{"id":10925,"date":"2019-05-20T12:10:39","date_gmt":"2019-05-20T15:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=10925"},"modified":"2019-05-20T12:10:53","modified_gmt":"2019-05-20T15:10:53","slug":"hipertensao-arterial-a-doenca-silenciosa-que-atinge-35-da-populacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/05\/20\/hipertensao-arterial-a-doenca-silenciosa-que-atinge-35-da-populacao-brasileira\/","title":{"rendered":"Hipertens\u00e3o arterial: a doen\u00e7a silenciosa que atinge 35% da popula\u00e7\u00e3o brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>A hipertens\u00e3o arterial, popularmente chamada de press\u00e3o alta, atinge cerca de um bilh\u00e3o de pessoas no mundo, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). \u00c9 o principal fator de risco para doen\u00e7as cardiovasculares, como infarto agudo do mioc\u00e1rdio e acidente vascular cerebral (AVC).<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, aproximadamente 35% da popula\u00e7\u00e3o tem a enfermidade, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas metade nem sabe disso. Das pessoas que t\u00eam conhecimento, 50% fazem uso de medica\u00e7\u00e3o, e, dessas, apenas 45% t\u00eam a press\u00e3o controlada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 hipertens\u00e3o arterial?<\/h2>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e degenerativa, caracterizada pelos n\u00edveis elevados da press\u00e3o sangu\u00ednea nas art\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sangue bombeado pelo cora\u00e7\u00e3o exerce uma for\u00e7a contra as paredes internas dos vasos, e estes oferecem certa resist\u00eancia a essa passagem, determinando a press\u00e3o. Quando algo n\u00e3o funciona bem neste sistema, ocorre a sua eleva\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Celso Amodeo, cardiologista e especialista em hipertens\u00e3o arterial do HCor, de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelas diretrizes da OMS, uma pessoa \u00e9 considerada hipertensa quando sua press\u00e3o sist\u00f3lica (contra\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o) \u00e9 maior que 140 mil\u00edmetros de merc\u00fario (mmHg) e\/ou a diast\u00f3lica (relaxamento entre um batimento card\u00edaco e outro) igual ou maior que 90 mmHg &#8211; nos Estados Unidos, essa classifica\u00e7\u00e3o foi alterada em 2017 para 13&#215;8.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o m\u00e9dico explica que h\u00e1 vari\u00e1veis. &#8220;Tudo vai depender dos fatores de risco associados. Tem pacientes que j\u00e1 precisam iniciar o tratamento quando a press\u00e3o passa de 120 mmHg&#8221;, informa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser uma doen\u00e7a, a hipertens\u00e3o arterial \u00e9 um fator de risco para outras enfermidades, como insufici\u00eancia renal, fal\u00eancia dos rins, dem\u00eancia e altera\u00e7\u00f5es na vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o destaque fica para as cardiovasculares, pois elas s\u00e3o as que mais matam no mundo. Para se ter uma ideia, em 2017, no Brasil, foram mais de 383 mil mortes por esse motivo, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se olharmos os atestados de \u00f3bito, veremos que a press\u00e3o alta desencadeou 80% dos casos de derrame cerebral e 60% dos de ataque card\u00edaco&#8221;, relata Amodeo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece \u00e9 que a patologia provoca o estreitamento dos vasos e faz com que o cora\u00e7\u00e3o precise bombear o sangue com cada vez mais for\u00e7a para impulsion\u00e1-lo por todo o organismo e depois receb\u00ea-lo de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse processo dilata o \u00f3rg\u00e3o, danifica as art\u00e9rias e, consequentemente, favorece a ocorr\u00eancia de ataques card\u00edacos e derrames cerebrais&#8221;, pontua o cardiologista do HCor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/63B9\/production\/_106992552_gettyimages-1029339748.jpg\" alt=\"Pessoa despeja comprimido na m\u00e3o\"\/><figcaption>Image captionMedicamentos podem ser necess\u00e1rios para controlar a hipertens\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tipos de hipertens\u00e3o e fatores de risco<\/h2>\n\n\n\n<p>O principal tipo de press\u00e3o alta \u00e9 o prim\u00e1rio, respons\u00e1vel por 95% dos casos, segundo Amodeo. &#8220;\u00c9 um quadro que come\u00e7a mais na idade adulta e, normalmente, em pessoas com hist\u00f3rico familiar da doen\u00e7a&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rios fatores que exercem influ\u00eancia. O n\u00famero um \u00e9 o consumo excessivo de sal. Apesar de ser recomendado no m\u00e1ximo 4g por dia, o brasileiro ingere de 10 a 12g, e isso inclui as quantidades utilizadas no preparo dos alimentos e tamb\u00e9m o que se encontra nos produtos processados e industrializados &#8211; enlatados, embutidos e conservas s\u00e3o alguns.<\/p>\n\n\n\n<p>Os demais s\u00e3o: tabagismo, obesidade, estresse, colesterol alto, sedentarismo, polui\u00e7\u00e3o e diabetes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora isso, sabe-se que a incid\u00eancia da press\u00e3o alta \u00e9 maior entre a popula\u00e7\u00e3o negra e que aumenta progressivamente com a idade &#8211; estima-se que 50% das pessoas com mais de 65 anos tenham o problema e 80% das com mais de 75 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tipo de hipertens\u00e3o \u00e9 o secund\u00e1rio, respons\u00e1vel por 3 a 5% dos diagn\u00f3sticos. Nesta situa\u00e7\u00e3o, a eleva\u00e7\u00e3o da press\u00e3o se d\u00e1 em decorr\u00eancia de alguma enfermidade, como hipertireoidismo, hipotireoidismo, apneia do sono, tumor na gl\u00e2ndula suprarenal e obstru\u00e7\u00e3o na art\u00e9ria renal.