u00e9m disso, em 2014, a Lei n\u00ba 12.987, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, definiu que na data tamb\u00e9m se celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza foi uma l\u00edder quilombola que viveu durante o s\u00e9culo XVIII e que foi rainha de um quilombo, que liderou por duas d\u00e9cadas, ajudando a comunidade negra e ind\u00edgena a resistir \u00e0 escravid\u00e3o. O quilombo foi desfeito em 1770, quando as for\u00e7as de Luiz Pinto de Souza destruiu o local e matou ou aprisionou os 79 negros e 30 \u00edndios que ali viviam.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem Paran\u00e1<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada 50 minutos, uma pessoa negra \u00e9 morta no Brasil, v\u00edtima de algum tipo de agress\u00e3o, segundo informa\u00e7\u00f5es do Datasus. S\u00f3 no Paran\u00e1, a cada ano s\u00e3o registradas entre 220 e 240 mortes do topo entre essa popula\u00e7\u00e3o. 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