{"id":11427,"date":"2019-05-23T17:21:27","date_gmt":"2019-05-23T20:21:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=11427"},"modified":"2019-05-23T17:21:30","modified_gmt":"2019-05-23T20:21:30","slug":"brasileiros-com-mais-de-50-anos-injetam-quase-r-2-trilhoes-na-economia-anualmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/05\/23\/brasileiros-com-mais-de-50-anos-injetam-quase-r-2-trilhoes-na-economia-anualmente\/","title":{"rendered":"Brasileiros com mais de 50 anos injetam quase R$ 2 trilh\u00f5es na economia anualmente"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea faz ideia do potencial financeiro das pessoas a partir dos 50 anos e de como elas podem girar a economia do Pa\u00eds, muito mais que os \u201cmenores\u201d de 49 anos? O p\u00fablico a partir desta faixa et\u00e1ria movimenta 1,8 trilh\u00f5es de reais na economia ao ano, ou seja, eles representam 42% da renda total de todos os brasileiros. O dado \u00e9 de \u201carregalar os olhos\u201d. Mas ser\u00e1 que a ind\u00fastria, o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os j\u00e1 prestaram aten\u00e7\u00e3o a isto? A pesquisa Longeratividade, apresentada pelo Instituto Locomotiva e a Bradesco Seguros responde a pergunta: n\u00e3o exatamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de continuar neste ponto da discuss\u00e3o, \u00e9 importante mostrar como esse p\u00fablico ainda \u00e9 ativo e produtivo (e com os avan\u00e7os da medicina, estar\u00e1 ainda mais produtivo daqui tr\u00eas d\u00e9cadas). 81% das pessoas com mais de 50 anos n\u00e3o se considera nem jovem, nem velho, ou seja, ainda plenamente capaz de muitas coisas e 52% delas consideram o trabalho e a profiss\u00e3o importantes para definirem a pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar deste quadro de pessoas maduras e experientes, as empresas est\u00e3o preparadas para receber os maiores de 50 anos? \u201cAs placas de tr\u00e2nsito, de avisos, as propagandas mostram idosos doentes, ultrapassados e improdutivos. Mas eles ainda s\u00e3o experientes, ativos e capazes. Para quem est\u00e1 entrando no mercado de trabalho, h\u00e1 diversos programas de est\u00e1gios, aprendiz e qualifica\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o temos programas que ajudem a pessoa com mais de 60 anos a manter-se ativa no mercado de trabalho, apesar da sua experi\u00eancia\u201d, lamenta Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade (ILC, da sigla original em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Velho o \u201cescambau\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Kalache, que acompanhou a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados da pesquisa Longeratividade, \u00e9 um exemplo de pessoa \u201cmadura\u201d, ativa e produtiva, mostrando ao mercado de trabalho a que veio: com 73 anos, tem uma agenda abarrotada de compromissos e entrevistas na m\u00eddia sobre o assunto longevidade. Enquanto a pesquisa Longeratividade era apresentada, Kalache anotava tudo num papel e, logo ao t\u00e9rmino da explana\u00e7\u00e3o, foi convidado a mediar um debate sobre o tema, mostrando a sua r\u00e1pida capacidade em interpretar os n\u00fameros apresentados e jog\u00e1-los em perguntas provocadoras e instigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, entre o p\u00fablico com mais de 50 anos, para 51% deles a renda principal vem do trabalho (R$ 902 bilh\u00f5es). Apenas 38% deles vive exclusivamente da aposentadoria (R$ 672 bilh\u00f5es). Outros 11% vivem de pens\u00e3o ou outras fontes de renda (R$ 194 bilh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Girando grana<\/h3>\n\n\n\n<p>A pesquisa Longeratividade ainda mostrou que, no ano passado, 32% dos brasileiros com mais de 50 anos foram jantar fora por lazer. 17% foram a bailes ou casas noturnas e 17% foram a algum show. E o que esse p\u00fablico quer fazer quando passar dos 50 anos? 52% deles quer viajar mais, 40% quer continuar trabalhando e juntando dinheiro e 38% quer empreender, seguidos por mudar de casa e ampliar os estudos, ou seja, desejam se manter ativos e injetando dinheiro na economia. E a pesquisa mostra mais um dado econ\u00f4mico que prova o potencial deste p\u00fablico: 62% deles s\u00e3o chefes de fam\u00edlia (contra 25% dos brasileiros com menos de 49 anos).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Potencial de consumo<\/h3>\n\n\n\n<p>Para os pr\u00f3ximos 12 meses, 30% do p\u00fablico com mais de 50 anos (9,8 milh\u00f5es de pessoas) quer comprar m\u00f3veis para casa, 24% quer comprar um smartphone ou uma TV (quase 10 milh\u00f5es de pessoas) e 22 % uma geladeira ou notebook (7,2 milh\u00f5es de pessoas).