{"id":14146,"date":"2019-06-27T14:29:29","date_gmt":"2019-06-27T17:29:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=14146"},"modified":"2019-06-27T14:29:30","modified_gmt":"2019-06-27T17:29:30","slug":"apos-ameacas-testemunha-contra-paulo-preto-entra-para-programa-de-protecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/06\/27\/apos-ameacas-testemunha-contra-paulo-preto-entra-para-programa-de-protecao\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s amea\u00e7as, testemunha contra Paulo Preto entra para programa de prote\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Paulo Preto est\u00e1 preso preventivamente em Curitiba, ap\u00f3s ter sido alvo da Ad Infinitum, 60\u00aa fase da Lava Jato no Paran\u00e1.<\/h4>\n\n\n\n<p>A principal testemunha na condena\u00e7\u00e3o a 145 anos de pris\u00e3o no in\u00edcio deste ano de Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e apontado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato como o operador de propinas do PSDB em S\u00e3o Paulo durante o governo do senador tucano Jos\u00e9 Serra (2007-2010), entrou para o Provita (Programa de Prote\u00e7\u00e3o a V\u00edtimas e Testemunhas Amea\u00e7adas) ap\u00f3s seguidas amea\u00e7as de morte contra si e sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Souza est\u00e1 preso preventivamente em Curitiba, ap\u00f3s ter sido alvo da Ad Infinitum, 60\u00aa fase da Lava Jato no Paran\u00e1. Neste caso, o MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) o acusa de ter operado propina para a Odebrecht e de ter movimentado ao menos R$ 135 milh\u00f5es (de acordo com o c\u00e2mbio atual) em contas na Su\u00ed\u00e7a, de 2007 a 2017.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira (24), o UOL mostrou que a for\u00e7a-tarefa da Lava Jato conseguiu bloquear R$ 113 milh\u00f5es de Paulo Preto localizados em um banco de Nassau, nas Bahamas. A reportagem procurou a defesa de Souza, mas o advogado Alessandro S\u00edlv\u00e9rio n\u00e3o retornou as tentativas de contato.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, no decorrer do processo, Souza chegou a ser preso por conta das amea\u00e7as contra a testemunha -e solto alguns meses depois em um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com o advogado Emerson Fl\u00e1vio da Rocha, que representa a testemunha protegida M., as amea\u00e7as continuaram mesmo com a pris\u00e3o, e a cliente foi inclu\u00edda junto com toda a fam\u00edlia no programa federal de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo in\u00edcio deste ano, mesmo ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o e o fim do processo, a Justi\u00e7a permitiu que ela ficasse no programa, onde j\u00e1 estava desde as amea\u00e7as sofridas relatadas no processo, dada a gravidade e seriedade das amea\u00e7as que sofreu\u201d, afirma Rocha, que pede que sua cliente n\u00e3o tenha mais o nome exposto pois ainda o usa.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a do processo garante a ela ser identificada publicamente apenas pela sigla. \u201cAssim, ela segue no programa de prote\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia em local sigiloso, monitorada por MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) e PF (Pol\u00edcia Federal) e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi reconhecido o valor da contribui\u00e7\u00e3o dela para a condena\u00e7\u00e3o dos outros acusados\u201d, diz o defensor. \u201cO caso dela \u00e9 t\u00e3o grave que a ju\u00edza autorizou que ela n\u00e3o participasse das audi\u00eancias do processo e fosse ouvida separadamente, em outra sala, sem a divulga\u00e7\u00e3o de seu nome ou imagem. Agora ela s\u00f3 quer reconstruir a vida, trabalhar e esquecer essa hist\u00f3ria, mas eles t\u00eam muito medo, com toda a raz\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Empurr\u00e3o e amea\u00e7as<\/h1>\n\n\n\n<p>M. afirma que pouco ap\u00f3s o in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es das desapropria\u00e7\u00f5es no Rodoanel, em 2015, come\u00e7ou a receber as amea\u00e7as que atribui a Paulo Preto em fun\u00e7\u00e3o do teor de seus depoimentos. Naquele ano, disse a delatora, um desconhecido a amea\u00e7ou na rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Tempos depois, foi empurrada por um homem logo ap\u00f3s ser demitida da Dersa. A ex-funcion\u00e1ria teria ca\u00eddo no ch\u00e3o e machucado o bra\u00e7o. \u201cVoc\u00ea tem a l\u00edngua grande\u201d, teria dito o agressor enquanto afastava-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, outro desconhecido chamou-a pelo nome na rua e disse que ela seria presa e que na pris\u00e3o iria conhecer as mulheres do PCC -a fac\u00e7\u00e3o criminosa Primeiro Comando da Capital.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a delatora, criminosos armados ou seus representantes compareciam \u00e0 rede da Dersa, no Itaim, em S\u00e3o Paulo, para receber as indeniza\u00e7\u00f5es. O dinheiro vivo era acondicionado em caixas e mochilas. A maioria dos beneficiados n\u00e3o assinava os recibos comprovando o pagamento do dinheiro, segundo o depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>M. foi condenada neste mesmo processo que Paulo Preto junto a outros r\u00e9us, mas de acordo com o defensor, sua pris\u00e3o domiciliar foi convertida em pena restritiva de liberdade -onde o condenado perde temporariamente alguns direitos como ser contratado ou prestar servi\u00e7o para o poder p\u00fablico, tirar passaporte, viajar para fora do pa\u00eds e sair da cidade sem comunicar as autoridades com anteced\u00eancia, entre outras restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Provita<\/h1>\n\n\n\n<p>Criado em 1999, o Provita (Programa de Prote\u00e7\u00e3o a V\u00edtimas e Testemunhas Amea\u00e7adas) funciona em parceria com os estados e \u00e9 um dos tr\u00eas programas de prote\u00e7\u00e3o a pessoas amea\u00e7adas do governo brasileiro -os outros dois s\u00e3o o PPCAAM (Programa de Prote\u00e7\u00e3o a Crian\u00e7as e Adolescentes Amea\u00e7ados de Morte) e o PPDDH (Programa Nacional de Prote\u00e7\u00e3o aos Defensores dos Direitos Humanos).<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o ano passado, 537 testemunhas em todo o Brasil, em alguns casos com suas fam\u00edlias, integravam o Provita. A entrada no programa \u00e9 volunt\u00e1ria e significa abandonar a casa, trabalho e cidade de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima sob prote\u00e7\u00e3o recebe alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, atendimento psicol\u00f3gico e dinheiro do governo para pagar despesas, mas precisa comprometer-se a tentar arrumar um novo emprego, prestar depoimentos e n\u00e3o poder dizer a ningu\u00e9m, seja amigo \u00edntimo ou familiar, onde est\u00e1. O acesso \u00e0 internet tamb\u00e9m \u00e9 controlado.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas a Justi\u00e7a, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica t\u00eam acesso aos dados das testemunhas. Em casos mais graves, a fam\u00edlia tamb\u00e9m pode ser inclu\u00edda no programa e, em situa\u00e7\u00f5es de perigo extremo, a pessoa pode at\u00e9 ganhar uma nova identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>BandaB<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Preto est\u00e1 preso preventivamente em Curitiba, ap\u00f3s ter sido alvo da Ad Infinitum, 60\u00aa fase da Lava Jato no Paran\u00e1. 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