{"id":12975,"date":"2019-06-11T14:35:31","date_gmt":"2019-06-11T17:35:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=12975"},"modified":"2019-06-11T14:35:37","modified_gmt":"2019-06-11T17:35:37","slug":"intercept-analisou-apenas-1-de-mensagens-de-moro-e-procuradores-diz-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/06\/11\/intercept-analisou-apenas-1-de-mensagens-de-moro-e-procuradores-diz-jornalista\/","title":{"rendered":"Intercept analisou &#8216;apenas 1%&#8217; de mensagens de Moro e procuradores, diz jornalista"},"content":{"rendered":"\n<p>O in\u00edcio de uma\u00a0s\u00e9rie de reportagens publicada pelo site The Intercept Brasil\u00a0revelou conversas mantidas entre integrantes da For\u00e7a Tarefa Lava Jato e o ent\u00e3o juiz federal Sergio Moro. Em entrevista hoje ao jornal TNews, da R\u00e1dio T no Paran\u00e1, em parceria com o jornal Bem Paran\u00e1, o jornalista Rafael Moro Martins, um dos que participaram da produ\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie para o Intercept, revelou que o grupo analisou \u201capenas 1% do material\u201d enviado ao ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o por uma fonte.<\/p>\n\n\n\n<p>O MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) afirmou que as conversas foram obtidas por meio do aplicativo Telegram, que teriam sido\u00a0acessadas \u201cde forma criminosa por um hacker\u201d. Segundo o Intercept, esse material foi fornecido por uma fonte, sem que o portal tivesse qualquer participa\u00e7\u00e3o na invas\u00e3o de aparelhos celulares de procuradores. As mensagens mostram que o ent\u00e3o juiz Sergio Moro deu orienta\u00e7\u00f5es ao procurador da Rep\u00fablica Deltan Dallagnol sobre procedimentos da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, da qual Moro era juiz e Dallagnol, coordenador. Esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 ilegal segundo a Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TNews<\/strong>&nbsp;&#8211; Como foi que esse material chegou at\u00e9 o Intercept, foi um hacker? E no que consiste; veio em c\u00f3digo compactado? S\u00e3o textos, \u00e1udios e v\u00eddeos, de qual per\u00edodo?&nbsp;<br><br><strong>Rafael Moro Martins<\/strong>&nbsp;\u2013 O material chegou at\u00e9 n\u00f3s, como a gente j\u00e1 disse naquela esp\u00e9cie de editorial, que na verdade \u00e9 mais uma nota de editores, que a gente publicou junto com as reportagens, por uma fonte que entrou em contato conosco e que disse que tinha um material para nos entregar. Isso \u00e9 tudo que a gente fala sobre isso, porque, inclusive, \u00e9 uma previs\u00e3o constitucional no Brasil, ou seja, isso est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o: jornalistas n\u00e3o s\u00e3o obrigados a revelar quem s\u00e3o suas fontes de informa\u00e7\u00e3o. Isso quer dizer que a divulga\u00e7\u00e3o desse material \u00e9 totalmente legal, amparado na lei, n\u00e3o tem nada de ilegal ou criminoso no que n\u00f3s estamos fazendo, ao contr\u00e1rio do que o Minist\u00e9rio P\u00fablico tem alegado na defesa que tem feito nessas \u00faltimas horas.&nbsp;<br><br><strong>TN<\/strong>&nbsp;&#8211; Existem, possivelmente, conversas de cunho pessoal entre os envolvidos. Quem tem teve acesso a isso e como o Intercept tem agido para separar esses conte\u00fados, como foi a decis\u00e3o de publicar um material de origem ilegal? Ou seja, quais os crit\u00e9rios para definir o que tem e ou n\u00e3o relev\u00e2ncia social?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rafael &#8211;&nbsp;<\/strong>O crit\u00e9rio \u00e9 muito simples. Interesse p\u00fablico. Inclusive a gente parte exatamente da mesma premissa que o ent\u00e3o juiz Sergio Moro adotou quando optou por vazar \u2013 vazar n\u00e3o \u00e9 o termo adequado, mas dar publicidade \u00e0quelas conversas entre a ent\u00e3o presidente Dilma e o ex-presidente Lula que tratava da indica\u00e7\u00e3o de Lula para um minist\u00e9rio. Isso foi meses antes do impeachment de Dilma. Esse crit\u00e9rio \u00e9 que conversas entre autoridades e pessoas poderosas do Estado e do governo devem ser de conhecimento da sociedade em uma democracia. \u00c9 exatamente isso que a gente acha. O ex-juiz Moro j\u00e1 era uma figura muito poderosa quando era um magistrado, quando comandava \u2013 quando julgava, na verdade, mas a gente