terça-feira, maio 28, 2024

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Maritacas ‘batem ponto’ para comer na casa de idoso ‘encantador de pássaros’. Vídeo

Quem mora região do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, já se habituou com a presença de periquitos e maritacas passeando para lá e para cá, todos os dias.Essas aves coloridas – e um tanto barulhentas – passeiam geralmente em bando, acordam cedo e não fazem questão alguma de preservar o sono da vizinhança onde fazem ninhos. Vídeo abaixo:

Mas na Avenida Sapopemba, na Água Rasa, elas têm presença ainda mais forte. Todos os dias batem ponto na casa do espanhol Florêncio Lopez Fernandes, de 84 anos, conhecido na região como Florêncio Maritaca.Ao menos duas vezes por dia, o artesão aposentado é flagrado na janela de casa dando comida a dezenas desses pássaros, que devoram as sementes de girassol oferecidas por ele com vontade e, claro, muita gritaria.

Florêncio diz que começou a amizade com as aves em 2015, quando dois periquitos começaram a pousar diariamente na janela dele para se alimentar dos restos de comida que ele deixava por lá.Os bichinhos deram cria e viraram quatro. Dois anos depois, os quatro viraram oito. Mas logo perderam espaço para as maritacas.“Os periquitos eram menorzinhos e comiam mais devagar. Logo as maritacas, que são maiores, descobriram a boquinha e começaram a vir em bando. Nunca mais foram embora”, conta o encantador de aves.

Inicialmente, as maritacas eram um grupo pequeno. Mas foram procriando ao longo dos anos e hoje o grupo que visita Florêncio diariamente é composto por mais de cem aves, segundo as contas do próprio idoso.

“Basta abrir os primeiros raios de sol, por volta das 6h da manhã, que elas já estão na minha janela. São o meu despertador. O dia que tem chuva forte, e elas não aparecem, eu fico até triste”, contou.

Chegada ao Brasil

Florêncio nasceu em Córdoba, na Espanha, e migrou para a América aos 12 anos, em 1952. Ele chegou ao Brasil com os pais e uma irmã depois de 12 dias de viagem no porão de um navio que aportou em Santos, no litoral paulista.

No Brasil, ganhou a vida trabalhando como artesão. Tinha uma fábrica de gravação de cristais e vidros, que foi obrigado a fechar depois que a idade foi avançando e a saúde já não dava mais conta da labuta diária.

Solteiro e sem filhos, vive praticamente sozinho. Recebe assistência de dois sobrinhos, que diariamente ligam para saber do dia a dia do tio.

“Muitas delas vivem no Parque Ceret ou vêm lá da Mooca. Se vai chover, chegam mais cedo. São mais precisas que os meteorologista da Globo”, brinca.Sem nunca ter estudado veterinária ou biologia, Florêncio entende do ciclo de vida das maritacas como poucas pessoas. O conhecimento ele diz que vem da pura observação e proximidade com os animais.

“São pássaros que duram mais de 50 anos. Nessa época de fim de ano, outubro, novembro e dezembro, é época do acasalamento. Lá para janeiro, fevereiro, nascem os filhotinhos. Geralmente cada ave dá uns dois filhotes. E eles começam a vir comer devagarinho. A primeira vez, o pai ou a mãe vêm e comem, enquanto eles ficam no fio esperando. Os pais comem e depois levam para eles o girassol já aberto, porque eles ainda não têm força no bico para abrir [a semente]”, detalha.

Pra conquistar as novas gerações de maritacas, Florêncio tem uma estratégia.

“Eu geralmente abro as sementes com um alicate e deixo separado na minha mão. Os grandes vêm e comem rápido, mas os mais novos sabem que o que é deles já está reservado. Eles comem devagarinho, mas chegam com a certeza que não vão sair de barriga vazia.”

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