{"id":12557,"date":"2019-06-06T10:34:44","date_gmt":"2019-06-06T13:34:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=12557"},"modified":"2019-06-06T10:34:46","modified_gmt":"2019-06-06T13:34:46","slug":"de-onde-vem-os-terremotos-de-rio-branco-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/06\/06\/de-onde-vem-os-terremotos-de-rio-branco-do-sul\/","title":{"rendered":"De onde v\u00eam os terremotos de Rio Branco do Sul?"},"content":{"rendered":"\n<p> A cidade de\u00a0<strong>Rio Branco do Sul<\/strong>, na Regi\u00e3o Metropolitana de\u00a0<strong>Curitiba<\/strong>, foi palco nos \u00faltimos dias de estudos e an\u00e1lises bem criteriosas quanto aos tremores de terra que abalaram o munic\u00edpio nos \u00faltimos meses. Segundo relat\u00f3rio divulgado pelo Centro de Apoio Cient\u00edfico em Desastres da Universidade Federal do Paran\u00e1 (CENACID), duas grandes hip\u00f3teses ganham for\u00e7a entre os ge\u00f3logos para os terremotos, explora\u00e7\u00e3o demasiada do aqu\u00edfero c\u00e1rstico pelos po\u00e7os de abastecimento da Sanepar ou detona\u00e7\u00f5es das pedreiras nas madrugadas. <\/p>\n\n\n\n<p>O CENACID esteve na cidade para obter informa\u00e7\u00f5es sobre as ocorr\u00eancias e quais os lugares que a popula\u00e7\u00e3o sentiu o abalo s\u00edsmico. \u201cFizemos duas visitas no munic\u00edpio com nossas equipes. Na primeira, contatos foram realizados com autoridades e conversamos com os moradores sobre os tremores. Na outra oportunidade fizemos vistorias nos locais e percebemos um colapso no solo, que seria um afundamento de mais ou menos sete metros de profundidade. Relatamos a situa\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis e relacionamos todos os lugares\u201d, disse Renato Lima, diretor do CENACID.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia da conversa \u00e9 tranquilizar tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 falava disto em uma cidade pacata e com pouco agito. \u201cA gente tem medo at\u00e9, pois n\u00e3o tem tempo para correr para um espa\u00e7o seguro. Moramos em um lugar tranquilo e isto atrapalha at\u00e9 o sono\u201d, ressaltou o morador Manoel Ara\u00fajo, de 68 anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo inicial partiu das informa\u00e7\u00f5es da Defesa Civil de Rio Branco do Sul, que relatou o sismo ocorrido no dia 14 de maio com intensidade 2,6 graus na escala Richter (vai at\u00e9 9). Na coleta de relatos por parte de moradores dos bairros Nossa Senhora de F\u00e1tima, Papanduva, Vila Abr\u00e3o, Nodari II e Tacani\u00e7a, o tremor seria causado por detona\u00e7\u00e3o de pedreira. Inclusive o ge\u00f3logo Rodrigo Arquimedes, da Prefeitura Municipal, informou que o epicentro deste \u00faltimo sismo coincide com o local de atua\u00e7\u00e3o de mineradoras. Chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os hor\u00e1rios apontados por moradores para os terremotos. Em 2019, foram tr\u00eas abalos e nas madrugadas, ou seja, fora do expediente de trabalho das mineradoras. \u201cEu estava acordado na \u00faltima e foi um susto. N\u00f3s at\u00e9 estamos acostumados com as explos\u00f5es de dinamite, mas o hor\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 o adequado\u201d, relatou Fabiano Ribeiro, vendedor de uma loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uso de explosivos<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico na minera\u00e7\u00e3o, uma vez que existem equipamentos extremamente poderosos quando da realiza\u00e7\u00e3o de desmonte, em alguns casos, a detona\u00e7\u00e3o por explosivos ainda \u00e9 mais indicada, seja de ordem t\u00e9cnica, como o caso de rochas para o uso na constru\u00e7\u00e3o civil, seja de ordem econ\u00f4mica (geralmente equipamentos com tais fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito onerosos).