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda dentro das inten\u00e7\u00f5es de consumo, 7,8 milh\u00f5es de pessoas acima de 50 anos (24%) querem reformar a casa, 9,7 milh\u00f5es (18%) querem viajar de avi\u00e3o pelo Pa\u00eds e 8,6 milh\u00f5es (16%) desejam fazer um curso profissionalizante ou faculdade, al\u00e9m dos 2,2 milh\u00f5es (4%) que sonham viajar ao exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos 77% das pessoas com mais de 50 anos dizem que os personagens das propagandas costumam ser muito diferentes delas, ou seja, este p\u00fablico n\u00e3o se identifica com a publicidade atual. E 87% destas pessoas gostariam de ser mais ouvidas pelas empresas, pois 67% delas preferem marcas e empresas que tenham valores parecidos com os seus. As informa\u00e7\u00f5es foram extra\u00eddas da pesquisa Longeratividade, realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Bradesco Seguros, para entender os costumes e desejos dos brasileiros ap\u00f3s os 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sociedade ainda \u00e9 muito preconceituosa com o idoso. Todo mundo acha legal esse papo de longevidade, de que a expectativa de vida est\u00e1 aumentando, todo mundo quer viver mais. Mas ningu\u00e9m quer ficar velho. E o preconceito com a idade \u00e9 um dos piores, porque n\u00e3o \u00e9 um preconceito contra outra pessoa. \u00c9 contra n\u00f3s mesmos\u201d, afirma a coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Positivo, Christiane Monteiro Machado.<\/p>\n\n\n\n<p>Christiane tamb\u00e9m \u00e9 doutoranda pela Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, onde defende uma tese com este foco, de mostrar como o idoso \u00e9 retratado na publicidade. Como base de sua pesquisa, ela analisou as propagandas das 10 maiores empresas anunciantes do Brasil, detentoras de mais de 200 marcas de produtos diversos. Ela constatou que os idosos aparecem em menos de 3% nas propagandas. E apesar de ser um p\u00fablico maduro, decidido em seus valores e op\u00e7\u00f5es e com grande potencial financeiro, a professora constatou que existe uma minoria de produtos voltados especificamente para este p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m verificou que quase todas as vezes que os comerciais exibem pessoas mais maduras, quase nunca mostram os maiores de 60 anos como eles s\u00e3o na realidade, ainda ativos e produtivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs comerciais mostram aqueles idosos de antigamente, velhinhos, desconectados da realidade, isolados, quietos. H\u00e1 ainda um outro perfil, mais caricato, com a inten\u00e7\u00e3o de fazer piada. E a piada s\u00f3 existe porque a pessoa mostrada na propaganda \u00e9 idosa. \u00c9 aquele idoso pilotando uma motocicleta, fazendo coisas de \u2018jovem\u2019. Falar de sexo na terceira idade \u00e9 algo que faz rir. \u00c9 uma forma de preconceito, porque mostrar um idoso em situa\u00e7\u00e3o de namoro causa risada\u201d, lamenta a doutoranda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Christiane constatou que, comparado \u00e0 d\u00e9cada anterior, h\u00e1 menos preconceito e o idoso come\u00e7a a aparecer num perfil mais \u201cnatural\u201d. Ainda \u00e9 aquele velhinho (\u00e0s vezes naquele perfil caricato), por\u00e9m inserido numa fam\u00edlia, que tem av\u00f4 e av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas ainda n\u00e3o \u00e9 comum. O idoso est\u00e1 escondido na publicidade. \u00c9 necess\u00e1rio mostrar que, mesmo que um produto n\u00e3o seja feito especificamente para a terceira idade, ele tamb\u00e9m pode ser consumido por este p\u00fablico. Veja um hospital que tem diversos servi\u00e7os, por exemplo. Mostram pessoas jovens na propaganda destes servi\u00e7os. S\u00f3 quando chega l\u00e1 na cirurgia de catarata, por exemplo, colocam um idoso. Mas uma pessoa mais madura pode usar qualquer um destes outros servi\u00e7os. Idoso tamb\u00e9m faz check-up, ultrassonografia, eletrocardiograma\u201d, mostra a doutoranda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mas ent\u00e3o, o que fazer?<\/h3>\n\n\n\n<p>Com a sua tese de doutorado, Christiane pretende levar uma reflex\u00e3o \u00e0 sociedade em geral, para mostrar que n\u00e3o \u00e9 ruim ter mais de 60 anos e que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da publicidade ajudar a quebrar esse preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA publicidade \u00e9 capaz de ensinar coisas novas. As marcas precisam ter coragem de incluir outros p\u00fablicos em seus comerciais, de fugir daquele estere\u00f3tipo de \u2018fam\u00edlia margarina\u2019 (perfeita e jovem) e mostrar os idosos, hoje invis\u00edveis ou caricatos nos comerciais. O Brasil est\u00e1 invertendo a pir\u00e2mide et\u00e1ria e em poucas d\u00e9cadas seremos um pa\u00eds de velhos. Precisamos diminuir este preconceito com a idade\u201d, preconiza Christiane.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora e doutoranda, as ag\u00eancias e anunciantes que querem esse p\u00fablico mais maduro ainda n\u00e3o entenderam como falar com ele. \u201cO grande desafio \u00e9 mostrar que determinado produto ou servi\u00e7o pode ser usado pelo idoso, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 exclusivo para ele. \u00c9 preciso identificar formas mais adequadas e coerentes de se comunicar com a realidade do p\u00fablico mais maduro. \u00c9 uma mudan\u00e7a cultural que vai demorar anos para acontecer\u201d, lamenta a publicit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>TribunaPR<br><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea faz ideia do potencial financeiro das pessoas a partir dos 50 anos e de como elas podem girar a economia do Pa\u00eds, muito mais que os \u201cmenores\u201d de 49 anos? 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