mostrou que ele tamb\u00e9m comandava \u2013 quando julgava os processos da Lava Jato e a pr\u00f3pria Lava Jato se tornou um ator pol\u00edtico relevante no Pa\u00eds. Veja o impacto que as investiga\u00e7\u00f5es tiveram nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, por exemplo, antes ainda, com a pris\u00e3o de muita gente importante, com a\u00e7\u00f5es que foram desde o come\u00e7o questionadas por partes. O ex-juiz Moro hoje em dia tem, inclusive, uma carreira pol\u00edtica. Ele deixou a magistratura para assumir uma carreira pol\u00edtica. Ele \u00e9 um ministro de estado, ministros s\u00e3o pol\u00edticos por excel\u00eancia. Ent\u00e3o, isso mostra que eles, da Lava Jato, e o ex-juiz Moro s\u00e3o pessoas que devem ser investigadas por jornalistas. A fun\u00e7\u00e3o da imprensa \u00e9 jogar luz sobre gente poderosa como ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente n\u00e3o vai divulgar nada cujo conte\u00fado seja estritamente privado. A gente est\u00e1 pautando a divulga\u00e7\u00e3o pelo interesse p\u00fablico, ou seja, uma conversa que mostre um comportamento que a gente ache que \u00e9 inadequado ou que excede o que deveria ter sido o comportamento ou a\u00e7\u00e3o dos procuradores, de outras pessoas envolvidas na Lava Jato, eventualmente de investigados, a gente vai divulgar, do contr\u00e1rio, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TN &#8211;\u00a0<\/strong>As conversas seguem uma linha temporal clara? Por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel identificar a rea\u00e7\u00e3o de procuradores aos fatos que ocorreram ao longo da Lava Jato? H\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o, por exemplo, dos integrantes da Lava Jato quando o\u00a0desembargador Rog\u00e9rio Favreto concedeu habeas corpus ao ex-presidente Lula?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rafael &#8211;<\/strong>\u00a0Sim, essas conversas, pelo que a gente p\u00f4de perceber at\u00e9 agora, \u00e9 um material muito vasto. A gente tem dito em uma estimativa meio emp\u00edrica \u00e9 que a gente conseguiu ler 1% de todo esse material. E foi com base nessas leituras que a gente produziu essas tr\u00eas primeiras mat\u00e9rias. Isso d\u00e1 uma ideia do volume do material que a gente tem. Elas (as conversas) come\u00e7am em 2015. A gente at\u00e9 imagina que elas tenham come\u00e7ado quando houve aquele primeiro grande\u00a0bloqueio no WhatsApp no Brasil, por uma decis\u00e3o judicial, e muita gente passou a usar o Telegram. E elas v\u00e3o at\u00e9 2018 e algumas at\u00e9 um pouco al\u00e9m disso. Ent\u00e3o, assim, sim, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar perfeitamente essa linha temporal. Inclusive, a forma como essas conversas est\u00e3o montadas permite perfeitamente que a gente trace isso. A gente tirou esses trechos que a gente publicou de arquivos que permitem essa conex\u00e3o temporal. A gente ainda n\u00e3o encontrou, mas certamente \u00e9 poss\u00edvel que existam conversas daquele dia em que houve uma s\u00e9rie de decis\u00f5es sobre soltar e manter preso o ex-presidente Lula, foi em julho de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TN &#8211;<\/strong>&nbsp;Essa fonte monitorou os procuradores durante anos ou conseguiu uma forma de resgatar at\u00e9 mesmo mensagens antigas, at\u00e9 mesmo apagadas? Como o Intercept certificou que as mensagens eram reais, j\u00e1 que os envolvidos n\u00e3o foram procurados antes da publica\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rafael &#8211;<\/strong>&nbsp;A gente n\u00e3o faz coment\u00e1rios at\u00e9 para preservar a seguran\u00e7a dessa pessoa que nos entregou esse material e \u00e9 um material no qual a gente viu relev\u00e2ncia, nos pareceu bastante verdadeiro logo de cara. Eu estou trabalhando nisso h\u00e1 semanas, n\u00e3o sozinho, mas com outros jornalistas do Intercept. A gente percorreu v\u00e1rios di\u00e1logos. Eu conhe\u00e7o a opera\u00e7\u00e3o, cobri a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato em Curitiba, \u00e9 um arquivo muito vasto para que possa ser falsificado. Datas-chave batem, as conversas batem. N\u00f3s mostramos algumas conversas a pessoas que conversaram com eles. Enfim, tem as conversas, as pessoas reconheceram as conversas. Vozes conferem com as conversas originais. Ent\u00e3o, a gente tem certeza de que se trata de um material verdadeiro. Quanto \u00e0 maneira como a fonte agiu, a gente n\u00e3o comenta isso por quest\u00f5es de seguran\u00e7a da fonte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TN &#8211;<\/strong>&nbsp;Quantas reportagens ainda devem ser publicadas com base em novos fatos dessas mensagens?