<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica deve estar em acordo com as Normas Reguladoras da Minera\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o, Normas Regulamentadoras do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego e R-105 (Regulamento para Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Produtos Controlados) do Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Motivos<\/h2>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o demasiada do aqu\u00edfero c\u00e1rstico pelos po\u00e7os de abastecimento da Sanepar, o relat\u00f3rio aponta que \u00e9 de dif\u00edcil controle, pois mesmo havendo uma redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel d\u2019\u00e1gua da cavidade, o colapso pode n\u00e3o ser imediato ap\u00f3s o rebaixamento. A Prefeitura de Rio Branco do Sul solicitou o relat\u00f3rio de bombeamento dos po\u00e7os profundos da Sanepar para analisar esta hip\u00f3tese. A recomenda\u00e7\u00e3o por parte do CENACID \u00e9 que tamb\u00e9m seja verificado o funcionamento dos po\u00e7os que abastecem as mineradoras. Em nota, a Sanepar informa que monitora no m\u00ednimo 2 vezes por m\u00eas o n\u00edvel dos po\u00e7os que operam em Rio Branco do Sul. Na \u00faltima medi\u00e7\u00e3o, o n\u00edvel de \u00e1gua estava de acordo com os limites estabelecidos e se houvesse o bombeamento excessivo no aqu\u00edfero, o problema iria aparecer na cor da \u00e1gua distribu\u00edda nas casas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Question\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>O Centro de Apoio Cient\u00edfico em Desastres da Universidade Federal do Paran\u00e1 pretende fazer uma pesquisa com os moradores da cidade. O objetivo \u00e9 melhorar e qualificar os pontos primordiais dos abalos s\u00edsmicos quando o fen\u00f4meno voltar a aparecer ou at\u00e9 mesmo relembrar os fatos dos tremores anteriores. \u201cIdeia \u00e9 fazer um question\u00e1rio para um n\u00famero maior de pessoas para termos uma resposta precisa dos fatos. Dias e hor\u00e1rios para termos uma no\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia desta poss\u00edvel movimenta\u00e7\u00e3o das placas tect\u00f4nicas\u201d, explicou Renato Lima.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recomenda\u00e7\u00f5es da UFPR<\/h2>\n\n\n\n<p>Recomenda-se que o munic\u00edpio instale um aparelho para registro sismol\u00f3gico cont\u00ednuo para que seja mais preciso a medi\u00e7\u00e3o em um futuro sismo. O aparelho deve ser instalado por uma empresa especializada e em local seguro e livre de ru\u00eddos ou interfer\u00eancias de vibra\u00e7\u00e3o como, por exemplo, o tr\u00e1fego de ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se descarta outras possibilidades para o fen\u00f4meno como colapsos naturais em regi\u00f5es c\u00e1rsticas (desabamento de cavernas) e movimentos associados a falhas tect\u00f4nicas e reflexos. O Centro de Apoio Cient\u00edfico em Desastres da Universidade Federal do Paran\u00e1 voltar\u00e1 ao munic\u00edpio nos pr\u00f3ximos dias e manter\u00e1 contato com autoridades da Defesa Civil, mas prefere n\u00e3o estipular um prazo para concluir o estudo e naturalmente obter a resposta para o fen\u00f4meno. \u201cN\u00e3o vou estabelecer prazo, pois temos muitos elementos para analisar. O pr\u00f3prio question\u00e1rio vai nos ajudar muito\u201d, finalizou o diretor do CENACID.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Universidade de S\u00e3o Paulo de olho<\/h2>\n\n\n\n<p>A Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), com o Centro de Sismologia, segue atenta com os abalos em Rio Branco do Sul. A unidade paulista \u00e9 refer\u00eancia em estudos com emiss\u00e3o de boletins s\u00edsmicos em tempo real no Brasil. \u201cAs esta\u00e7\u00f5es da Rede Sismogr\u00e1fica Brasileira (RSBR), da qual a USP faz parte, continuam monitorando toda a sismicidade do pa\u00eds. Este monitoramento faz parte da nossa rotina\u201d, explicou o professor da USP, Marcelo Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A USP reafirma que segue auxiliando a Defesa Civil do munic\u00edpio paranaense, mas a princ\u00edpio a dist\u00e2ncia. \u201cInfelizmente, n\u00e3o temos recursos financeiros e nem humanos para seguir para Rio Branco do Sul e instalar mais esta\u00e7\u00f5es locais. De qualquer maneira, os tremores t\u00eam sido pequenos e n\u00e3o se justificaria por parte da gente um estudo mais detalhado\u201d, finalizou Marcelo Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>TribunaPR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de\u00a0Rio Branco do Sul, na Regi\u00e3o Metropolitana de\u00a0Curitiba, foi palco nos \u00faltimos dias de estudos e an\u00e1lises bem criteriosas quanto aos tremores de terra que abalaram o munic\u00edpio nos \u00faltimos meses. 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