{"id":11606,"date":"2019-05-25T17:55:33","date_gmt":"2019-05-25T20:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=11606"},"modified":"2019-05-25T17:55:34","modified_gmt":"2019-05-25T20:55:34","slug":"estudante-de-direito-que-gravou-video-racista-durante-eleicoes-e-expulso-novamente-do-mackenzie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/05\/25\/estudante-de-direito-que-gravou-video-racista-durante-eleicoes-e-expulso-novamente-do-mackenzie\/","title":{"rendered":"Estudante de direito que gravou v\u00eddeo racista durante elei\u00e7\u00f5es \u00e9 expulso novamente do Mackenzie"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s uma disputa judicial, a Universidade Presbiteriana Mackenzie em S\u00e3o Paulo decidiu expulsar novamente o estudante Pedro Baleotti, que gravou um v\u00eddeo durante as elei\u00e7\u00f5es de 2018\u00a0dizendo que a \u201cnegraiada vai morrer\u201d. Ele\u00a0virou r\u00e9u por racismo\u00a0e foi demitido do escrit\u00f3rio de advocacia onde trabalhava.<\/p>\n\n\n\n<p>A assessoria de imprensa do Mackenzie confirmou que, ap\u00f3s novo processo administrativo instaurado na Corregedoria, Baleotti foi desligado da institui\u00e7\u00e3o em portaria publicada pela Reitoria em abril de 2019. Procurada \u00a0neste s\u00e1bado (25), a defesa do estudante afirmou que n\u00e3o vai se manifestar sobre a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o caso ganhar repercuss\u00e3o no ano passado, o Mackenzie\u00a0j\u00e1 havia decidido expulsar Baleotti. No entanto, o estudante questionou o processo e a\u00a0Justi\u00e7a suspendeu o desligamento\u00a0afirmando que a faculdade n\u00e3o cumpriu as normas para a forma\u00e7\u00e3o do Conselho Universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta sexta-feira (22), o Coletivo Negro Afromack divulgou uma nota comemorando a decis\u00e3o. O grupo de estudantes foi respons\u00e1vel por organizar manifesta\u00e7\u00f5es para pressionar a faculdade a tomar provid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAp\u00f3s mais de seis meses de luta, buscando todas as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, finalmente podemos ver o direito \u00e0 vida ser colocado como uma prioridade, de acordo com o que assegura a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos\u201d, diz o texto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Relembre o caso<\/h2>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2018, repercutiu nas redes sociais um v\u00eddeo em que o estudante Pedro Baleotti, de 25 anos, aparece com uma camiseta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) dizendo que est\u00e1 &#8220;indo votar ao som de Zez\u00e9, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio vagabundo com camiseta vermelha e j\u00e1 matar logo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;T\u00e1 vendo essa negraiada [apontando a c\u00e2mera para uma moto ocupada por duas pessoas]? Vai morrer, vai morrer, \u00e9 capit\u00e3o caralho!&#8221;, diz no v\u00eddeo gravado em Londrina, no Paran\u00e1, seu domic\u00edlio eleitoral. Num segundo v\u00eddeo, o estudante aparece no interior de um apartamento manuseando uma arma de fogo, dizendo: &#8220;Capit\u00e3o, levanta-te, hoje o povo brasileiro precisa de voc\u00ea&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso ganhou repercuss\u00e3o e Baleotti foi demitido do escrit\u00f3rio de advocacia onde trabalhava em S\u00e3o Paulo. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (Decradi) do DHPP\u00a0o indiciou por crime racial, mas o caso foi transferido para o Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Em depoimento \u00e0 pol\u00edcia, o estudante disse que divulgou essa grava\u00e7\u00e3o em um grupo do whatsapp que participava, mas que teria se arrependido e apagado o conte\u00fado. A defesa alega que o conte\u00fado foi divulgado nas redes sociais sem sua autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 TV Globo, Baleotti afirmou que\u00a0n\u00e3o \u00e9 \u201cracista, nem preconceituoso, muito menos violento\u201d e pediu perd\u00e3o pelo \u201c\u00e1udio infeliz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Expuls\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Os