{"id":1228,"date":"2019-03-19T11:28:59","date_gmt":"2019-03-19T14:28:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=1228"},"modified":"2019-03-19T11:29:00","modified_gmt":"2019-03-19T14:29:00","slug":"o-que-o-brasil-ganha-com-o-acordo-sobre-a-base-de-alcantara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/19\/o-que-o-brasil-ganha-com-o-acordo-sobre-a-base-de-alcantara\/","title":{"rendered":"O que o Brasil ganha com o acordo sobre a base de Alc\u00e2ntara?"},"content":{"rendered":"\n<p> Constru\u00eddo em 1983, o Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, \u00e9 mundialmente conhecido por sua localiza\u00e7\u00e3o privilegiada, pr\u00f3xima da linha do Equador, que permite reduzir em at\u00e9 30% o combust\u00edvel necess\u00e1rio para um voo espacial. Seu potencial, no entanto, foi pouco explorado at\u00e9 agora, porque havia uma limita\u00e7\u00e3o para o uso da base por outros pa\u00edses. Com, o novo Acordo de Salvaguardas Tecnol\u00f3gicas (AST), que permite aos Estados Unidos lan\u00e7arem sat\u00e9lites com fins pac\u00edficos a partir de Alc\u00e2ntara, espera-se que haja mais investimentos na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p> Mas h\u00e1 quem veja amea\u00e7as \u00e0 soberania nacional e uma aproxima\u00e7\u00e3o exagerada do presidente Jair Bolsonaro com o presidente norte-americano Donald Trump, em torno de uma agenda nacionalista e &#8220;antiglobalista&#8221;. Vale lembrar que Bolsonaro j\u00e1 defendeu a instala\u00e7\u00e3o de uma base militar americana em solo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Centenas de milh\u00f5es Os valores do neg\u00f3cio n\u00e3o foram divulgados, mas segundo o presidente da AEB (Ag\u00eancia Espacial Brasileira), coronel Carlos Moura, s\u00e3o esperados aportes expressivos dos EUA no Brasil: Cifras na ordem de dezenas a centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano seriam uma estimativa conservadora e realiz\u00e1vel num horizonte de m\u00e9dio prazo O acordo \u00e9 chamado de &#8220;salvaguarda  tecnol\u00f3gica&#8221; por estabelecer que apenas pessoas designadas pelas autoridades dos EUA ter\u00e3o acesso aos artefatos com tecnologia norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds teme espionagem. Em contrapartida, o Brasil receber\u00e1 pagamento pelo aluguel da base para lan\u00e7amentos. Fala-se de um acordo do tipo desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas o texto foi barrado pelo Congresso Nacional. A proposta voltou a andar no governo Temer, mas sem conclus\u00e3o.  <br>O texto agora precisa passar de novo pelo Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p> Por que importa tanto? A base de Alc\u00e2ntara \u00e9 cobi\u00e7ada, porque fica num ponto estrat\u00e9gico. Voo que saem a partir dali rumo \u00e0 \u00f3rbita equatorial (onde o sat\u00e9lite artificial ou natural orbita baixo, na altura da linha do Equador) tem custos operacionais menores em rela\u00e7\u00e3o a outras bases pelo mundo. Isso \u00e9 uma diferencial para voos com cargas maiores, por exemplo, um foguete com grande quantidade de sat\u00e9lites.<\/p>\n\n\n\n<p> Com o novo acordo, tanto os EUA quanto empresas privadas que usam a tecnologia norte-americana podem fazer lan\u00e7amentos maiores a partir de Alc\u00e2ntara &#8211;programas espaciais que usam tecnologia americana tamb\u00e9m estavam impedidos de usar a base. Nos \u00faltimos anos, a base de Alc\u00e2ntara ficou restrita a voos suborbitais (altitude de at\u00e9 100 km acima do n\u00edvel do mar) e a foguetes de testes, enquanto a iniciativa privada investe pesado em voos espaciais &#8211;j\u00e1 temos testes feitos pela SpaceX, de Elon Musk, a Virgin Galactic, de Richard Branson, e a Blue Origin, de Jeff Bezos.