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rafael &#8211;<\/strong>&nbsp;\u00c9 imposs\u00edvel dizer quantas v\u00e3o ser publicadas, mas como a gente frisou isso se trata dos primeiros frutos de um trabalho que est\u00e1 come\u00e7ando. Ent\u00e3o, certamente, na medida em que a gente v\u00e1 lendo e v\u00e1 investigando e v\u00e1 checando, verificando outras conversas, porque ao contr\u00e1rio do que os procuradores sugeriram a gente trabalhou bastante para colocar todas as coisas no devido contexto, inclusive, lendo conversas paralelas, comparando isso com movimentos processuais, com entrevistas deles \u00e0 \u00e9poca, ent\u00e3o, \u00e9 um trabalho que leva algum tempo, um trabalho com extremo rigor jornal\u00edstico. Mas, certamente vai haver mais mat\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TN &#8211;<\/strong>\u00a0O Intercept optou por publicar as reportagens antes de ouvir as pessoas citadas, antes de ouvir os procuradores e o ex-juiz Sergio Moro, ministro da Justi\u00e7a. Uma das reclama\u00e7\u00f5es do ministro, publicada em\u00a0nota por meio do site Antagonista, criticando a \u201cpostura do site que n\u00e3o entrou em contato antes da publica\u00e7\u00e3o, contrariando regra b\u00e1sica do jornalismo\u201d. Por que os jornalistas optaram por publicar antes de ouvir as pessoas citadas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rafael &#8211;<\/strong>&nbsp;Porque a gente considerou, a gente debateu muito isso entre n\u00f3s e considerou que havia uma chance muito grande de que se eles soubessem que n\u00f3s est\u00e1vamos trabalhando para publicar isso que eles fossem \u00e0 Justi\u00e7a e conseguissem barrar a publica\u00e7\u00e3o. A gente tem in\u00fameros casos de censura pr\u00e9via a jornalistas no Brasil (o jornal) O Estado de S\u00e3o Paulo foi proibido de falar do ex-presidente Jos\u00e9 Sarney. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal proibiu que a Revista Cruzo\u00c9, que \u00e9 ligada ao site Antagonista, publicasse uma mat\u00e9ria sobre o presidente do Supremo Dias Toffoli. Ent\u00e3o, s\u00e3o in\u00fameros casos. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde a liberdade de imprensa n\u00e3o \u00e9 um bem sagrado. Ent\u00e3o, a gente optou fazer dessa forma. Assim que a gente colocou as mat\u00e9rias no ar entrou em contato com os procuradores e o ministro Moro dizendo que a gente colocaria imediatamente no ar as posi\u00e7\u00f5es deles.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TN &#8211;<\/strong>&nbsp;Como est\u00e1 sendo a repercuss\u00e3o para os jornalistas nesse momento? Algu\u00e9m j\u00e1 entrou com alguma medida judicial para impedir que mais conversas sejam publicadas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rafael &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o que seja do nosso conhecimento e nem de nossos advogados. A repercuss\u00e3o tem sido muito boa. Eu diria at\u00e9 surpreendente. Eu imaginava, obviamente, n\u00f3s todos imagin\u00e1vamos, que dado o impacto desse conte\u00fado que a repercuss\u00e3o seria grande. Eu diria que ela tem sido maior e mais ampla do que se imaginava. Teve muito destaque no exterior, nos Estados Unidos e Europa, aqui na Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m. O Estad\u00e3o publicou hoje um material bastante contundente \u00e0 respeito. Enfim, a gente tem certeza de que fez a coisa certa que era divulgar conversas com atitudes incorretas que mostram fatos graves cometidos dentro da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Parece que isso (as reportagens) tem de fato chocado as pessoas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>BemParan\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in\u00edcio de uma\u00a0s\u00e9rie de reportagens publicada pelo site The Intercept Brasil\u00a0revelou conversas mantidas entre integrantes da For\u00e7a Tarefa Lava Jato e o ent\u00e3o juiz federal Sergio Moro. 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