{"id":15286,"date":"2019-07-19T08:18:30","date_gmt":"2019-07-19T11:18:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=15286"},"modified":"2019-07-19T08:18:30","modified_gmt":"2019-07-19T11:18:30","slug":"frances-de-72-anos-atravessa-o-atlantico-em-um-tonel-sem-motor-levado-pelas-correntes-e-pelo-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/07\/19\/frances-de-72-anos-atravessa-o-atlantico-em-um-tonel-sem-motor-levado-pelas-correntes-e-pelo-vento\/","title":{"rendered":"Franc\u00eas de 72 anos atravessa o Atl\u00e2ntico em um tonel sem motor, levado pelas correntes e pelo vento"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Viagem durou mais do que o esperado, a comida acabou e os equipamentos para pesca tamb\u00e9m; franc\u00eas recebeu alimentos de dois navios que encontrou no caminho.<\/h4>\n\n\n\n<p>Como uma garrafa abandonada nas Ilhas Can\u00e1rias, Jean-Jacques Savin cruzou o oceano Atl\u00e2ntico e foi parar no Caribe. O aventureiro \u2013 que apesar dos 72 anos, tem ousadia de garoto \u2013 foi o primeiro a fazer a travessia a bordo de um tonel, levado apenas pela for\u00e7a das correntes mar\u00edtimas e os ventos.<\/p>\n\n\n\n<p>O equipamento, especialmente concebido para a proeza, tem apenas&nbsp;<strong>dois metros de altura e uma \u00e1rea de 6 metros quadrados&nbsp;<\/strong>\u2013 um desafio e tanto para quem passou 127 dias em uma viagem solit\u00e1ria. Savin partiu de El Hierro, na Espanha, e desembarcou no norte de Porto Rico. Ele se inspirou na fa\u00e7anha de seu conterr\u00e2neo Alain Bombard, que h\u00e1 quase 70 anos tentou reproduzir a experi\u00eancia de um n\u00e1ufrago e se lan\u00e7ou no mar praticamente sem infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cFoi uma comunh\u00e3o comigo mesmo e com a natureza. Pude me esvaziar durante quatro meses e gostaria que o Atl\u00e2ntico fosse ainda mais extenso e o trajeto fosse de 7 mil quil\u00f4metros, e n\u00e3o 5,5 mil, porque foi uma plenitude. Foi fabuloso\u201d, conta o marinheiro e ex-militar paraquedista, em entrevista \u00e0 RFI.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sujeita aos caprichos da natureza, a aventura durou&nbsp;<strong>um m\u00eas a mais do que o previsto&nbsp;<\/strong>\u2013 o que significa que&nbsp;<strong>o franc\u00eas ficou sem mantimentos<\/strong>. Ele capturou muitos peixes ao longo do trajeto, mas os equipamentos para pesca tamb\u00e9m terminaram.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O projeto s\u00f3 n\u00e3o foi abortado porque dois navios pararam para dar alimentos a Savin.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na solid\u00e3o, amizade \u00e9 com cardumes<\/h2>\n\n\n\n<p>No caminho, apreciou como poucos a biodiversidade marinha e a experi\u00eancia de viver ao lado dos peixes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tinha quatro janelinhas e a tampa do tonel, como se fosse um imenso aqu\u00e1rio, que era a minha televis\u00e3o. Pude ver uma baleia, tartarugas, duas baleias jubarte e o tonel at\u00e9 foi atacado por um tubar\u00e3o. Mas o que mais vou lembrar \u00e9 dos cardumes de pequenos peixes que me acompanharam durante dois meses, cada um\u201d, relembra o franc\u00eas. \u201c\u00c9 nesses momentos que a natureza dialoga com voc\u00ea. A cada vez que eu sa\u00eda para limpar o casco do tonel das algas, os peixes ficavam com medo, no in\u00edcio. Mas, logo, eles perceberam que a limpeza trazia comida para eles e vinham direto na minha m\u00e3o. Era uma alegria, uma felicidade para eles.