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda a &#8220;hipertens\u00e3o do avental branco&#8221;, que caracteriza-se por valores anormais da press\u00e3o arterial quando medida no consult\u00f3rio e normais quando registrada pelo monitoramento ambulatorial e residencial, e a mascarada, que \u00e9 justamente o contr\u00e1rio, ou seja, press\u00e3o baixa no consult\u00f3rio m\u00e9dico e alta no monitoramento ambulatorial e residencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, existe a doen\u00e7a hipertensiva espec\u00edfica da gesta\u00e7\u00e3o (DHEG). Ela se apresenta nas formas de pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia (aumento da press\u00e3o arterial acompanhada da elimina\u00e7\u00e3o de prote\u00edna pela urina) e ecl\u00e2mpsia (complica\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia, provoca press\u00e3o muito elevada e est\u00e1 associada a sintomas como convuls\u00e3o, dor de cabe\u00e7a e incha\u00e7o).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1599\/production\/_106992550_gettyimages-923488890.jpg\" alt=\"M\u00e3o de mulher segurando saleiro e salgando salada\"\/><figcaption>Image captionConsumo excessivo de sal est\u00e1 associado \u00e0 hipertens\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sintomas, diagn\u00f3stico e tratamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes, a patologia n\u00e3o tem sintomas. Eduardo Costa Duarte Barbosa, cardiologista e presidente da Latin American Society Hypertension (Lash), diz que sinais como dor de cabe\u00e7a, falta de ar, palpita\u00e7\u00f5es, zumbido no ouvido e tontura s\u00f3 ocorrem se a pessoa tiver uma crise hipertensiva (subida abrupta da press\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por se tratar de uma doen\u00e7a assintom\u00e1tica, \u00e9 muito importante aferir a press\u00e3o uma vez por ano&#8221;, afirma o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele relata ainda que, em alguns caos, a medi\u00e7\u00e3o realizada no consult\u00f3rio, com aparelhos manuais ou autom\u00e1ticos, \u00e9 suficiente, por\u00e9m, h\u00e1 outros em que se faz necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o do exame ambulatorial da press\u00e3o arterial, conhecido como MAPA, durante 24 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>A enfermidade n\u00e3o tem cura, mas pode ser tratada e controlada por meio, principalmente, da corre\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos alimentares pouco saud\u00e1veis, combate ao sedentarismo e controle do estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos pacientes ainda precisam fazer uso de medicamentos, dentre eles vasodilatadores, diur\u00e9ticos, inibidores do canal de c\u00e1lcio e beta-bloqueadores. Eles podem ser usados sozinhos ou combinados.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata da DHEG, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informa que o &#8220;tratamento da press\u00e3o alta leve na gr\u00e1vida deve ser focado em medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, j\u00e1 nas formas moderada e grave pode-se optar pelo tratamento usual recomendado para cada condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica espec\u00edfica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Maio: m\u00eas da conscientiza\u00e7\u00e3o da hipertens\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00eas de maio \u00e9 marcado pela mobiliza\u00e7\u00e3o internacional de conscientiza\u00e7\u00e3o da hipertens\u00e3o, j\u00e1 que o dia 17 \u00e9 o Dia Mundial da Hipertens\u00e3o. Nesta \u00e9poca, h\u00e1 tr\u00eas anos, a International Society of Hypertension (ISH), endossado pela World Hypertension League (WHL) e apoiada pela Servier, promove o May Measurement Month (MMM).<\/p>\n\n\n\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o do ano passado, 98 pa\u00edses participaram, totalizando o rastreamento de 1.504.963 indiv\u00edduos. Cada um aferiu a press\u00e3o arterial e completou um question\u00e1rio sobre estilo de vida e fatores ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a campanha, 502.079 (33,4%) apresentaram hipertens\u00e3o, dos quais 298.940 (59,5%) estavam cientes de seu diagn\u00f3stico e 277.794 (55,3%) em tratamento com medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, os dados mais recentes s\u00e3o do MMM2017. Em maio daquele ano, foram coletadas informa\u00e7\u00e3o de 7.260 pessoas no pa\u00eds. Destas, 3.396 (47,0%) eram hipertensas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros n\u00fameros levantados foram que, dos indiv\u00edduos n\u00e3o receberam medica\u00e7\u00e3o anti-hipertensiva, 924 (19,5%) eram hipertensos e, dos que receberam, 977 (40,0%) n\u00e3o tinham a press\u00e3o controlada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O alto percentual rec\u00e9m-diagnosticado e a identifica\u00e7\u00e3o de hipertens\u00e3o n\u00e3o controlada, apesar do tratamento farmacol\u00f3gico, refor\u00e7am a import\u00e2ncia dessa a\u00e7\u00e3o para conscientizar e melhorar a preven\u00e7\u00e3o de eventos maiores cardiovasculares&#8221;, finaliza Barbosa, que \u00e9 o coordenador do MMM no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hipertens\u00e3o arterial, popularmente chamada de press\u00e3o alta, atinge cerca de um bilh\u00e3o de pessoas no mundo, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). \u00c9 o principal fator de risco para doen\u00e7as cardiovasculares, como infarto agudo do mioc\u00e1rdio e acidente vascular cerebral (AVC). 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