<\/p>\n\n\n\n<p> Parte desse atraso do programa brasileiro foi por causa de um grave acidente em 2003, quando o foguete brasileiro explodiu, que limitou seu uso ao lan\u00e7amento de sondas, sem colocar em \u00f3rbita nenhum sat\u00e9lite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> Empurr\u00e3ozinho <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tentar abocanhar parte do rico mercado espacial, que movimentou US$ 3 bilh\u00f5es em 2017, segundo dados da Administra\u00e7\u00e3o Federal da Avia\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos (FAA), a quest\u00e3o principal para o Brasil \u00e9 que o acordo pode ser um impulso no nosso programa. Os EUA det\u00eam cerca de 80% da tecnologia de lan\u00e7amento de sat\u00e9lites, e para outro pa\u00eds usar essa tecnologia em projetos pr\u00f3prios era necess\u00e1rio um acordo como esse. Estima-se que, em todo o mundo, exista uma m\u00e9dia de 42 lan\u00e7amentos comerciais de sat\u00e9lites por ano. Mais importante que o lucro da atividade espacial, \u00e9 a necessidade de se formar uma &#8220;economia espacial brasileira&#8221;, como explica Carlos Gurgel, professor do departamento de engenharia mec\u00e2nica da UnB e ex-diretor de sat\u00e9lites da AEB. O acordo abre espa\u00e7o para desenvolver mais tecnologia e inova\u00e7\u00e3o na \u00e1rea espacial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> Soberania amea\u00e7ada? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 quem veja uma amea\u00e7a \u00e0 nossa soberania nacional. O projeto foi bloqueado pelo Congresso brasileiro, no fim dos anos 2000, porque os parlamentares consideraram que a zona seria administrada pelos EUA, na pr\u00e1tica. Havia muitas restri\u00e7\u00f5es no acesso brasileiro a qualquer tecnologia americana. O novo acordo traz uma cl\u00e1usula que estabelece que nada no AST pode prejudicar o desenvolvimento aut\u00f4nomo do programa espacial brasileiro, e os recursos vindos dos EUA em futuros acordos comerciais com o Brasil poder\u00e3o ser usados em qualquer etapa do Programa Espacial Brasileiro, menos em ve\u00edculos lan\u00e7adores &#8211;ou seja, foguetes.<\/p>\n\n\n\n<p> O embaixador do Brasil nos EUA, S\u00e9rgio Amaral, explicou que &#8220;nada impede que toda a receita obtida financie o Programa Espacial Brasileiro e o Tesouro Nacional arque s\u00f3 com o desenvolvimento de foguetes lan\u00e7adores&#8221;. Mas ainda n\u00e3o est\u00e1 claro de como esses pontos seriam na pr\u00e1tica. Para Gurgel, a quest\u00e3o do repasse das futuras verbas precisa ser observada com aten\u00e7\u00e3o. O atual governo planeja criar uma estatal para gerenciar esses recursos. Se isso ocorrer, o dinheiro seria depositado na conta do tesouro, o que torna fica mais dif\u00edcil saber se est\u00e1 sendo mesmo aplicado no programa espacial. <\/p>\n\n\n\n<p> <br>O ministro Marcos Pontes, da Ci\u00eancia e Tecnologia, defende que a soberania n\u00e3o \u00e9 afetada e que se trata de uma discuss\u00e3o t\u00e9cnica. &#8220;Imagina que voc\u00ea trouxe alguma tecnologia para dentro do seu quarto [de hotel] que, logicamente voc\u00ea controla. Voc\u00ea tem a chave do quarto, mas eu, como dono do hotel, posso entrar a hora que precisar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 algo mais ou menos nesse estilo&#8221;, explicou. O Minist\u00e9rio disse que \u00e9 importante assinar acordos com outros pa\u00edses, como o Jap\u00e3o e a \u00cdndia, para que o uso da base n\u00e3o fique limitado s\u00f3 aos EUA, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 qualquer previs\u00e3o para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p> O que se sabe \u00e9 que estava prevista uma \u00e1rea exclusiva para os americanos dentro do centro de lan\u00e7amento e a possibilidade de transitarem com material pela \u00e1rea sem passar por inspe\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito brasileiro. Mas isso foi eliminado do novo projeto, segundo o governo. Em contrapartida, os EUA exigiam que n\u00e3o houvesse transfer\u00eancia de tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Uol<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Constru\u00eddo em 1983, o Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, \u00e9 mundialmente conhecido por sua localiza\u00e7\u00e3o privilegiada, pr\u00f3xima da linha do Equador, que permite reduzir em at\u00e9 30% o combust\u00edvel necess\u00e1rio para um voo espacial. 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