Réus foram condenados por crimes de pertinência a organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro; Youssef teve açãosuspensa nos dois processos devido a acordo de delação.

Nove pessoas foram condenadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba em duas ações da Operação Lava Jato, por participarem de um esquema que movimentava dinheiro ilegalmente no exterior para o doleiro Alberto Youssef.

As duas sentenças foram proferidas pelo juiz federal Luiz Antonio Bonat, na quarta-feira (22). Os réus foram condenados por crimes de pertinência a organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Em uma das sentenças, foram condenados João Procópio Junqueira Pacheco, Matheus Oliveira dos Santos e Rafael Angulo Lopez.

Na outra ação, o juiz determinou a condenação de Carlos Alberto Pereira da Costa, Esdra de Arantes Ferreira, dos irmãos Leandro e Leonardo Meirelles, além de Pedro Argese Júnior e Raphael Flores Rodriguez.

O doleiro Alberto Youssef teve ação penal suspensa nos dois processos devido ao acordo de delação premiada que firmou com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Confira, abaixo, por quais crimes cada réu foi condenado:

Leonardo Meirelles:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa, operar instituição financeira sem autorização e pelo crime de evasão de divisas. Teve a pena de 40 anos e sete meses de prisão substituída, devido acordo que firmou com o Ministério Público Federal (MPF), a quatro anos de prisão em regime aberto.

Leandro Meirelles:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa, operar instituição financeira sem autorização e pelo crime de evasão de divisas. Teve a pena de 25 anos e 11 meses de prisão substituída, devido acordo que firmou com o MPF, a quatro anos de serviços à comunidade.

Rafael Ângulo Lopez:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa. Teve a pena de quatro anos e dois meses de prisão em semiaberto substituída por cumprimento em regime aberto diferenciado, devido a acordo que firmou com a PGR.

João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa. Teve pena estabelecida em quatro anos e 10 meses em regime semiaberto.

Matheus Oliveira dos Santos:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa e pelo crime de evasão de divisas. Teve pena estabelecida em oito anos e 20 dias de prisão, em regime fechado.

Esdra de Arantes Ferreira:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa e pelo crime de evasão de divisas. Teve a pena de 14 anos e sete meses de prisão substituída, devido acordo que firmou com o MPF, a quatro anos de serviços à comunidade.

Pedro Argese Júnior:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa e pelo crime de evasão de divisas. Teve a pena de 14 anos e sete meses de prisão substituída, devido acordo que firmou com o MPF, a quatro anos de serviços à comunidade.

Raphael Flores Rodriguez:

  • Condenado por pertinência a organização criminosa e pelo crime de evasão de divisas. Teve a pena estabelecida em 11 anos e um mês de prisão em regime fechado. Rodrigues pode recorrer da decisão em liberdade.

Carlos Alberto Pereira da Costa

  • Condenado por pertinência a organização criminosa e lavagem de dinheiro. Teve a pena de 11 anos e 11 meses de prisão substituída, devido acordo que firmou com o MPF, a quatro anos em regime aberto com serviços à comunidade.

Outro lado

A defesa de Rafael Ângulo Lopez informou que compreende a sentença como uma decisão justa, “uma vez que o absolveu do crime de evasão de divisas e reconheceu a prescrição do crime de operação não autorizada de instituição financeira”.

Ainda de acordo com a defesa “ademais, o édito reconheceu a efetividade de sua colaboração e aplicou, em relação ao outro delito, o acordo colaborativo firmado com a PGR”.

A defesa de Leandro e Leonardo Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira e de Pedro Argese Junior informou que não deseja se manifestar.

A defesa de Alberto Youssef também não quis se manifestar.

O G1 aguarda tenta contato com as defesas dos outros citados.

Movimentações

Segundo denunciado pelo MPF, Youssef liderava as ações do grupo, coordenando as atividades dos outros réus. O doleiro era o responsável direto por constituir, comandar, promover, integrar e financiar a organização criminosa, de acordo com a investigação.

Veja, abaixo, o que dizem as duas sentenças sobre a participação relacionada a cada réu condenado:

Carlos Alberto Pereira da Costa – de acordo com as investigações, era uma das principais pessoas ligadas a Youssef no esquema, agindo como “testa-de-ferro” dele nas empresas. Ele assinava notas fiscais e documentos, além de fazer saques na conta de uma das empresas envolvidas, em benefício do grupo.

João Procópio Junqueira – foi acusado de abrir offshores no nome dele mesmo no exterior, segundo a denúncia, “onde transitavam os valores ilícitos pertencentes a Alberto Youssef e demais envolvidos nos crimes praticados contra a Petrobras”.

Leonardo e Leandro Meirelles – de acordo com o documento, Leonardo tinha a responsabilidade de executar as ordens de Youssef e gerenciar empresas no interesse exclusivo do doleiro. Leandro também atuava na operação de empresas, a mando de Youssef, e era responsável por contratos de câmbio fraudulentos.

Os irmãos Leandro e Leonardo Meirelles atuavam na criação de empresas offshore e na celebração de contratos fraudulentos para evasão de divisas em benefício da organização criminosa, “recebendo, em contrapartida, comissões de 0,5 a 1% do valor movimentado”, de acordo com o que apontou o MPF.

Rafael Ângulo Lopez – de acordo com as investigações, era envolvido na distribuição de valores da organização criminosa dentro do Brasil

Matheus Oliveira dos Santos – advogado, foi acusado pelo MPF de atuar na estruturação legal das empresas offshores, ajudando na abertura para esconder quem eram os verdadeiros titulares das empresas.

Esdra de Arantes Ferreira – de acordo com as investigações, assinou contratos de câmbio fraudulentos para ajudar o grupo a justificar a saída de dinheiro ilegal do país. Atuava no esquema, sob indicações de Leonardo Meirelles, de acordo com o MPF.

Esdra era o “autorizador” das operações comandadas por Youssef empresas, conforme apontado pelo MPF.

Pedro Argese Júnior – garantiu a utilização das contas da empresa e assinou contratos de câmbio fraudulentos para justificar a saída de dinheiro ilegal do país.

Raphael Flores Rodriguez – garantiu a utilização de uma empresa de consultoria em informática na assinatura de contratos de câmbio fraudulentos para justificar a saída de dinheiro ilegal do país, em acordo com Leonardo Meirelles.

G1

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