{"id":1062,"date":"2019-03-18T20:47:20","date_gmt":"2019-03-18T23:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=1062"},"modified":"2019-03-18T20:47:22","modified_gmt":"2019-03-18T23:47:22","slug":"as-medidas-adotadas-nos-eua-para-combater-massacres-em-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/03\/18\/as-medidas-adotadas-nos-eua-para-combater-massacres-em-escolas\/","title":{"rendered":"As medidas adotadas nos EUA para combater massacres em escolas"},"content":{"rendered":"\n<p>Autoridades e especialistas norte-americanos enfrentam h\u00e1 d\u00e9cadas o desafio de tentar impedir massacres como o ocorrido semana passada na escola Raul Brasil, em Suzano (SP). A trag\u00e9dia paulista deixou dez mortos (entre eles os dois atiradores) e 11 feridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1966, por exemplo, um estudante da Universidade do Texas matou 18 pessoas antes de ser baleado pela pol\u00edcia. Mas o que os EUA est\u00e3o fazendo hoje para tentar evitar este tipo de ataque?<\/p>\n\n\n\n<p>Cada trag\u00e9dia costuma ser seguida por semanas de discuss\u00f5es, em que um lado apela por restri\u00e7\u00f5es ao acesso a armas de fogo como forma de impedir novos ataques e, o outro, defende que a solu\u00e7\u00e3o seria aumentar ainda mais a presen\u00e7a de armas.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-47544292\">Massacre em escola de Suzano: os cuidados para proteger a sa\u00fade mental de quem vive traumas ou sofre por empatia<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-47568103\">Massacre em escola escocesa levou Gr\u00e3-Bretanha a proibir armas em 1997<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, muitas escolas americanas v\u00eam refor\u00e7ando sua seguran\u00e7a, com a instala\u00e7\u00e3o de detectores de metais, portas refor\u00e7adas, software de reconhecimento facial, coletes, mochilas e at\u00e9 lousas \u00e0 prova de bala.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a consultoria IHS Markit, o mercado de equipamentos e servi\u00e7os de seguran\u00e7a para o setor de educa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos movimentou US$ 2,7 bilh\u00f5es (cerca de R$ 10,3 bilh\u00f5es) em 2017. A propor\u00e7\u00e3o de escolas usando sistemas de c\u00e2meras de seguran\u00e7a passou de 20% em 1999 para mais de 70% em 2013.<\/p>\n\n\n\n<p> Mas apesar dos esfor\u00e7os, o pa\u00eds ainda n\u00e3o conseguiu reduzir o n\u00famero de ataques. N\u00e3o h\u00e1 dados oficiais e nem uma defini\u00e7\u00e3o precisa sobre o que pode ser considerado um ataque (com diverg\u00eancias sobre n\u00famero de mortos ou feridos, se ocorreu em hor\u00e1rio de aula ou n\u00e3o, etc.), mas um levantamento da publica\u00e7\u00e3o especializada em educa\u00e7\u00e3o Education Weekly registrou 23 casos com 113 mortos e feridos em escolas americanas em 2018. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Professores armados<\/h2>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o comuns nas escolas americanas exerc\u00edcios de simula\u00e7\u00e3o de tiroteios, em que alunos e professores praticam rotas de fuga e medidas como trancar portas de salas de aula com cadeiras ou mesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do ataque a tiros que deixou 17 mortos em uma escola em Parkland, na Fl\u00f3rida, em fevereiro do ano passado, o presidente Donald Trump sugeriu armar e treinar professores para que pudessem reagir a esses incidentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia foi recebida com resist\u00eancia por associa\u00e7\u00f5es de professores, que argumentam que esses profissionais j\u00e1 t\u00eam uma carga enorme de responsabilidades e, al\u00e9m disso, mesmo com treinamento, poderiam acabar ferindo estudantes por acidente. Os opositores da ideia observam que mesmo policiais altamente treinados cometem erros em situa\u00e7\u00f5es que exigem a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas apesar da resist\u00eancia, em pelo menos 14 Estados americanos a pr\u00e1tica de armar professores e funcion\u00e1rios j\u00e1 \u00e9 adotada por algumas escolas e distritos escolares, principalmente em zonas rurais, onde a pol\u00edcia levaria mais tempo at\u00e9 chegar ao local de um suposto ataque.<\/p>\n\n\n\n<p>As regras variam em cada Estado e em cada distrito escolar. A participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria, mas professores e funcion\u00e1rios que manifestam interesse recebem treinamento, que costuma ser em torno de 80 horas, e podem ent\u00e3o portar armas ou ter acesso f\u00e1cil a armas guardadas nas depend\u00eancias escolares.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o oficial dos resultados dessas iniciativas. No Texas, por exemplo, defensores da ideia ressaltam o fato de que n\u00e3o h\u00e1 registro de acidentes e afirmam que sua experi\u00eancia pode servir de modelo para outros Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, opositores dessas medidas salientam que muitas escolas alvo de massacres j\u00e1 tinham sistemas robustos de seguran\u00e7a e guardas armados em suas depend\u00eancias, o que n\u00e3o impediu o ataque.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prevenir, e n\u00e3o apenas reagir<\/h2>\n\n\n\n<p>Poucos os dias ap\u00f3s a trag\u00e9dia em Parkland, um grupo de especialistas renomados no estudo de massacres do tipo apresentou uma proposta para combater a viol\u00eancia nas escolas americanas. Segundo eles, aumentar a parafern\u00e1lia de seguran\u00e7a e armar professores e funcion\u00e1rios n\u00e3o impede novos ataques, e a solu\u00e7\u00e3o passa por medidas amplas para prevenir, e n\u00e3o simplesmente reagir a esses epis\u00f3dios.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tornar as escolas parecidas com pris\u00f5es tende a ter um impacto negativo no longo prazo&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil um dos autores, o especialista em viol\u00eancia em escolas e bullying Ron Avi Astor, professor da University of Southern California (Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia), em Los Angeles.