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A comunh\u00e3o com seus \u201camigos peixes\u201d foi tal que, ao ser resgatado por um petroleiro americano, no fim da viagem, Savin saltou novamente \u00e0 agua para dizer adeus aos companheiros de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente acaba se apegando a qualquer coisa, quando n\u00e3o tem nada em volta e a comunica\u00e7\u00e3o com o exterior \u00e9 t\u00e3o limitada\u201d, indica. \u201cMas o que mais me fez falta foi n\u00e3o ter encontrado nenhuma sereia. Poder\u00edamos ter passado uma boa noite\u201d, brinca o marinheiro, que ao ser perguntado sobre se a idade n\u00e3o foi uma barreira, respondeu que ela &#8220;\u00e9 apenas um n\u00famero&#8221;. &#8220;Idade \u00e9 um estado de esp\u00edrito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sem tempo para t\u00e9dio<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/SGoxOIIZtWN7ZFKBIxND9v700JM=\/0x0:2000x1436\/1008x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/8\/h\/VztufvRraLctxRLj5Vkw\/jean-jacques-savin.jpg\" alt=\"O franc\u00eas Jean-Jacques Savin faz ajustes finais no interior de seu tonel em Ares, no sul da Fran\u00e7a, em foto de novembro de 2018 \u2014 Foto: Georges Gobet\/AFP\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O franc\u00eas Jean-Jacques Savin faz ajustes finais no interior de seu tonel em Ares, no sul da Fran\u00e7a, em foto de novembro de 2018 \u2014 Foto: Georges Gobet\/AFP<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que possa parecer, Savin garante: n\u00e3o teve um \u00fanico momento de t\u00e9dio. Mais de 25 mil f\u00e3s acompanharam a travessia pelas redes sociais, poss\u00edvel gra\u00e7as ao telefone por sat\u00e9lite pelo qual o ex-militar se comunicava com a equipe de apoio em terra firme.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cOs dias passam super r\u00e1pido. A contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 simplesmente magn\u00edfica. Todos os dias, o nascer e o p\u00f4r do sol s\u00e3o diferentes, o mar est\u00e1 sempre mudando\u201d, frisa. \u201c\u00c9 um prazer incr\u00edvel poder nadar com 6 mil metros de profundidade abaixo dos seus p\u00e9s. Voc\u00ea est\u00e1 no meio daquele imenso azul, que te embebeda.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tempestade mostra que \u201ctudo passa\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Em todo o trajeto, Savin s\u00f3 enfrentou uma noite de tempestade em alto mar.&nbsp;<strong>O tonel se virou tr\u00eas vezes de lado, mas acabou retornando \u00e0 posi\u00e7\u00e3o correta, sempre na superf\u00edcie<\/strong>. Muito mais do que um susto, para o aventureiro franc\u00eas, a experi\u00eancia refor\u00e7ou a li\u00e7\u00e3o de que \u201ctudo passa\u201d na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNingu\u00e9m se acostuma com uma tempestade. \u00c9 um momento que \u00e9 bastante singular. Tamb\u00e9m peguei ventos de 70 km\/h\u201d, relata. \u201cPassar por isso \u00e9 dif\u00edcil, mas depois voltam os ventos mais tranquilos, de 40 ou 50km\/h, e tudo fica bem. Voc\u00ea sabe que vai passar e fica sereno. Uma tempestade ou uma depress\u00e3o duram isso: uma noite, ou v\u00e1rias horas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia de Jean Jacques Savin vai virar um livro e, j\u00e1 no ano que vem,\u00a0<strong>ele planeja voltar ao mar \u2013 ainda n\u00e3o decidiu se para o Atl\u00e2ntico norte ou o Pac\u00edfico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/br.rfi.fr\/\" target=\"_blank\"><br> <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viagem durou mais do que o esperado, a comida acabou e os equipamentos para pesca tamb\u00e9m; franc\u00eas recebeu alimentos de dois navios que encontrou no caminho. Como uma garrafa abandonada nas Ilhas Can\u00e1rias, Jean-Jacques Savin cruzou o oceano Atl\u00e2ntico e foi parar no Caribe. 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