{"id":10083,"date":"2019-05-11T17:01:56","date_gmt":"2019-05-11T20:01:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=10083"},"modified":"2019-05-11T17:01:57","modified_gmt":"2019-05-11T20:01:57","slug":"mobilizacao-dos-caminhoneiros-deteriora-confianca-na-economia-dizem-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/05\/11\/mobilizacao-dos-caminhoneiros-deteriora-confianca-na-economia-dizem-economistas\/","title":{"rendered":"Mobiliza\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros deteriora confian\u00e7a na economia, dizem economistas"},"content":{"rendered":"\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros, que completa um ano neste m\u00eas, tirou entre 0,1 e 0,3 ponto percentual do crescimento do Brasil em 2018, quando a economia se expandiu 1,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento foi o primeiro de uma s\u00e9rie de choques que tem prolongado o ciclo de expectativas frustradas em&nbsp;rela\u00e7\u00e3o \u00e0 retomada do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a leitura que os economistas fazem, hoje, do evento que parou o Brasil por 11 dias, derrubando a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e a confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os principais efeitos da greve j\u00e1 se dissiparam, mas ela mostrou como seria dif\u00edcil para o Brasil sair do fundo do po\u00e7o&#8221;, diz F\u00e1bio Ramos, economista do UBS.<\/p>\n\n\n\n<p>As sondagens de confian\u00e7a da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas) ilustram bem o diagn\u00f3stico dos analistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa converte em \u00edndice o que os agentes econ\u00f4micos percebem em rela\u00e7\u00e3o ao presente e esperam do&nbsp;futuro. N\u00fameros acima de cem denotam otimismo, abaixo indicam pessimismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2014, os resultados da confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores brasileiros apontam um quadro persistente de percep\u00e7\u00e3o de conjuntura ruim casada com des\u00e2nimo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>O sub\u00edndice de expectativas da confian\u00e7a empresarial &#8211;que consolida as sondagens de diferentes setores econ\u00f4micos e dos consumidores em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas meses seguintes&#8211; rompeu poucas vezes para cima a barreira dos cem pontos nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses breves momentos foi antes da paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros. O outro, mais recente e ligeiramente mais longo, ocorreu entre o fim de 2018 e os primeiros meses deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A melhora recente resultou da lua de mel com o governo novo, que, pelo que captamos em algumas pesquisas, se deu mesmo entre eleitores que n\u00e3o votaram no [presidente Jair] Bolsonaro&#8221;, diz Aloisio Campelo Jr., superintendente de estat\u00edsticas p\u00fablicas do Ibre\/FGV.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de crise, houve a percep\u00e7\u00e3o de que uma nova administra\u00e7\u00e3o, eleita com ampla vantagem, conseguiria aprovar medidas positivas para o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sinal de que o otimismo come\u00e7ava a voltar foi captado por uma pergunta que mede as expectativas de empres\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o aos seus neg\u00f3cios e das fam\u00edlias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o financeira em um horizonte mais longo,&nbsp;de seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez em mais de quatro anos, esses \u00edndices ficaram, a partir de novembro de 2018, por alguns meses consecutivos acima de cem, mas, no m\u00eas passado, houve&nbsp;novo recuo para o n\u00edvel que indica pessimismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O temor de especialistas \u00e9 que a melhoria recente tenha sido mais um solu\u00e7o positivo tempor\u00e1rio e que o quadro de baixa confian\u00e7a, que desestimula investimentos e consumo, volte a predominar.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorreu ap\u00f3s o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em agosto de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a de governo criou a esperan\u00e7a da aprova\u00e7\u00e3o de reformas que fariam o pa\u00eds retomar o crescimento. Mas reveses sofridos pela gest\u00e3o Michel Temer (MDB) &#8211;como o vazamento de conversa comprometedora com Joesley Batista em maio de 2017&#8211; frearam o retorno da confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o foco havia migrado do ent\u00e3o paralisado governo Temer para a perspectiva de mudan\u00e7as positivas ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa sensa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a para melhor n\u00e3o durou muito. Antes da eclos\u00e3o da paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros, j\u00e1 havia sinais de que o quadro talvez n\u00e3o fosse t\u00e3o positivo, na esteira de juros em alta nos EUA e aumento de incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas analistas, empres\u00e1rios e consumidores n\u00e3o esperavam a eclos\u00e3o de uma paralisa\u00e7\u00e3o longa e intensa como a promovida pelos caminhoneiros, que levou \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do transporte, ao fechamento de lojas e de f\u00e1bricas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A greve teve um impacto forte, embora pontual&#8221;, afirma Luka Barbosa, economista do Ita\u00fa Unibanco.<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito mais nocivo da paralisa\u00e7\u00e3o foi via o canal da ind\u00fastria, cuja produ\u00e7\u00e3o despencou 10,9% em maio de 2018. Embora uma parcela consider\u00e1vel dessas perdas tenha sido recuperada nos meses posteriores, um efeito negativo residual se manteve&nbsp;no balan\u00e7o geral.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ita\u00fa Unibanco calcula que esse impacto tenha subtra\u00eddo entre 0,1 e 0,2 ponto percentual do j\u00e1 fraco crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2018. O UBS tem uma estimativa parecida, entre 0,2 e 0,3 ponto percentual.<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas ressaltam, por\u00e9m, que a fraqueza persistente da economia j\u00e1 existia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se houvesse uma tend\u00eancia de crescimento mais forte de fato, ela teria sido retomada alguns meses depois da paralisa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o foi isso que ocorreu&#8221;, diz Marcelo Gazzano, da consultoria A.C. Pastore &amp; Associados.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a greve pode ter criado, segundo Gazzano, \u00e9 um ponto a mais na lista de riscos que os empres\u00e1rios consideram quando elaboram seus planos de investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Barbosa menciona que um exemplo dessa maior cautela \u00e9 o aparente movimento das empresas para aumentar suas frotas pr\u00f3prias. Os caminhoneiros aut\u00f4nomos, por sua vez, parecem estar enfrentando como efeito colateral uma demanda menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas, o que mais tem pesado sobre a recupera\u00e7\u00e3o lenta do pa\u00eds \u00e9&nbsp;a soma do impacto de diversos choques negativos sobre uma economia com fraquezas estruturais severas como a brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros, ocorreram a recess\u00e3o argentina, a incerteza gerada pela polariza\u00e7\u00e3o antes da elei\u00e7\u00e3o, o rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais, e a piora no cen\u00e1rio econ\u00f4mico global.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, foram adicionados \u00e0 lista os problemas internos do novo governo e as dificuldades pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os economistas, o fortalecimento da economia e o aumento de sua imunidade a choques tempor\u00e1rios dependem do progresso da agenda de concess\u00f5es \u00e0 iniciativa privada, da aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia e da retomada da pol\u00edtica de cortes de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Folha Press<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros, que completa um ano neste m\u00eas, tirou entre 0,1 e 0,3 ponto percentual do crescimento do Brasil em 2018, quando a economia se expandiu 1,1%. 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