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento, intitulado &#8220;Call for Action to Prevent Gun Violence in the USA&#8221; (&#8220;Chamado para A\u00e7\u00e3o para Prevenir Viol\u00eancia com Armas em Escolas dos EUA&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), re\u00fane assinaturas de mais de 4,4 mil especialistas e 200 universidades, grupos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Astor e os outros autores da proposta, d\u00e9cadas de pesquisas sobre esse tipo de viol\u00eancia indicam que colocar mais armas nas escolas pode ter impacto negativo na assiduidade, desempenho acad\u00eamico e nos relacionamentos e deixar alunos e professores com sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, dizem que o ideal \u00e9 garantir que as depend\u00eancias escolares estejam livres de armas e educar os estudantes e professores para reconhecer amea\u00e7as. Tamb\u00e9m pedem que sejam proibidas armas de uso militar, \u00e0s quais muitos civis nos Estados Unidos t\u00eam acesso, e refor\u00e7adas medidas de checagem de antecedentes para compradores de armas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Apesar de medidas de seguran\u00e7a serem importantes, o foco em simplesmente se preparar para um ataque n\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221;, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A preven\u00e7\u00e3o engloba mais do que medidas de seguran\u00e7a e come\u00e7a bem antes de um atirador chegar \u00e0 escola. \u00c9 preciso uma abordagem ampla de sa\u00fade p\u00fablica para lidar com a viol\u00eancia por armas, que seja baseada em evid\u00eancia cient\u00edfica e livre de posi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sinais de alerta<\/h2>\n\n\n\n<p>Astor enumera sinais de alerta comuns nos autores desses ataques e que, quando detectados, podem ajudar as autoridades a intervir mais rapidamente. Um deles \u00e9 manifestar obsess\u00e3o por armas e massacres anteriores e reunir um arsenal. O outro \u00e9 mencionar planos a familiares, amigos ou nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os autores desses ataques n\u00e3o costumam manter segredo. Mas muitas vezes as pessoas ouvem e pensam que eles est\u00e3o brincando, que n\u00e3o est\u00e3o falando s\u00e9rio&#8221;, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m salienta que esses epis\u00f3dios costumam ser tratados simplesmente como homic\u00eddio, mas que quase sempre s\u00e3o casos de suic\u00eddio, nos quais os autores tamb\u00e9m matam outras pessoas, muitas vezes em busca de fama. &#8220;Temos m\u00e9todos de detectar (potenciais) suicidas, mas geralmente n\u00e3o s\u00e3o usados nesses assassinatos em massa&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o de todos esses fatores, \u00e9 muito mais complexo do que simplesmente uma quest\u00e3o de sa\u00fade mental ou de acesso a armas&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Astor e outros especialistas, \u00e9 preciso criar um ambiente em que os alunos tenham confian\u00e7a nos adultos da escola e sintam-se seguros para relatar casos de armas nas depend\u00eancias escolares ou comportamentos amea\u00e7adores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o Secreto<\/h2>\n\n\n\n<p>No ano passado, o Servi\u00e7o Secreto dos Estados Unidos tamb\u00e9m divulgou um relat\u00f3rio com recomenda\u00e7\u00f5es que incluem a cria\u00e7\u00e3o de equipes de avalia\u00e7\u00e3o de riscos nas escolas, compostas por profissionais de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade mental e policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Servi\u00e7o Secreto, na maioria dos ataques em escolas do pa\u00eds, alguns estudantes sabiam dos planos dos atiradores e haviam manifestado preocupa\u00e7\u00e3o com seu comportamento. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 criar um clima positivo em que os estudantes sintam que podem falar de suas preocupa\u00e7\u00f5es e oferecer canais que facilitem o relato dessas amea\u00e7as, seja pessoalmente, por telefone, aplicativo de celular ou online.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que professores e funcion\u00e1rios tenham orienta\u00e7\u00f5es claras sobre como reagir a esses relatos. Uma recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que as escolas criem equipes compostas por diretor, conselheiros, assistentes sociais, psic\u00f3logos e guardas escolares para conversar com testemunhas e avaliar a gravidade da amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Dependendo do grau da amea\u00e7a, o indiv\u00edduo pode ser encaminhado a aconselhamento informal ou terapia. Em casos mais graves, em que h\u00e1 risco iminente, a pol\u00edcia pode ser envolvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua proposta, os especialistas em viol\u00eancia dizem que essas equipes nas escolas devem atuar em conjunto com os servi\u00e7os de sa\u00fade mental da comunidade para dar apoio a pessoas que estejam enfrentando dificuldades e tenham risco de cometer viol\u00eancia. Em caso de expuls\u00e3o da escola, esses indiv\u00edduos devem continuar sendo monitorados e recebendo apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>Astor lembra que, apesar de tr\u00e1gicos, massacres em escolas s\u00e3o raros, mesmo nos Estados Unidos. &#8220;H\u00e1 muito mais ataques em restaurantes, cinemas, shoppings, at\u00e9 em correios. E n\u00e3o estamos transformando esses locais em pris\u00f5es (com excesso de equipamentos de seguran\u00e7a e funcion\u00e1rios armados)&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: BBCBrasil<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autoridades e especialistas norte-americanos enfrentam h\u00e1 d\u00e9cadas o desafio de tentar impedir massacres como o ocorrido semana passada na escola Raul Brasil, em Suzano (SP). A trag\u00e9dia paulista deixou dez mortos (entre eles os dois atiradores) e 11 feridos. 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