alunos da institui\u00e7\u00e3o continuaram pressionando para que o Mackenzie tomasse medidas mais duras e expulsasse o aluno diante da gravidade das acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 10 de janeiro,\u00a0o Mackenzie confirmou o desligamento do aluno. Entretanto, na ocasi\u00e3o, a Justi\u00e7a j\u00e1\u00a0havia determinado que a expuls\u00e3o fosse suspensa. Na pr\u00e1tica, portanto, o aluno n\u00e3o poderia ter sido desligado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na decis\u00e3o de dezembro, a ju\u00edza Silvia Figueiredo Marques, do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa. Regi\u00e3o, acata parcialmente o argumento da defesa de Baleotti de que o processo disciplinar aberto pela institui\u00e7\u00e3o para investigar o aluno foi irregular. Ela mant\u00e9m a suspens\u00e3o preventiva do estudante, j\u00e1 determinada pelo Mackenzie anteriormente, por\u00e9m suspende seu desligamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os v\u00eddeos foram divulgados, Baleotti estava no \u00faltimo semestre do curso. No documento, a defesa diz ainda que a suspens\u00e3o do estudante impediu que ele cumprisse suas atividades acad\u00eamicas, o que acarretou em sua reprova\u00e7\u00e3o por falta em uma mat\u00e9ria e a impossibilidade de apresentar seu trabalho de conclus\u00e3o de curso.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Norman Prochet Neto afirmou que tanto o estudante quanto o Mackenzie j\u00e1 haviam sido notificados da liminar em dezembro. Seu cliente, no entanto, preferiu n\u00e3o comentar o processo para n\u00e3o dar mais visibilidade ao caso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Pedro sempre foi um excelente aluno, com boas notas. Al\u00e9m de os v\u00eddeos terem sido divulgados sem seu consentimento, eles foram feitos em outra cidade e n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o contexto acad\u00eamico\u201d, disse o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 29 de janeiro, a Justi\u00e7a Federal de S\u00e3o Paulo\u00a0manteve a decis\u00e3o liminar\u00a0que impediu a Universidade Presbiteriana Mackenzie de expulsar o estudante.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crime de racismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Sobre o processo criminal, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo afirmou que o caso foi enviado para Londrina, no Paran\u00e1, onde ocorreu o crime.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O estudante foi indiciado no artigo 20 da Lei do Crime Racial 7.716\/89 (Praticar, induzir ou incitar a discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito de ra\u00e7a, cor, etnia, religi\u00e3o ou proced\u00eancia nacional) com pena de dois a cinco anos de pris\u00e3o e multa. Sobre a arma exibida no v\u00eddeo, a documenta\u00e7\u00e3o foi apresentada e, segundo pesquisa realizada no Sistema INFOSEG, est\u00e1 regular&#8221;, disse a pasta em nota no dia 10 de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2019, a Justi\u00e7a do Paran\u00e1 aceitou a den\u00fancia apresentada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e o estudante\u00a0se tornou r\u00e9u pelo crime de racismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/kY6q8uSqbc7zWxPNmbzIiu3n_nQ=\/0x0:540x379\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2018\/2\/9\/k1ngQhRYmOyiXSAS0qOw\/protesto-mack.jpg\" alt=\"Estudantes do Mackenzie protestam em S\u00e3o Paulo contra caso de racismo \u2014 Foto: Arquivo pessoal\/Coletivo Negro Afromack\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Estudantes do Mackenzie protestam em S\u00e3o Paulo contra caso de racismo \u2014 Foto: Arquivo pessoal\/Coletivo Negro Afromack<\/p>\n\n\n\n<p>G1PR<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma disputa judicial, a Universidade Presbiteriana Mackenzie em S\u00e3o Paulo decidiu expulsar novamente o estudante Pedro Baleotti, que gravou um v\u00eddeo durante as elei\u00e7\u00f5es de 2018\u00a0dizendo que a \u201cnegraiada vai morrer\u201d. 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